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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Retrospectiva

E é mais um ano que passa, tudo novo, tudo se repete.
Festas de fim de ano com promessas e lágrimas, de branco,
Pedidos de esperança, taças com champagne no carpete,
Ou na areia da praia, onde todos saltam, para ver os fogos, do banco.

Prometemos mudar tudo o que deu errado no ano passado,
Fazer diferente, errar novos erros, ser mais felizes e amar...
Amar mais a nós mesmos, ao próximo, e manter a paz ao nosso lado
Para sempre que estivermos de baixa guarda, possamos enxergar.

Seria bom se todo dia fosse ano novo... Quanta esperança
Conseguimos ter num só dia de que tudo dará tão certo...
É uma pena que esse brilho se perca no decorrer dos dias.

A cada ano passado, nós crescemos e deixamos de ser criança,
Seja fisicamente, ou moralmente, chegamos cada vez mais perto
Da felicidade e do aprendizado, e quem sabe do amor, falso messias.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

De repente, pressão , De pressão

Quando ela chega, não tem música animada que ajude.
Não há remédio em farmácia alguma para se comprar.
Procurei algo novo, mas parece não ter algo o qual mude
Essa doença incrustada nessa carcaça prestes a desabar...

Nada muda se você não mudar junto... Sem mas e porém.
Do que adianta a perfeição se nem sempre ela é o bastante?
Nada o é nesse mundo, mas sempre há para nós um alguém
Que não é perfeito, mas preenche o espaço que era gigante.

Se ela não chegasse, estaria sem sentir calafrios no peito,
Estaria a sorrir, faria planos, tocaria músicas no violão...
Mas ela está aqui, e os sinais mostram que nada é perfeito.

E cada segundo parece ser uma eternidade na escuridão.
Só quem a conhece sabe como é, sentir-se desse jeito,
Onde parece não encontrar piedade nem compaixão.

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O mentiroso

Feliz é o poeta como eu, que não tem motivos para escrever.
Como você percebeu, estou cheio deles aqui comigo agora...
Se não bastasse não conseguir dormir, sinto dores a doer
Cansado demais para dormir, cansado demais para ir embora...

A solidão já habita meu peito, e a nostalgia a engrandece.
Brilha a chuva e chove o sol, assim tem sido os dias
Desde que você não apareceu... Tão certos como quem esquece
Que dois e dois são cinco, e errados como poetas fazem poesias.

Dizem que a pior mentira é aquela feita para si próprio,
Mas como seria se não mentisse dizendo que está tudo bem,
Mentisse que o dia amanhã será diferente, mesmo sóbrio...

Como seria se eu não mentisse que a derrota não é de ninguém,
Quando vejo que ela já a mim pertence, por estar aqui a escrever?
Talvez não houvesse nem derrota nem vitória, mas alguém tem que sofrer.

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Vaga-lua

Lembro-me perfeitamente que fui dormir sozinho,
Mas acordei ao teu lado, sentindo o teu perfume,
Desenhando com os dedos em seu braço... Carinho.
Como havia me esquecido o que era... Um vaga-lume

Na noite... Como se eu o fosse, e tu a noite doce.
Por mais que eu tente, não conseguiria te iluminar.
Mas de repente eu durmo dormindo como se fosse
Natural, e acordo sozinho novamente, sem levantar

Da cama, percebo que fora tudo ilusão, e a realidade
Estampada ao redor, somente um violão ao meu lado...
Como se fosse real, teu sorriso me trazia felicidade...

Eu tinha tudo e ao mesmo tempo nada, acabado
Quando despertei. Ilusões aumentam mais a dor,
E a solidão é a noite, o vaga-lume torna-se lua é o amor...

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Soneto natural

Sei que o tempo passa, mas não significa que tudo
Deve passar junto com ele. Algumas coisas tortas
Ficam, mas ficam. Mesmo que o retrato fique mudo
Na parede, ainda faz meu peito arfar como estrelas mortas.

Sei que o vento sopra, e nasce assim a lufada.
Trazendo a tona às memórias, mostrando o vazio,
O qual o vento me empurra, no peito, uma facada.
A queda então, parece nunca encontrar o chão frio.

Sei que o mundo gira, e ninguém o consegue parar.
É apenas a natureza e o universo cumprindo o dever,
Assim como o Sol e a Lua não podem se amar...

Sei que o passar do tempo, o soprar do vento, e o girar do mundo,
São inevitáveis. Por mais frio que me faça sentir no calor, esquecer
Não irei tu, mas a solidão encontra em mim um abrigo profundo.


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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Teria explicação ?

Às vezes eu penso. Pensar é uma atitude de qualquer ser racional...
Às vezes penso que pensamos saber o significado de como as coisas são.
Mas, às vezes erramos, para errar não precisa ser racional, é natural...
Hoje pensei, e descobri que não sei o real significado de solidão.

É como qualquer outro sentimento o qual não podemos ver, só sentir.
A solidão é diferente dos outros sentimentos, por não a conhecer.
Não tem hora, não tem lugar, não tem como saber para se prevenir.
A solidão chega quando estamos ou não juntos de alguém. -nos faz sofrer-

Ela chega quando estamos felizes ou tristes, não importa,
Ela sempre aparece e encontra um lugar para plantar a agonia
Em nosso peito, trazendo o pranto como companheiro...

Procuramos como expulsá-la, mas no peito não há porta
Para deixá-la sair... Já pensou como seria no dia
Em que a solidão deixasse de existir no peito inteiro?

sábado, 11 de dezembro de 2010

Soneto incomum

Às vezes, até o óbvio confunde nossos pensamentos...
Quando tudo indica que estamos muito perto de algo,
A chuva desce sempre igual, e mostra que estamos longe...
Como se o dia estivesse lindo, belo sol para ir à praia,

Mas resolvesse trancar-se no quarto, fechar as cortinas,
Trancar a porta, bagunçar a cama, e soar uma música
Um tanto que melancólica, para que se sentisse a vontade.
À espera que o sol seja engolido pelas nuvens, e a chuva

Desça arrasando tudo e o mundo, deixando o céu cinza
Pelas nuvens negras, carregadas de poluição...
E o vento, esse não poderia faltar, que venha com força,

Para levar todos estes restos de sentimentos quebrados
Pairando pela casa, pelos bolsos das roupas, em todo lugar...
Feito assim, não haveria motivos para não descansar só.



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Espaços vazios



Encontro-me de repente, diante de tanto espaço vazio.
Busco então procurar um por que, de tanto espaço assim,
Mas frente a tantas perguntas, não encontro respostas...
Deito em minha cama, a fim de que tente dormir hoje,

Mas inda assim não deixo de perceber o vazio na cama...
Encostado na cabeceira, olho pela janela o céu da noite,
E percebo que assim como eu, também está vazio...
Lembro então do sentimento o qual temo não encontrar,

Melhor seria não ter lembrado e encontrado dele,
O vazio sem espaço que traz para dentro de meu peito...
E a dor, sua companheira inseparável, minha mente invade,

E rouba as boas lembranças dos momentos que nunca
Passamos juntos, deixando apenas os espaços,
Vazios que tem espaço para mim, e sem espaço em mim.




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Aula de Ecologia

Imagine um pedacinho de terra em algum lugar...
Agora pegue umas sementes e jogue no chão,
Mas não se esqueça de dar água sempre que lembrar,
E o mais importante, plante tudo com o coração...

Após certo tempo, a semente vai se romper,
E os brotos surgirão jovens cheios de vida.
Radiante, o sol fará seu papel de fazê-los crescer,
E depois, a planta se tornará florida,

E dará origem a outras sementes, um ciclo vicioso.
Só esquecemos um pequeno detalhe importante:
Quando se planta a mesma planta durante

Muito tempo na mesma terra, ela acaba morrendo.
A planta não, a terra... Acho que talvez agora
Tenha descoberto porque o amor tanto demora...



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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Tentativas



Tento escrever, mas tudo parece tão patético.
Tento ouvir, mas os sons não consigo distinguir.
Tento sentir, mas tudo que sinto tem um ar poético.
Tento pensar, mas o torpor atrapalha e não deixa dormir.

Tento esquecer, mas o passado bate a porta.
Tento fugir, sem rumo, em vão, sem adiantar.
Tento não escrever, mas a rosa está morta.
Tento não ouvir, mas não consigo o som abafar.

Tento não sentir, em vão, por inteiro já me possuir.
Tento não pensar, mas tudo me traz lembranças.
Tento não esquecer, arduamente, sem grunhir.

Tento não fugir, mas não estão aqui minhas esperanças.
Tento tentar não ser louco pelas tentações intentáveis.
Tento não tentar te amar pelas eternas vidas incontáveis.


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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Noites claras

Noites passo deitado em minha cama sem dormir...
Pensando; nas discussões, em como poder mudar;
Nos telefonemas nunca atendidos, sem sorrir
Pelas cartas nunca recebidas para ler e se emocionar...

Nos olhares nunca trocados, no rosto
Nunca visto, angústia maldita da espera...
Noites penso na vida e em seu desgosto,
À espera a qual chegue à louvada primavera

E ilumine teus olhos castanhos e teus cabelos,
E dê brilho a teus lábios sublimes, à tua cor...
E que principalmente do inverno espante os pesadelos...

Noites passo pensando em tudo e no amor...
Em como a vida poderia ser simples sem mudar
A essência... Quando percebo, a noite já está a clarear...



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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Soneto indefinido

Não sei como descrever com palavras exatas,
Mas tentarei dizer como tem sido a rotina
Aqui dentro, onde continuo sendo a prata...
Noites em que me curava usando morfina

Para aliviar o frio que por dentro me congela,
E o calor que por fora me consome feito brasa...
Tudo por desejar junto a mim tua alma singela
A qual somente ela é capaz de libertar e dar asa

Ao sentimento enterrado e morto no jardim
Em minha mente, fonte de luta e desespero,
Guerra entre o caos e a paz, para se vencer

E no final, perguntar-se se é realmente o fim...
Será o fim da guerra e o início do que espero,
Poder amar-te sem jamais sentir medo de viver.



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domingo, 5 de dezembro de 2010

Seda selvagem

Como se nunca tivéssemos nos visto alguma vez,
Na noite badalada trocávamos olhares inseguros,
Desviando-os quando se encontravam imaturos
Na hora de falar o que realmente desejariam dizer...

Não poderia sair deste lugar sem ao menos sentir
O rosto suave como seda, o cabelo sublime como relva;
Sem provar dos lábios de mel, forçando-me a mentir
Para mim mesmo que não conseguiria entrar na selva

Daquela linda leoa ágil e proprietária da própria terra...
Não poderia não sentir o teu perfume e criar uma guerra
Entre os meus sentidos confusos por tanta divindade...

Mas de tudo serei atento, e de tudo eis a verdade:
Nesta noite, fui-me sem sentir os sentidos da noite,
Mas aqui está finda a esperança que não se foi.




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Dia sem nome

Noite agitada, música tocando e mulheres dançando...
Amigos curtindo, pessoas bebendo sem se preocupar.
Voltava da festa quando da rua olhei e a vi passando,
Tão branca e sublime como bruma era de se invejar...

No mais alto céu onde nenhum avião ou pássaro alcança,
Onde estão a brilhar os mais lindos imóveis cristais...
Olhando-a, esqueci-me de dormir, observando na esperança
Da eterna aurora, pela chegada da mais bela das mortais,

Num dia como este que é domingo, mas não parece ser,
Dia de sol e chuva, numa amena chuva de Novembro
Junto ao sol de verão de um escaldante Janeiro...

Dia o qual não é final nem de semana, deixando sem saber
O nome, a época do ano... Dia igual a este não me lembro,
Mas se tiver de lembrar, lembrarei dela primeiro...



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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O que é beijo?

“Só o coração tem razões que a própria razão desconhece.”
Disse Pascal, grande homem grande, morreu de desejo...
Nem tudo é igual para todo mundo, por exemplo, um beijo.
É a cor de uma foto preta e branca, é o calor que amanhece

Em nossos rostos, em nossos corações que aceleram loucamente.
Um beijo denunciou Cristo, um beijo já sarou feridas profundas.
O que é um beijo afinal? Será só aquilo que faz o adolescente?
Para alguns, o beijo é a libertação da dor de águas muito fundas...

Seja um beijo debaixo de uma chuva, ou onde for o lugar...
Beijo é sempre beijo pra quem ama e pra quem se apaixona.
Para outros, ele não é nada, é só motivo pra fazer o tempo passar.

Mas quando alguém marcante que você se apaixonou te abandona,
É como se nunca mais fossemos sentir novamente aquele calor...
Como se de repente, os lábios não fossem nada, tudo nada, tudo amor.

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Folhas secas

Só as folhas secas, sem vida, caem do seu galho...
Se eu disser que as folhas verdes caem, é mentira.
Se tento arrancar uma folha jovem, eu falho...
Porque nada acontece por acaso, e o mundo conspira.

Uma folha só cairá quando tiver chegado à hora,
E tiver feito tudo o que lhe fosse imposto pela vida...
Pelas noites, quando não é nem dia e nem noite, a aurora
Rouba o brilho das estrelas, por última a mais garrida...

Deixe que o vento tire as folhas da árvore mais bela,
Assim, dando espaço para que outras novas possam nascer...
No escuro véu da noite, à chuva, eu espero na janela

A lufada que trará o meu amor, para o dia poder amanhecer
Com você do meu lado, se faz a clareza do meu mundo no teu olhar...
Valeu a pena esperar as ‘folhas’ caírem na hora certa, e te encontrar.

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sábado, 13 de novembro de 2010

Impiedosos ponteiros



Os ponteiros giram, mas a hora não passa.

O tempo passa, mas a angústia aqui fica.

Assisti com os próprios olhos à fumaça

Dos meus sonhos ser levada pelo vento da rica


Maresia, restando-me nada senão nada.

Outra fumaça surge e precipita sobre mim

Pesadelos, marcas de uma aurora, gélida lufada.

Como se o chão fosse o mar, afundo sem ver fim...


Os ponteiros giram, mas não sinto a hora passar.

Fico preso inerte no tempo, sem respostas...

Vazio e confuso, sem porquês, sem mais.


Tento, mas o pranto não consegue mais chegar...

E eu vou ficando sem histórias idiotas

Para contar, pelas linhas que são minha paz...



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Escolhas



Às vezes lutamos tanto para um sonho realizar.
Será que lutaríamos se soubéssemos que tal sonho
Tornar-se-ia um pesadelo? É possível acreditar,
Após várias tentativas fracassadas, que dará certo?

Ouvi dizerem que o sofrimento que alguém carrega
Nunca é maior do que ela mesma pode suportar...
Mas suportar por quanto tempo? ... Quando a alma nega,
O sofrimento torna-se questão de tempo, é só esperar...

Como pode um grão de areia tornar-se um rochedo?
Complicar os fatos é mais fácil do que entendê-los...
Então viva intensamente, aprenda com o feito, viva sem medo,

Olhe para o passado e engrandeça, vença os pesadelos...
Saiba que sendo feliz ou infeliz, o mundo não irá mudar.
Não limite os desejos de tua’lma, viva sem medo de errar...





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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Soneto da Aurora




Não sei por que, mas hoje todos foram dormir cedo...
E eu, unicamente com a luminária do quarto acesa,
Permaneço, sentado na cama, observando sem medo,
Mas com dor, os pensamentos que deixei sobre a mesa.

Tão intenso e silencioso é o pranto que escorre sobre o rosto
Nu, reflexos de uma alma pura, porém repleta de cicatrizes
Recentes, fonte de dor e insegurança que causam desgosto
Na linda e grandiosa vida, onde sei que em suas fortes raízes

Há um ninho de felicidade e amor, que alimentam o coração
Das pessoas, mas cabe a elas regar sempre as raízes, e o ninho
Permanecerá vivo, sempre no mesmo lugar, cheio de emoção.

Pela janela, sinto uma longa lufada vir até eu fazer carinho,
E quando eu menos esperava, adormeci nos braços da madrugada.
Nem sempre percebemos, mas, as cicatrizes saram, grande lufada.



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Doce Mar

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Caminhava durante a noite pela praia deserta,
Ouvindo o marulho, observando a pura bruma
Que se fazia na beira da praia, forma incerta
Na qual me deixava sem certeza alguma,

Se as estrelas no céu desenhavam o caminho
Que me guiaria até a pessoa certa para amar.
Mas não passavam de estrelas mortas sem carinho
Sem piedade, enganando idiotas românticos no luar.

E as pegadas ficavam marcadas na areia da praia,
Assim como as lembranças ficam em nossa mente.
Minuciosamente, as ondas apagam-nas uma a uma...

Deixando no passado o que há pouco era presente,
Tão incerto como o movimento das ondas do mar,
Onde nunca repousa o sentimento que não irá acabar...

"Única razão que move as águas do mar, num movimento incessante, incrível dança."


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domingo, 24 de outubro de 2010

Soneto da meia noite

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É como se fosse a primeira vez que escrevesse um poema.
É como se fosse a primeira gota a cair de uma tempestade,
É como se fosse o último a sair de uma sala de cinema,
É como se fosse a última flor a desabrochar na eternidade.

As palavras desaparecem e o peito ofegante fica sem ar.
Meu olhar tenta desviar, mas no final sempre retorna
À mesma figura que o tempo nunca poderá apagar,
Ao cálice puro; fonte de forças que nunca se esgota nem entorna.

Provar deste, é como mergulhar num mar sem fim,
Sem poder voltar a superfície, podendo apenas afogar-se
Cada vez mais, aproximando-se da tua pele de marfim.

Bebendo de teus lábios o mais puro mel a fabricar-se...
Enrolando-me em teus cabelos, em teus braços, em todo seu ser...
Nem mesmo o tempo, o infinito, o universo, fará meu amor perecer.



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domingo, 17 de outubro de 2010

Domador de feras


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O
homem sente medo, disso não há dúvida.
Medo daquilo que não vê, que não precisa ter.
Enquanto deveria temer o próprio homem ser,
Dia em que ele souber o que temer, mudará sua vida.

O medo não pode ser extinto, deve-se contra, lutar
Fazê-lo com que não o afete mais, enfrentá-lo.
A cada vez que fugimos, ele só tende a aumentar,
Ziguezagueando entre nossas mentes sem calá-lo.

O medo, incrivelmente, é essencial para o ensinamento.
Horrível é aquele que deixa que o medo entre na’lma,
Onde poucos podem ver e ajudar, onde mais a dor

Minuciosamente atua, domando a fera, triste sofrimento...
Entre tantos meios, o medo é o mais eficaz que traz calma,
Mesmo que demore, ele passará, e Dele, mostrará o amor.



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Olhos vendados

Imagine-se imerso completamente na escuridão.
Nela não verá ninguém, e também não poderá ver.
Se você resolve exclusivamente acender um lampião,
Vespas virão para apagá-lo, disso não pode se esquecer.

Em nosso livro, somos nós quem escrevemos os capítulos.
Como qualquer um, não há só os capítulos de felicidade,
Há também os de tristeza, de sofrimento. Tais versículos
Não podemos nos esquecer, e precisamos viver de verdade.

Porque assim aprendemos a não cometer os mesmos novamente,
Voando certo, sem ter que pelo mesmo motivo, de novo errar.
Quando acendemos uma luz em nossas vidas, simultaneamente,

Haverá alguém querendo apagá-la. Nunca canse de lutar,
‘Porque no livro da vida, não podemos mudar as páginas já escritas,
Mas podemos escrever nas que ainda estão em branco.’


Há quem não procure acender uma luz. Tendo em vista que quanto mais tempo passarmos na escuridão, mas cego nos tornaremos quando a luz voltar, escolha.



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terça-feira, 12 de outubro de 2010

De repente, não mais que de repente

Há momentos em que não consigo entender.
A solidão toma conta de mim como um arrepio,
A partir daí, já não sei mais o que fazer.
Sinto então, um inexplicável repentino frio.

É como se torturasse a alma, fazê-la implorar
Por um pouco de compaixão, constante luta
Contra o amor, maldito que fere sem avisar
Os inocentes, negando-os desejos, filho da puta.

O silêncio então assume, e elas descem pelo rosto.
O coração acelera, o corpo esfria, e tudo fica do avesso.
De repente, as coisas vão perdendo a cor, o gosto.

E meu coração vai se congelando, e eu desço
Até o inferno para tentar nosso amor salvar,
Mas perco-me diante de tanta dor, sem encontrar.


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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Soneto da ilusão




Acordei durante a madrugada e fui até a janela,
Sentei e lá fiquei observando o céu todo estrelado.
Noite gélida, uma longa lufada trouxe ela,
Para a superfície, diante dos meus olhos alienados...

Sem saber o que fazer, continuei olhando o céu,
Diante da ilusão em minha frente, a qual dizia
Que as estrelas eram pequenas bolas de papel,
E tudo aquilo, outrora se tornaria poesia.

O tempo foi passando, e as estrelas desapareciam
Do céu negro, e a voz dela, ficava cada vez mais fraca.
E era como se no meu peito, entrasse uma faca,

Cortando todas as alegrias que em meu jardim jaziam.
Assustado, -sozinho- acordei-me e situei onde estava.
Na cama, triste por não ter aquilo o qual se sonhava



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sábado, 9 de outubro de 2010

Algum dia




Preso entre quatro paredes, sem ter pra onde fugir.
A coita em minha mente não me permite esquecer,
Que em tua face há o brilho quando a vejo sorrir;
Que no teu peito, está o que preciso para viver.

Perto demais ao ponto de poder sentir o gosto
Que o vento me traz, e senti-lo levá-lo de mim.
Longe o bastante para tocar teu sublime rosto,
Conheço o abismo que é não tê-la em meu jardim.

Espaços vagos formam cárceres em meu peito,
Que acorrentam o sofrimento de não poder amá-la.
Espaços que alimentam os demônios imperfeitos

Que nos rodeiam, afastando-nos um do outro...
E os pesadelos que agora surgem, nada serão
Perto do amor que pode sentir um puro coração.

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domingo, 3 de outubro de 2010

Além do pensamento




Há dias em que não conseguimos saber o que sentimos,
Andamos, sentimos o vento soprar no peito, afagando.
E lembramos dos momentos juntos em que não rimos,
Dos momentos juntos em que não passamos juntos...

É como se estivéssemos na iminência da agonia do pranto,
Voando alto sem saber onde estamos, ou onde vamos chegar.
Como se meu peito fosse jaula para a tristeza num canto,
E solidão do outro, cárcere vazio de sentimentos, sem amar.

Madrugadas a dentro passamos, derramando lágrimas puras,
Discutindo por que ela ainda não chegou, será que está perdida?
Mas no fim da madrugada, vejo que tudo passou, e nossa cura

Está a caminho, pra salvar-nos do inferno de gelo que é a vida
Sem ter alguém para se amar, para poder rir e sorrir e chorar,
Para o amor quebrar a corrente de dor e mostrar a luz do teu olhar.



'Todos sabemos que o inferno não é o mesmo para todos, o inferno é de cada um, conforme ele constrói em seu pensamento. O paraíso não é diferente. Meu inferno é viver num mundo sem você. Meu paraíso é viver você, sua respiração, cada batida do coração, um sorriso no teu rosto, seria tecer asas de libertação da alma para que me fizesse voar até os anjos...
Tudo depende do pensamento, nossa vida, nossos atos, é tudo pensamento. Como dizia minha amiga, Pensamento gera sentimento que gera acontecimento. Mas eu sinto, o amor, é muito mais do que mero ato de pensamento.'

domingo, 26 de setembro de 2010

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E novamente, esqueci-me de dormir pelo mesmo motivo. No céu, vejo estrelas, grande maioria morta que ainda brilha. É tão grande a distância que o que vemos não é mais o que se é.

Estão mortas .



- E o amor, morreu também?




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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Subimerso

De uma hora pra outra é como se meu peito ficasse vazio,
Como se me invadisse a tristeza e tomasse conta de mim.
Derramando lágrimas inocentes formando um longo rio
De perguntas e sofrimentos que não consigo ver seu fim.

Há poucos segundos pensei que não conseguiria escrever,
Afinal, não sei os motivos pelos quais estou aqui agora...
Não sei o motivo pelo qual ainda respiro. Foi-se embora
Minha força, não sei mais pelo que lutar... Como trazer

De volta a minha alma ao meu corpo febril desamparado?
Mostre-me Oh Deus, mostrai-me vossos caminhos de luz
Que me guiarão para outro lugar, onde seja reanimado

Para vida, para que a veja não como minha cruz,
Mas como fonte de esperança que irá completar
O vazio, trazendo de volta o brilho a este lugar.



Imerso

Sinceramente já não sei mais o que escrever
Nessas linhas que gostariam de me calar
Ao menos por um tempo, sem ter de escutar
As idiotices que eu penso, que eu tento esquecer.

Quanto mais tento fugir, mais o motivo pelo qual,
Surge em minha mente, relembrando-me do desejo...
E quanto mais tento fugir, a dor mais se torna real,
E só aumenta a vontade fugir para ter teu beijo...

Quanto mais relembro, mais a carne não funciona.
Quanto mais penso, mais as coisas não fazem sentido.
E quanto mais mais, menos. Assisto na poltrona

Uma noite se tornar dia, um copo se esvaziar, um homem iludido.
Quando a última estrela sumir do céu, para longe irei correr,
Fugir, deixar para trás tudo aquilo que o tempo não me fez esquecer.




domingo, 19 de setembro de 2010

A mentira mais bela: Amor

Não sei por onde começar, mas já não me controlo.
Não entendo mais o que sinto, se é bom ou ruim,
Se é ilusão ou verdade. Quanto mais tento mais embolo
As linhas que me levam à realidade de um poço sem fim.

Procuro fragmentos que possam me libertar
Da solidão, das lágrimas, dos pesadelos incontáveis;
Buscando nelas, o que nunca sei se irei encontrar.
Por que então continuar estes versos imensuráveis

Nesta noite que certamente será eternamente
Longa, repletas de gritos em meu peito, de arranhões
No piso do quarto, choro sufocado no travesseiro

Encharcado? Não sei mais se tudo isso é fruto da mente,
Ou se é da visão que tenho de mim e minhas aberrações
Que sem dúvidas a leva de mim, matando-me por inteiro...

Busco nelas o que sei que não irei encontrar,
Por simples desencargo de não ter tentado...
E a cada boca, só consigo os olhos fechar,
E sentir-me vazio, traído e enganado...

O que sinto não tem definição, não tem conceito
Que diga o que é, não tem cura, não tem explicação.
Falho erroneamente tentando achar um único defeito
Em teu sorriso, na tua pele, em teu todo de tentação.

É tarde demais para negar o que ela se tornou pra mim.
É tarde demais para buscar um caminho cuja volta
Não existe mais, e que não quero encontrar sem um ‘sim’

Para esse sentimento não correspondido pela revolta
Que o destino me trouxe. Não adianta mais fugir da dor,
Não adianta mais esquivar dos fatos que comprovam o amor.


-Namur ...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Atrás da máscara está um amor

Mostre quem tu verdadeiramente és, vá para a luz.
Tire a máscara e deixe-me olhar nos teus olhos
Para que eu veja quem realmente segue a cruz
Divina, dos amantes da fé, o amor dos sofredores.

Já estou farto de esperar, aqui, ouvindo o mesmo som
Há horas, a mesma música, só para tentar imaginar
Como seria o teu rosto, a cor dos teus olhos, como seria bom
Se eu pudesse saber como é a mulher quem vou amar...

Abra os caminhos para mim, Oh Deus, chega de escuridão.
Nas sombras certamente não estarás, fui procurá-la
E perdi-me... Agora encontrar o caminho para a luz é a missão...

Mas teu amor me guiou e me trouxe para cá, para amá-la...
Mesmo na luz, as pessoas continuam com máscaras, sem saber
Que seus amores estão procurando pelos rostos detrás delas.

-Namur...

Corridinha

Dormia. Até o som do despertador ecoar no ambiente.
Levantei-me depressa, arrumando-me para correr,
Manhã cinza parecia que o céu estava meio doente
Com toda essa gente que pode ser feliz, mas prefere sofrer.

E então corro, corro das sombras, liberto-me, e corro
Deixando para trás as mágoas, as dores de um garoto.
Só então, depois de tanto correr, chego ao topo do morro
E vejo todo o horizonte, tendo em minhas mãos, o broto

De rosa vermelha, que lhe daria se estivesse comigo...
Pergunto-me como sobrevivera alimentando-se só de gotas
De lágrimas escorridas, por um caminho árduo que sigo...

Desço-o correndo, deixando para trás tudo e as garotas,
Até não agüentar mais, estando sem fôlego pra continuar,
E chegar ao destino que o destino prometeu; amar.


-Namur...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Colha o dia

Aqui estou agora, vendo a noite se tornar dia...
Ela fora agitada, quente, cheia de sofrimentos,
Que graças à lenta e melancólica melodia
Do meu violão, consigo passar por esses momentos.

Sentimento ora útil para nos trazer muita dor,
Mas a cada dia, o sinto mais flamejante e forte
Aqui dentro, no meu peito. Posso não ver o amor,
Mas eu sinto diariamente, graças ao corte...

Corte dado ao laço único de amor verdadeiro
Que tinha junto a ela... Mesmo que por um instante,
Rápido, foi mútuo o que senti, não teve nevoeiro

Para confundir o que sentia, AMOR: gritou o peito arfante!
E por viver um momento de verdade junto a ela é a prova pura
De que não importa o final, mas sim a doce doença sem cura,

Chamada Amor.



-Namur...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Fumaças de um amor


Só me diga como, que farei exatamente da maneira que disser.
Como não enlouquecer com teus olhos claros como um rio?
Como não perder o controle quando sinto teu perfume de mulher,
Único, como teu sorriso, que quando vejo, sinto-me por um só fio

Entre a vida e a morte, entre ter-te sempre ou nunca...
Só de ver o desenho que seu lábio superior faz com o inferior,
Causa-me um arrepio desde o pé, até a minha nua nuca,
Uma vontade de unir nossos corpos, e provar do teu calor.

Diga-me o que fazer para não morrer afogado nesse sentimento,
Mas seja rápida, antes que eu comece a observar o seu cabelo...
Seja-o loiro, castanho, liso ou cacheado, todo e qualquer movimento

Que o faça, hipnotiza-me e me faz pedir minuciosamente apelo,
Pelo fato de querer tocá-lo, sentir seu volume, a leveza e maciez
Que é sentir-te perto de mim, saber que todo amor tem sua vez.



-Namur...

O fim está no começo


Já nem sei mais quantas foram as noites sem dormir,
Deitado na cama, ora andando pela casa, ora sentado
No sofá abraçado com o meu violão observando cair
As gotas que escorrem dele, fazendo um som pesado.

Ou então encostado na janela, vendo a lua iluminar
À noite, dedilhando as cordas e ouvindo um som
Estranho, típico de quem violão não sabe tocar,
Mas um som com timbres melancólicos, um tanto bom

O suficiente para lembrar que você não está aqui...
Fazendo-me mudar de idéia, largando o violão,
Indo até o armário buscar a bebida que daqui

Há poucas horas, me fará esquecer, caído no chão,
Que nalguma hora pensei em estar junto a ela,
Observando a lua, e o som do violão na janela.


-Namur...

domingo, 5 de setembro de 2010

Mais uma vez palavras


Depois de conviver tanto tempo num mesmo lugar,
Passamos a ouvir coisas que não nos agradam tanto...
Mas até que ponto deixar que elas nos prenda num canto
E torture-nos, dando luz ao ódio, difícil de controlar?

A princípio não nos importamos, mas de tanto ser dito,
Aquilo entra na gente, ferindo a moral, sem saber,
Afogando-nos num mar de dúvidas sem deixar esquecer
De tudo aquilo que fora falado, sentimento maldito.

Como ouvir com todas as vozes, o que é certo a se fazer?
Como libertar nossa mente de um desejo inesperado?
Como dizer não se de tudo não conseguimos esquecer?

Estranho seria se não estivesse mais uma vez magoado.
O que dizem não é nada, até darmos ouvidos. A pior
Palavra não pode ser escutada nem dita, mas sentida.

-Namur...

domingo, 29 de agosto de 2010

Luz nas sombras


Há dias que não sabemos o que pode acontecer...
E queremos só encontrar um lugar escondido,
Escuro o suficiente para que possamos esquecer
Todas as pessoas, e deixar de manter inibido

O que desce escorrendo pelos olhos cansados,
Numa rapidez estúpida, sem pensar em parar,
Sem querer pensar nos motivos tão que pesados
O suficiente para te deixar encolhido e abraçar

A própria sombra na escuridão que te cerca.
Como imaginar que surgirá uma luz neste lugar,
Capaz de nos salvar? Assim então se fez o fim.

As sombras se abriram para a luz passar...
E de tão cansados estarem meus olhos,
Chorei, mas desta vez, por ver-te diante de mim.



- Namur...

sábado, 21 de agosto de 2010

Perdido no universo do amor

Quanto mais eu procuro esse amor,
Mais intensamente me perco...
E quanto mais eu me perco, descubro
Que não encontrei por estar perdido.

Quanto menos busco esse sentimento,
Mais imerso nele sei que estou.
Então o tempo passa; o vento venta;
A uva passa; amor pimenta.

Perder-me por esse amor é uma arte
Da descoberta dos mistérios do universo;
É assistir à uma chuva de estrelas cadentes

Desejando não ter mais que ter de desejar...
É pegar carona num cometa na esperança
De que para seu planeta, ele possa me levar.


-Namur...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sofrimento invisível

Como pode algo que não vemos nos machucar?
Tão pura como uma gota de chuva em janeiro,
Que desejaria que chovesse só para me banhar.
Sonhar sem agir é como se prender em cativeiro,

É alimentar a fera que nos consome diariamente,
Sem poder fazer com que desapareça a agonia.
Tão serena como uma casa na montanha rente
A mata virgem, que então a calma se cria.

Como fazer extinguir-se esse sentimento,
Que cada vez mais, só faz aumentar
O que tentamos evitar a todo e qualquer momento?

É difícil não pensar em pensar em sonhar.
Ainda que despertemos dele e vejamos que não é,
Podemos, ao menos, desfrutar enquanto dure.


-Namur...

sábado, 31 de julho de 2010

Soneto cotidiano

Há dias em que acordamos mais cedo
Só para ver o dia lentamente clarear...
E dias que acordamos tarde com medo,
Revoltados por termos de acordar...

Nesta realidade em que tudo nunca muda,
Em que tudo parece nunca estar a caminho.
Quem nos dera se a saudade fosse miúda
E que fosse menos doloroso estar sozinho.

O que faremos se o vento parar de soprar?
O que faríamos se não houvesse amor?
Certamente não seria algo bom de escutar...

Há dias que acordamos cedo e com dor,
Nesta realidade incompleta que não vê
Como seria melhor se eu tivesse você.

-Namur...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Passam-se os tempos, eterniza-se o amor

Passam-se dias, horas, meses, anos.
Quando esquecemos é quando lembramos
Que apesar de todos os nossos desenganos,
Talvez não nos ame quem amamos.

Passam-se longos curtos segundos na hora
À qual temos tudo e ao mesmo tempo nada.
O que fazer quando não surgir a aurora
Nas noites longas e sós da gélida madrugada?

Passam-se os tempos, mudam-se as realidades.
Claramente turva se fez as águas da cachoeira
Em que prometem não mais sentir saudades

Dum amor outrora aquecido para uma vida inteira.
Passam-se as mulheres, grandes aventuras.
Eternizam-se as dores, poço de amarguras...


-Namur...

sábado, 24 de julho de 2010

Chuva que não molha, felicidade só


Era apenas um garoto que vivia sempre olhando o nada,
Sempre pensando no que seria, sem saber o que vai dar.
Cabeça dura, decepcionando todos que o amava...
Fazendo todos, ao menos uma vez na vida chorar.

Escolheu a solidão para não fazer ninguém sofrer,
Mas viu que só a vida era sem graça, sem razão...
Nisso sofria ele mesmo, e para a dor esquecer,
Decidiu aprender a tocar um velho e preto violão.

Nomeou-o Michael, mas troucou para Carrie Lilith Raja.
Sua música foi uma terapia, um entorpecente encorajador.
Mas para ele, Lilith mostrou que tudo pode melhorar...

Agora sua vida tinha música, mas ainda não tinha cor.
E atualmente nada mudou, ele ainda está a superar
O problema que nunca sequer passou...

"Carrie: mulher feminina.
Lilith: dama da noite.
Raja: esperança."

-Namur...

"Chuva que não molha, não existe.
Chuva que não molha, felicidade só
Não existe felicidade só."

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Estranho seria se não fosse




I


Não é que eu nunca sinta sono de madrugada,
Não é que eu esteja sempre muito pensativo,
Não é que eu sempre não queira nunca nada,
Não é que para tudo eu tenha um motivo...

Ainda costumo beber água sem vontade alguma,
Ainda costumo me afogar em bebida quando só,
Ainda costumo não me interessar por mulher nenhuma,
Ainda costumo o mesmo, não preciso que sintam dó...

Não parece, mas tudo tende tediosamente a se repetir,
Não parece, mas há pessoas que ainda acreditam...
Não parece, mas tudo pode melhorar se ela sorrir...

Não é que eu não queira ver um novo caminho...
Ainda costumo pensar que um dia será verdade,
Não parece, mas se não for com você, sozinho.

II

Não é que eu nunca sinta sono de madrugada,
Mas é que pensar tanto nela é deixar se contagiar
Com um sentimento que não trocaria por nada,
Muito menos por horas de sono, pra variar...

Ainda costumo não me interessar por mulher nenhuma,
Por que nenhuma tem o calor que ela tem, nenhum sorriso
Consegue abraçar minha alma como a mais pura bruma...
Nenhuma delas consegue me elevar até o pobre paraíso.

Não parece, mas há pessoas que ainda acreditam...
Ainda acreditam que o amor existe e irá aparecer
Na hora certa, quando as duas almas se sintam

Prontas... Não é loucura não querer outro caminho,
É loucura deixar um sentimento desses desaparecer.
Por que fugir se nela encontrei o meu doce ninho?



-Namur...

terça-feira, 20 de julho de 2010

O Jovem e o V e n t o

Lembro quando era criança, e que acreditava que o vento
Era capaz de trazer palavras, pessoas, e levá-las também...
Lembro que eu pedi para que levasse algo para um alguém,
Três palavras e sete letras, encharcadas de puro sentimento.

Mas na verdade nunca tive a certeza de que foi entregue,
Afinal, para que se era somente uma inocente criança?
Nunca diga nunca, mas tão cedo saberei, mas a vida segue,
Queiramos ou não. Como criança, guardo ainda a esperança

De que aquele algo tenha sido enviado sem ter se perdido
Pelos caminhos percorridos pelo vento, e a cada dia
Mais se aproxima daquele que tanto tinha pedido.

Lembro que conversávamos, mas ele não prometia nada.
Não o via, mas sabia que estava comigo, pois o sentia...
Diferente não era com ela, que sem saber era amada.

-Namur...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Balde d'água fria



Impressionante como tudo pode mudar durante
Um belo banho quente com sabonete de erva-doce.
Como nossa alma é lavada e as dores desse instante
Esquecidas, como se tudo o que é agora não fosse.

Comumente incomum consegue ser tão sedosa
A tua pele de porcelana, com teus cabelos molhados
Por cima, formando uma pintura maravilhosa.
Por que lutar contra só por que são cacheados?

Não me interessa se não são lisos, o vapor quente
Do chuveiro não me permite ver o desenho feito
Nas tuas costas formado pela espuma estranhamente

Perfumada como tua pele. Como pode algo tão perfeito
Estar diante de mim, com suas curvas úmidas belas
Se eu não estiver ,mais uma vez, em delírio, sonhando?


-Namur...

Impreterivelmente única

Não há razão pra deixar preso o que pede liberdade,
Então se dane se o que vou dizer é ridículo e tosco.
Não suporto ver toda a sua gigantesca felicidade,
Hoje decidi que farei parte dela, cansei do fosco.

Use-me, faça o que quiser, mas deixe que o amor
Minuciosamente se mostre capaz de te mostrar
A grandeza que há nesse sentimento cheio de cor,
Longe, bem longe de tudo que a faria um dia chorar.

E não me peça sequer nenhuma vez para esquecê-la.
Minto quando digo que o faria. Fá-la-ei prisioneira
Dos meus braços, sem nunca soltá-la, mas aquecê-la

Eternamente com esse amor pra vida inteira...
Longe de tudo que a faria um dia mulher triste,
Agora mostrarei que comigo tristeza não existe.



-Namur...

domingo, 18 de julho de 2010

Prisão sem grades

Preso entre quatro paredes, sem ter pra onde ir...
Com apenas uma janela para que possa respirar,
É uma prisão onde a luz do sol não pode se sentir.
Prisão única, onde novos detentos não se podem abrigar.

Só há uma chave que possa quebrar essas correntes,
Só há uma chave que possa abrir esta imunda cela.
Aqui não há mais espaço para almas subitamente doentes.
O único sonho que tenho é poder alcançar a janela...

Por que sonhamos mais alto do que podemos alcançar?
Talvez porque o culpado disso seja o inocente vento...
Por não poder vê-lo, porque se não vir não pode se amar.

Amamos o que vemos, por isso odeio essa fria.
A pior prisão não é feita de pedras tijolo e cimento...
A pior prisão é aquela que a nossa mente cria.

-Namur...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Desenho nas águas




Estranhamente belo é o desenho que se forma
Quando o vento suave toca a leve água pura...
Quase sutil, mas seus traços contornam
O assobio que ele faz, doença sem cura...

Contorno diferente daquele que é quando chove.
São como lágrimas que caem e não são aceitas,
Descem e sobem. Melancólico movimento que comove,
Pelo fato de tuas gotas serem tão puramente perfeitas.

Não depende de nós querer escolher o melhor caminho,
Mas depende que o vento a traga para mim logo...
Assim, fará dos meus braços, teu querido quente ninho.

Se o amor não passar de um jogo, por você eu jogo.
O vento desenha teu suave rosto nas puras águas,
E quanto eu tento possuí-lo, ele se vai pelas mãos.


-Namur...

domingo, 11 de julho de 2010

Gotas




E é sentado no meu jardim de frente pra piscina,
Que eu assisto as gotas de chuva cair sobre mim,
Sobre a casa, sobre a grama, e sobre a mata sem fim.
Acompanhado de um bom agasalho me fascina

Como pode ser tão belo o céu escuro no verde da mata
Que cerca tudo ao meu redor, com cheiro de terra...
E no bolso do casaco, tenho um papel em branco na lata,
Para escrever um poema se o amor não estivesse em guerra.

Nesse caso, não passa de uma folha em branco, no casaco...
Acaricio a relva nova de grama, molhada, cheia de cor,
Invejoso, de ela estar crescendo, e eu estar aqui, fraco...

Até que então, encontro meu copo, e espero o amor.
Não sei de onde vem ou pra onde vai, mas o dia
Se vai, e o copo se esvazia, a grama morre e ...

... o amor não aparece.


-Namur...

Arrumação

É só tentar arrumar a casa e encontramos
Lembranças das pessoas que já amamos...
E para se tornar lembrança é por que bem
Não terminou, e tudo chega como um trem,

Passando por cima de tudo, e a casa
Que tentava arrumar se desarruma
Como minha mente toda em brasa...
Junto tudo, e procuro o isqueiro a uma.

Lá se vão às cartas uma vez escritas,
Lá se vão às mentiras ditas, malditas...
Lembranças tornam-se cinzas brilhantes.

Agora, repousam todas com os seus amantes...
Para que viver das lembranças, se tantas novas
Hão de vir? Deixe que repousem nas chamas.


-Namur...

sábado, 26 de junho de 2010

Pescador sem anzol

Sei, mas não canso de dizer que você é o meu sol,
Que é a luz que me ilumina e guia minha vida.
Sou repetitivo, mas é como pescar sem anzol...
Eu nunca vou conseguir parar de dizer querida,

Que é você a única que consegue me fazer sorrir
Nos momentos em que normalmente estaria em surto.
É só contigo que eu consigo tudo isso, sentir...
Amor. Bomba sem tamanho, de pavio curto.

Engraçado como o amor é sempre vivo e não morre.
Que outra explicação teria para incessantemente amar-te,
Se não a tenho? Explique o porquê que o sangue escorre

Sem que a tenha? Posso todos os dias levemente encontrar-te.
Você é o sol; que me ilumina, que me aquece, que me faz.
Sou a lua, o seu reflexo noturno. Não tenho motivo de existir sem você.

-Namur...

Estrela Cadente

Tão sereno quanto o afago de quem se ama,
Suave como seda, leve como uma pluma...
Amor este que de tão quente o peito inflama,
Tão puro quanto uma nascente bruma.

Sua pele perfumada e seu lindo longo cabelo
Formavam um par perfeito, hipnotizante.
Por um momento pensei que Ele atendeu o meu apelo,
Noutro vi que nada atendera, arfante.

Tudo fora nada mais como um breve espirro,
Um susto que tomei no qual custa a passar...
Sei que quanto mais eu respiro

Mais não acredito que não está presente...
Todos as noites olho para o céu e peço pra voltar,
Mas sei, ela foi só mais uma estrela cadente.




-Namur...

domingo, 20 de junho de 2010

Elefante voador



Mais um dia e está tudo fora do seu lugar...
O vento da noite chega fazendo carinho,
E revelando tudo que não queria pensar
Aqui nesta sala escura, sentado sozinho

Enquanto busco organizar a minha vida,
Parece que ela só faz confundir mais de fato.
A luz fraca do cômodo, não deixa colorida
A foto que teríamos juntos no porta-retrato.

É como se tudo fosse importante, sem sentido.
Momentos em que sinto estar ofegante,
Por não estar perto do peito dela com o ouvido.

Mas é como se eu desse asas à um elefante...
Ou como se eu desejasse que minhas queridas
Lágrimas curassem todas as latentes feridas...


-Namur...

sábado, 19 de junho de 2010

Pra quê mais?

O sol nasce, brilha como ouro e se põe,
Depois a lua suavemente clareia o céu.
Já que de minhas idéias todos se opõem
Só me interessa o escrito neste papel...

As nuvens cinzas cobrem o azul,
Derramando suas puras lágrimas no chão.
Tanto me importa se acabou a consideração,
Mas a mudança me fez ir morar mais ao sul...

O eclipse, o encontro, quando acontece
No momento é, após tudo se esquece.
Como se não andasse sobre duas pernas,

Como se nunca tivesse vindo ao mundo,
Como se vivesse numa fúnebre caverna.
Como se tudo nada. Esquecimento profundo.

- X

domingo, 13 de junho de 2010

Palavras para uma Flor


Se eu pudesse contar as estrelas no céu,
Multiplicaria pelo infinito ao quadrado
E depois, somaria com a quantidade de
Gotas que fazem o grandioso oceano,

Juntaria com cada molécula de gás carbônico,
Multiplicaria novamente pela totalidade
De grãos de areia que fazem todas as praias
Desse globo, depois somaria com a quantidade

De seres que já passaram por esse mundo,
E a partir daí, somente a partir daí, posso
Mostrar ao mundo, ou melhor, a minha

Flor, que é tudo isso e mais um pouco
O que representa uma pequena parte,
Do todo que sinto, chamado de amor.

-Namur...

sábado, 12 de junho de 2010

Saber faz não saber

Não sei se te quero longe ou se te quero perto.
Eu sei é que te quero, de alguma maneira...
Quero-te de uma forma inusitada, meio incerto
De descobrir, como passar água na peneira.

Quero-te agora, não ontem e nem amanhã...
Aqui comigo, na cama, no carro, na garagem,
Em qualquer lugar que não haja consciência sã.
Quero-te, mas não sei se querer-te é bobagem.

É algo perigoso, pode custar caro a algum de nós.
Eu te quero logo, preciso de alguém do meu lado
Antes que acabe o antigo tratado de Badajós...

Não sei se te quero toda ou só metade por hora...
Sei que parece loucura, mas não dá pra deixar trancado
O que há muito tempo, já deveria ter ido embora.

-Namur...

Nunca é tarde para amar



O frio é congelante e impiedoso este que invade
A madrugada que chega, juntamente com a tua
Pessoa que acaba de adentrar com minha propriedade
Sobre pernas brancas, e uma pele como a lua.

Chegastes tarde, mas não tanto para que deixasse
De possuir-te, de sentir teu calor corpóreo...
Chegastes tarde, mas não para que não a amasse
Mais... Meu amor é como um esboço arbóreo

Que a cada ramo, mais estão a surgir e completar
O espaço que falta até preencher tudo o que há,
O que há por fora, o que por há dentro de nós...

É algo que se nutre sozinho, basta deixar amar
Que o que tiver de ser, há de ser mais do que será.
És tu minha amada, de todo meu amor é a foz.


-Namur...

O que os jovens pensam

Quando jovens, pensamos que encontraremos nosso amor,
Mas as aventuras da adolescência só nos fazem perder de vista.
As cicatrizes do siso nos mostram que é preciso saber o que é a dor
Para saber que o amor não é como nos quadrinhos das revistas...

Quando jovem, confesso que caí nas armadilhas sem saber.
Confesso que não queria escutar os mais velhos, chatice...
E confesso que quando cresci, somente, pude compreender
Que é fundamental tropeçar, e passar por toda babaquice.

Quando jovem, minha doente pessoa amava uma mulher feita,
Evidente amor de adolescente, amor impossível, perigoso...
Mas o amor era puro, intenso, sequioso, ela era perfeita...

E sempre que a via, sabia que era impossível, isso fazia mais gostoso.
Até que certo dia, já homem feito, acordei em minha quente cama,
E ao meu lado, não estava ela, mas eu a amava tanto quanto quem ama.


sexta-feira, 11 de junho de 2010

June 12

Pois é. É amanha mais um dia dos namorados...
Dia de frio, porém iluminado, com vários pombos
De mãos dadas, com tanto frio que estão abraçados,
Um a um formando um... Em minha mente quilombos...

Escravos da idéia de que sabem aquilo o que sentem...
A única coisa que falta nesse dia é que o céu reproduza
Uma música romântica, sem saber que ambos mentem
Reciprocamente, sendo que como se vissem uma medusa,

Pois se o céu soubesse, tocaria uma música triste...
E para os que não estão namorando, um dia chato,
Pois todos fazem trocadilhos, inventando o que não existe.

Mas realmente, por mais que não seja real de fato,
Nos mostra de uma forma ou de outra, sem carinho
Que estamos todos nós, sem ninguém ao lado, sozinhos.


-Namur...

Agenda telefônica

Há dias em que procuro em meu bolso puído o celular,
Inutilmente vasculhando nomes na agenda telefônica.
Mas não encontro nomes para quem eu possa telefonar...
Nem mais aquela linda moça se lembra de mim, doce Mônica.

Os dias passam e os créditos vão perdendo sua validade...
A paciência se vai, mas não a vontade de dar um telefonema.
Busco novamente então na agenda, mas não há sequer novidade.
Concluo então que talvez meu telefone tenha tido algum problema...

Comprei outro, e vi que o antigo nada tinha de errado.
E a ficha aos poucos foi se revelando arduamente...
A verdade é que; nunca a tive, sequer um dia, junto ao meu lado...

Quando tento realizar a ligação, dá usuário inexistente...
A solução que achei foi a mais radical: "Celular voador"
Voou pela janela como pedra, morto, sem vida, com minha dor.


-Namur...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Astros não possuem corações Pt. II

Ela é tão brilhante como o sol enorme
Que ilumina metade da nossa terra,
Enquanto eu ilumino a outra metade.
Uma guerra que não é uniforme...

Ela é tão radiante, tão poderosa,
Que ninguém ousa olhar diretamente.
Eu não ilumino como ela, grandiosa...
Mas ilumino parte da noite, suavemente.

Tenho minhas formas diversas de aparecer,
Tudo depende. Já ela, sempre radiante...
Combinação perfeita, a noite, o dia...

Amor impossível, certo de não acontecer...
Quando sou lua cheia e estou no céu adiante
Ela não me percebe. Seu brilho me apaga.


-Namur...

Amor de papel

Tão linda como uma noite de lua,
A meus olhos nunca será feia.
Arrasa corações por andar nua
Numa noite mágica de lua cheia.

Tão linda como o nascer do sol no horizonte,
A meu corpo deixará aquecido constante.
De todo os desejos dos homes, tu és a fonte
Que afogo-me tornando-me o teu amante...

Tão linda como a mais flor de jasmim
Que inveja os pobres anjos com meros cabelos cor de mel.
Tão linda, tão mais que um simplório serafim...

Mas esse amor incessante, esse amor de papel
Não esperava que o nosso improvável fim
Acabasse com tu derramando lágrimas do céu.

-Namur...

Passado futuro presente

Hoje acordei com o céu cinza e chuvoso;
Dia melancólico, deixa-me não mais que triste.
Por relembrar que amor aqui não existe.
[Lembrança amarga de um passado doloroso...]

Já me disseram que não vale a pena viver o passado,
Mas o presente o torna-se a cada único instante...
O que fazer diante do abismo quando tudo está trocado?
Sucumbir... O futuro é incerto, o presente confuso, o passado errante.

O passado cada vez menos condena meu futuro.
O passado cada vez mais me condena,
Deixando-me a felicidade a cada instante no escuro

Onde as sombras a torturam sem pena.
Para onde fugir? Porque? Em algum momento
O que seria o que é será o que foi. Grandioso vento.

-Namur...

Palavras Internas

Quando garoto tocava gaita no galho de goiabeira,
Gaivotas passavam, grande som que eu guardo
Guardado no silêncio da grama e da garganta.
Como num gado, só eu não sou galante.

Fui garoto que tentava usar as palavras
Não ditas, mas escritas num pedaço de papel,
Tornando-as não mais do que fiéis escravas
Da fala escrita, segredo escondido do céu.

Quando para perto alguma se aproximava
Começava o espetáculo: suor, síncope, tolice...
Sentia-me um idiota, que desistia do que tentava.

Ridicularizado por risos, perdendo a cor da vida
Que alguma traria e duraria mais do que a babaquice...
Mas nenhuma alguma nada trouxe, gago suicida.

-Namur...

sábado, 8 de maio de 2010

Breve sentimento leve como neve

Estava eu numa das minhas viagens pelo globo,
Sentado na praça da grande maçã, assistindo a neve
Cair tão suavemente que me fez sentir um bobo;
Com um monte de neve na mão, porém leve

Como não estar com nenhum problema na consciência.
Impressionado com a sua brancura, com a sua textura
De seda, desejo incontrolável de sentir sua aparência...
De admirar como caia do céu, de uma forma tão pura.

Descuidadamente, em minhas mãos a neve derretia
E eu assistia, melancolicamente, a neve sumir
Ali, diante de mim... Pelas minhas mãos a água escorria

Gélida, cristalina como lágrimas de dor a surgir...
Ela foi sem dúvida a mulher mais linda daquela praça.
Ela foi. Sem dúvida, deixando apenas o ar de sua graça.


-Namur...

sexta-feira, 30 de abril de 2010

De todas uma

Por mais que seja muita a distância,
Nem mesmo a imensidão do universo
É capaz de inibir o brilho de uma estrela...
A distância faz do Amor perverso,

Mas inda assim sinto o seu brilho
Que ilumina o meu dia, Oh Deus,
Como pode um ser perfeito ser teu filho?
Como poder não apaixonar-me pelos olhos seus?

Mesmo que junto a mim não esteja perto
Eu posso sentir, com toda a certeza
Que o que sinto, oh céus, não é incerto.

Como lhe dizer com mais clareza
Se são com poucas palavras que lhe proclamo:
De todas as estrelas, é você a que amo...


-Namur...

sábado, 24 de abril de 2010

De branco ao cinza

Ultimamente tenho estado sem o pé no chão,
Talvez seja por que a vida sem você não valha
A pena, ou que talvez seja apenas o meu coração,
Drogado pela sua ausência, essa essência falha

Que é o que sinto... Sensação de que nada
Sei hoje... Mas garanto que quando vejo
Seu lindo rosto sei de que é você a esperada
Que tanto deslumbro em meus desejos...

Não tê-la é o mesmo que se sentir uma folha
Em branco, sendo queimada a cada dia
Um pedaço, sem sequer poder ter uma escolha

Sem ser eternizá-la em uma simples poesia
Para que possa ter certeza sempre, de que
Eu nunca amei ninguém, senão você.

-Namur...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Poema mofado


Provar do seu amor é como estar sedento
E tentar saciar a sede bebendo gotas de chuva.
Dizer não a esse amor é tentar cessar o fogo com o vento
Que só aumenta esse sentimento... Mesmo sendo turva

A cor dos seus olhos, ela ilumina inda assim minha estrada
Porque sentir sua pele, uma relva boa é como adormecer
Sem desejar acordar deste sonho em que está abraçada
Comigo, como se nada nunca pudesse me fazer esquecer

De que as estrelas que surgem no céu, representam não mais
Do que cada dia que eu a farei a mulher mais feliz...
Como me esquecer que sem ela eu não encontraria a paz?

Como naquele dia em que olhamos na praça aquele chafariz,
E a água parou de jorrar e eu disse que não tinha problema
Porque mais belo é o meu amor, que guardo neste poema.




-Namur...

E lá se foram as estações

Como são belos e dourados os campos de outono...
Como é bonito o vento movendo toda a vegetação.
Como é melancólico o suave frio do seu abandono,
E como é fraco o som das batidas do meu coração.

Como foi belo o nosso amor de verão nas águas do mar...
Como foi descobrir que você é o infinito que eu posso tocar.
Como foi inesquecível olhar para você e ver o horizonte,
E como foi saber que além de você nada resta de importante...

Como será, sem você, enfrentar o gélido inverno?
Como será a partir de agora viver sem vitalidade?
Como será viver, oh meu Deus, esse meu inferno?

Talvez o outono me prepare para essa nova realidade.
Talvez o verão fosse mais duradouro, talvez...
Talvez o inverno seja longo, talvez eu parta de vez...


-Namur...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Triste despertar

Todos os dias quando acordo, na dúvida
De que será hoje que eu irei encontrá-la;
O dia passa e é mais um sem você na minha vida...
Mais um que somará nos tantos desperdiçados sem amá-la...

Penso em te escrever uma carta; mas sequer sei teu endereço,
Sequer sei o teu nome... Penso em pensar em coisa alguma
Mas penso na pergunta de como será o rosto que desconheço,
Se realmente um dia poderei tê-lo em meu peito em suma.

Como é ruim meu Deus, acordar todas as manhãs
E ver que o meu lado só há um grande vazio sem tu...
Quem me dera acordar com a cor de tuas maçãs

E tuas mãos de seda sobre o meu peito antes nu.
Quem me dera todos os dias não acordar
Na dúvida de que o meu amor irei encontrar...

-Namur...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Noite embaçada

Vejo a lua de hoje embaçada como névoa
No céu não se vêem mais as constelações...
A falta de amor veio como tempestade malévola
Tornando o fácil difícil, confundindo corações.

Não tê-la é ter uma noite sombria sem lua.
É sentir-se não mais do que vazio e incompleto,
Já que não posso tocar sua delicada pele nua
Com uma relva e temperatura boas, por completo...

O vento sopra na lembrança e levanta poeira.
Fazendo-me refletir não mais do que a tarde inteira
Sobre como foi, como é e como talvez fosse...

A verdade é que sinto falta do que ela não me trouxe...
Breve suspiro do amor seu que se foi sem chegar,
Como um piscar de olhos se foi sem que eu pudesse amar.

-Namur...

Flautista

Numa caminhada pelos campos do interior da cidade
Ouvi algo como uma flauta e fui seguindo seu som,
Adentrando na mata, com o céu negro cor de tempestade...
Não distante, encontrei uma bela jovem com um tom

De roupas claras, sujas com o limo das árvores no chão.
Seus cabelos eram castanhos claros, como uma avelã
Recém madura, e seus olhos eram as luzes da manhã
Que aqueceram quase que instantaneamente meu coração...

O som suavemente me encantava, fazendo-me assistir
Ao glorioso espetáculo de uma jovem compositora,
Uma jovem conquistadora que me fez sentir

Um animalzinho, um esquilo desejando sua roedora...
Quando terminara a melodia, ela não se conteve:
Nossos lábios se encontraram. “Por onde você esteve?”

- Namur...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Palavras para meu amor


Sinto meu corpo quente, pronto para recebê-la
Em meus braços, preparado para não soltá-la
Quando a noite acabar, e desejar novamente tê-la
Comigo, por não mais do que uma vida para amá-la.

Há problemas que me tiram do sério diariamente,
Embora eu saiba que tem que ter muita calma
Nos momentos delicados, somente teu rosto sorridente
É capaz de trazer tranqüilidade à minha pobre alma...

É o teu amor que cura as feridas nascentes da vida.
É ele, somente ele que importa desde a primeira vez
Que eu a conheci... Linda face que para mim se fez,

Como um anjo que veio para andar entre margaridas.
Tua voz de veludo é tão serena como som de guiso
Que logo me faz desejar poder tocar o seu sublime sorriso...

- Namur...

domingo, 28 de março de 2010

Além do infinito do mar

Noite agitada, com vários corpos coloridos se movendo
Para lá e para cá, olhos ansiosos, um tanto que esperançosos,
Que brilham na noite escura enquanto as gotas estão correndo
Pelo chão, úmido como o de uma tempestade de laços amorosos.

Olhares se cruzam, mas não se chocam. Fogo que não arde...
Corpos que se unem como óleo e água. Saturado de nada.
Embora o coração uma hora pare, nunca será tarde,
Ele voltará a bater, outrora como nunca, pela sua amada.

Como as batidas da noite agitada, nutrindo seu rubor
Levando sangue para seu rosto doce como o de um anjo,
Verdadeira diva que roga por nós, falsos marmanjos...

A música da noite acaba, e o sol está a se pôr
Diante do horizonte além do infinito do mar,
Onde se encontra o seu, o meu, o nosso amor.


- Omar ...

domingo, 21 de março de 2010

Entre versos

A noite faz frio, e a agonia encontra o lugar certo.
Sobriamente sinto-a roer cada pedaço de mim,
Efeito perturbador de não tê-la aqui por perto...
Desnorteado, deito sobre a grama úmida do jardim

E a noite me castiga com as gotas de chuva cortantes.
Deprimindo-me, fazendo com que volte para dentro,
Ostentando a dor nas costas, respirando o ar sufocante,
Sento-me sobre a cama e deito-me sobre o seu centro.

Entre tanto espaço sinto-me alguém tão pequeno,
Um alguém que passa despercebido pela multidão,
Alguém que quando a vê, revela um sorriso ameno...

Cor do texto
Menino um dia foi, sentimento que ainda é.... Paixão.
O que diariamente se eternizará após o sol se por...
Retrato nato do que é poder saber o que é amor.


-Namur...

sexta-feira, 5 de março de 2010

' Caso recuse-se, tudo bem. Abro meus braços e me jogo ao mar '

Trazendo um brilho que espantou a noite vil
Aquele amor veio a mim sem medo
Surgiu de súbito, como um em mil
Mas em tanta perfeição, havia um segredo

De olhos fechados, entreguei minha vida
Confiando que o retorno não seria desigual
Mas com um golpe certeiro, foi aberta a ferida
E minha fidelidade foi traída de forma brutal
(Vanessa)

Já não sei o que pôr nessas linhas vazias...
O amor como sempre me passa a perna,
Deixando-me em prantos com uma dor interna.
Retire de mim desde já as suas mãos frias...

Afaste-se para bem longe de mim, queime no inferno.
Mas me leve contigo, pois eu não pertenço a outro lugar
Que não seja junto a quem me mostrou o que é eterno.
Caso recuse-se, tudo bem. Abro meus braços e me jogo ao mar.
(Namur)

Tangerina

Seu cabelo era longo, liso como de menina.
Sentada estava no meu campo cantarolando,
Estava com a faca na mão, chupando tangerina.
Estava com a faca, lentamente a descascando.

Assim eram todos os dias, deixando apenas o bagaço.
Tua mucosa era resistente e não rendia à acidez.
Numa volta, eu encontrei perdido um pequeno pedaço.
E toda vez que eu passeava, eu encontrava outra vez.

Certo dia, fui seguindo o cheiro ácido que sentia.
Vi com meus olhos que a respeito de tudo, mentia.
Cada tangerina era um pedaço de mim...

E os bagaços eram jogados fora, para o lixo.
Seus olhos eram sequiosos para o meu fim.
Meu campo foi abandonado, e na tangerina deu bicho.

-Namur...

Pele rubra

Para que aceitar a nostalgia atroz?
Para que esperar numa gruta?
Para que usar da força bruta,
Se o amor virá, porém não veloz?

Tropecei-me com algumas tantas mulheres...
E só o que senti foi um profundo amargo ressabio.
O que certamente não sentiria se fosse o teu lábio
Que estivesse junto ao meu, Oh se soubestes o que queres...

Tua cadência lenta faz minha paciência diminuir...
Mas tua essência, só faz meu desejo aumentar,
Secretamente fazendo minha esperança surgir.

O calor dos teus olhos está a todo instante, a me hipnotizar.
Tua voz de veludo, teus lábios de mel, a me matar de amor...
Tua pele num tom rubro, sussurrando para eu ir, por favor...

-Namur...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Deserto congelante

Não sei como aconteceu, mas parecia estar tão perto.
O clima mudara de repente, e o sol se recolhera.
A noite passou e eu acordei num tremendo deserto.
Não havia sol, não havia nada, um vazio me acolhera.

Foi tão breve e suave como um bater de borboleta,
Depois, foi como tremendo furacão destruidor...
Que varria meu peito deixando vazia a gaveta.
Era um deserto onde não se pode combater a dor.

Era uma prisão onde o silêncio é sufocante.
Onde o vento não sopra, onde não há vida.
E eu, tentava entender o porquê, a cada instante.

Sem meu amor não há porque a vida ser colorida.
Sem meu amor não há porque sair do inverno,
Onde permanece preservado o meu amor eterno.


-Namur...

Apenas um mergulho

Pensei que não seria demais entrar e ver como era.
Comecei a bater meus braços e já estava nadando
Nadei pensando encontrar a beleza da primavera
Mas só encontrei o frio do inverno pra baixo me puxando.

Pensei que não cansaria tão facilmente
Mas não sentia as pernas nem os braços
Não sentia o ar entrando realmente,
E quando vi, na água surgiram seus traços.

Quando percebi não respirava.
Procurei, mas não achava.
Estava ficando sem ar.

Não achava nosso amor.
Estava a me afogar.
Morto de dor.

-Namur...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Espaços vazios

Há tantas coisas que os olhos não podem ver
Certas coisas não vemos, mas com o coração
Lamentável quando não conseguimos saber
Se é que vemos, ou se é mera ilusão...

Hoje a boca dela não tem mais tanto sabor.
Até o perfume perdeu o seu suave aroma...
Sinto-me traído a mim mesmo quando carona
Pego atendendo aos pedidos do rancor...

Nenhuma boca é doce como a tua
Nenhum perfume me enlouquece
Como o teu num dia de lua.

Quando estou contigo, o chão estremece
O céu se abre e o mundo ganha cor,
Serei contigo para onde quer que for.


II

Há tantas coisas que os olhos não podem ver
Mas o que importa é o que vemos com o coração
Mas o coração não vê nada, como poder saber
Apenas sentindo, sem saber o que é então?

Pego carona nos meus desejos de negar-te,
Negar que não nego que é impossível...
Impossível fazer de conta que é invisível
Já que eu vejo em toda e qualquer parte.

Nenhum lábio consegue ter tanto sabor,
Quanto o teu. Teus olhos são faróis
Que me guiam o caminho para o mundo

No qual eu possa sentir diariamente o teu calor
No qual só haja um de tantos outros sóis...
Que seja em tu, que eu me perca num sonho sem fundo.

-Namur...

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A cada passo uma lembrança

Hoje me peguei debruçado sobre minha janela
E lembranças surgiram de ontem na estrada.
Inevitavelmente surgem vestígios dela...
Mas tudo é levado para longe pela lufada

E o amanhã chega e o ontem não passa
De mera lembrança vaga que será esquecida
Com o tempo que chega e como papel as amassa.
E o amanhã chega deixando para trás a querida

Lembrança do ontem, abrindo um novo espaço
Para a lembrança que virá do hoje, antigo amanhã.
O passo para frente será o passo de trás por que

Ninguém dá, em toda vida, somente um passo.
Nossas vidas não passam de lembranças que
Serão esquecidas e apagadas e enfim, renovadas.



Imagine-se fazendo uma caminhada. Para você chegar a um lugar é preciso dar um passo à frente. Mas um só passo não é o bastante, não obstante quão crucial ele seja, apenas um passo não basta. É preciso uma série de passos... E parando para pensar, damos um passo e logo em seguida damos outro, e depois outro e outro... Deixando o primeiro passo para trás, deixado cair no esquecimento, sendo só mais um passo de tantos outros que damos, e que daremos. Assim seja para todos os passos, sempre daremos mais um, deixando o último que já foi o próximo, para trás. Embora nos arrependamos de tê-lo dado ou não, ele ficara para trás. O vento soprará e apagará os passos dados. A vida é como uma caminhada. Ela é um conjunto de passos dados, ou nesse caso, um conjunto de lembranças vividas. Por mais belas que sejam, elas passam. Outras novas assumirão o seu lugar. Não podemos voltar e revivê-las, mas podemos mantê-las vivas em nossas mentes. Ou simplesmente, deixar que o vento haja.”

- Namur...

Ósculo da morte

Eu pensava saber o que queria
E quando conquistei, não era
Como pensava que realmente seria.
Apenas libertei a aprisionada fera...

Lágrimas assumiram o lugar do sorriso
E sangue assumiu o do esperado amor.
Fez-se o inferno meu suposto paraíso
Agora nada sinto além de dor.

Tiraria a animação desta carcaça,
Já que para nada ela é útil.
Acabaria com esse teatro sem graça

Onde o ator principal é um inútil...
Um dia pensei que sabia
Noutro, na certeza de que morreria.

-Namur...

Soneto distante

De ti não queria estar distante.
Mas a realidade é essa, e é assim que tem que ser.
Sinto em meu peito um vazio gritante
Uma vontade de correr para te ter.

Quando nos esbarramos na rua
Meu peito entra num tipo de erupção
Uma vontade de ver-te nua como a lua.
Algo no qual admiro e tenho como obsessão.

De ti não queria estar distante.
Do que me vale os olhos fechar
E ver-te, abri-los e ver a dor latejante?

Quando nos esbarramos na rua
Meus olhos puderam te encontrar
E mostrar-me que minha essência era a tua.


-Namur...Itálico

Militar



Ser militar não é pra qualquer pessoa
Não basta apenas ser boa.
Militar não precisa ter sorte
Mas aguentar a dor, ser forte.

É preciso que haja força de vontade
E impreterivelmente, intensa dedicação.
Acabamos com nossas maiores dificuldades
Para defendermos a nossa amada nação.

Enfrentamos grandes barreiras
Vamos onde ninguém ousa ir...
Damos o máximo a vida inteira

Sem nunca pensar em desistir.
Diferente dos demais, o militar ordena e faz
Empenhando-se e garantindo a paz.

-Namur...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Palavras em cada verso

É mentira que não é verdade que a verdade não aparece.
Tu és a única dentre as mulheres que eu realmente amo.
A única e mais importante de todas as minhas preces.
Única razão para viver com a felicidade que proclamo.

Mulher na qual me perco em um sorriso tão belo
Que eu consigo acreditar que és uma obra divina.
Me deixando perplexo como se o sol não fosse amarelo.
Faz uma falta quando não tenho a ti que me ilumina...

Sentir teu perfume é mergulhar num mar de rosas
Vivo, perdendo-me alegremente por poder me afogar.
Sentir teu corpo junto ao meu e a sensação maravilhosa de

Amor de verdade que em mim há de transbordar...
De tanto esperar para poder talvez nunca te ter, é
Verdade que nem pela eternidade eu irei te esquecer.

-Namur...

Como saber como?

Como tu queres que eu entenda?
Tu apareces e de repente some...
Como lhe dar com a dor tremenda...?
Não dissestes nem o teu nome...

Como se meus olhos fechassem
E de repente, só de repente
Teu lindo rosto eu enxergasse
Como o brilho do sol poente...

Como se do céu a chuva caísse,
Eu caio do céu ao doce inferno.
E assim sinto como se me destruísse,

Em pedaços eu me reconstruo com o amor eterno.
E em teus braços morrem os momentos tristes.
Como se o céu se abrisse enquanto tu sorriste.

-Namur...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A marca do amor

Não conseguimos segurá-las quando sentimos dor.
É como se algo gritasse liberdade dentro do peito.
Há vezes nas quais elas descem com tanto rigor...
Mas como tudo na natureza, não tem como ser perfeito.

Lembro-me que quando meu amor encontrou o céu,
Elas escorriam e dentro de mim crescia o pavor...
Como se escorresse sangue e sujasse o seu fúnebre véu...
Ele inunda o seu lugar de repouso como meu amor...

E para debaixo da terra seu corpo há de apodrecer...
Mas sinto como se sua alma estivesse ao meu lado.
Sinto que minha carne, vermes estão a comer...

Como é a dor de ver na tua lápide, lá enterrado,
O coração que bateu por dois corpos numa só vez...
O amor que me deste quando a vi não se desfez.


-Namur...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Louco rouco pela cidade

Já me disseram que eu sou um tanto poético,
Já me disseram que sou um tanto patético.
Mas não te disseram que por ti sou louco.
Não te disseram que de gritar teu nome estou rouco.

Madrugadas passo tendo pesadelos, sem teu amor...
Grito teu nome como um coração louco e apaixonado.
Na tua boca está escondido todo o meu adorado sabor.
Sem você sou um cão sem dono, completamente abandonado.

Já ouvi dizerem que sou um louco solto pela cidade.
Já ouvi dizerem que você nunca sequer olhou para mim.
Mas nunca ouvi de tua boca a sincera e incerta verdade.

Mas no fundo não importa o que já ouvi dizerem sobre o fim.
O que importa é que não importa o que eles dizem ou não.
Para mim, basta saber que quando me vê bate forte teu coração.


-Namur...

Leve-me junto a ti jabuti

Leve-me com você agora, não importa o lugar.
Não agüento mais respirar o ar que não é o teu.
Leve-me em teus braços e dê-me um beijo teu.
Não há lugar com a ti que eu não queira estar.

Não há boca senão a tua que eu queira sentir.
Não há mulher senão a ti que eu queira amar.
Não há pele senão a tua que eu queira tocar.
Não há amor senão o teu que eu queira insistir.

Leve-me agora antes que eu me perca em dor.
Leve-me agora, quero mais tempo com meu amor...
Leve-me, antes que eu me afogue em lágrimas escorridas.

Leve-me para teu paraíso maravilhoso com rosas floridas.
Leve-me para fora daqui, deste inferno em que não a vejo.
Leve-me com você, para aonde for é tudo o que desejo...


-Namur...

Perfume de anjo

Eu era só um pobre menino apaixonado...
O amor veio à tona e meus olhos cegou.
Não vejo mais nada que está ao meu lado...
E até agora, continuo sem ver, nada mudou...

Sinto um perfume doce de rosas ao redor...
Seria uma linda mulher por algum lugar?
Talvez não vê-la seja até para mim melhor.
Quem sabe assim evito meu coração de sangrar?

Pego o caminho de volta para minha casa.
E esse perfume doce me acompanha para onde for.
Como se a essa mulher Deus lhe desse asas.

Quando viro de costas eu sinto o seu rubor...
E descobri que você é um anjo para me amar.
E neste dia, novamente eu pude enxergar.


- Namur...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O que os olhos não vêem

Minto quando digo que a algo não estou preso.
Inda que para cada um há algo novo, talvez diferente...
Na tua ausência, já me tornei um tremendo obeso.
Há dias que me pergunto se por ti sou doente...

Ainda que não esteja aqui, comigo abraçada,
Gravo em minha memória as lembranças não vividas, e
Revivo-as em meus pensamentos trazidos pela lufada...
A cada dia eu vou descobrindo que tu deixas as rosas floridas.

Vinha observando o céu à noite, e veio a resposta divina.
Incontestavelmente eu descobri que tu és o que me prende.
Da noite escura, tu és aquilo o que da escuridão me ilumina.

Às vezes erramos, mas quase sempre a gente aprende.
Desde hoje eu sei que tu és a minha doce gravidade.
E mesmo sem poder ver-te, sei que és de verdade.



-Namur...

Soneto da diva

Teu corpo é a mais bela obra de arte!
Teus olhos são como grandes esmeraldas!
Com minha diva iria para qualquer parte...
Tomaria sorvete com todas as caldas...

Teus lábios são um desenho bem feito...
Teus cabelos são graciosos como os de Afrodite...
Sem a ti é como se abrisse uma fenda em meu peito...
Sem a ti é como se me tirassem a vida, acredite...

Teu peito junto ao meu é o que sempre desejo.
Tuas bochechas rosadas me matam de amor...
De ti, eu sempre espero um longo e doce beijo.

Quando estamos juntos, irradiamos calor.
Quanto mais a vejo mais a quero mulher.
Com você meu amor, farei tudo o que quiser.

-Namur...

Qual é o preço?

O preço de sonhar é acordar e se deparar com a verdade.
Preço que não estou disposto a pagar para me matar.
Sonhar é tão divino, sonhamos com um mundo sem gravidade,
Um mundo onde pode ser mais fácil de amar...

Quando a bolha estoura é um choque e tanto.
Sonhos doces podem se tornar pesadelos sangrentos.
E não adiantará entrar e se afogar em pranto.
Apenas abra os olhos deixe o trabalho para os ventos...

Eles levarão tudo embora, e sararão as feridas...
Sonhar é bom até se descobrir que está sonhando.
Ter pesadelos é bom, pois buscamos sair rapidamente.

Qual preço você está disposto a pagar pela sua vida?
Seja qual for você sempre continuará pagando...
Eu pagaria qualquer preço se você estivesse presente...


-Namur...

Jardim abandonado

No meu jardim ontem eu cortei a grama...
Para hoje contigo estender uma toalha e sentar.
Para olhar em teus olhos e ouvir que me ama...
No meu jardim hoje eu não vejo você chegar...

Deito-me sozinho no chão à espera sem fim...
As estrelas chegam, mas você ainda não...
O sol nasce e seus raios queimam em mim...
Acordando-me deparo com o vazio chão...

E recolho dele a toalha suja com grama cortada.
O vento toca meu rosto e sinto você perto...
Procuro por todos os lados, mas não encontro nada...

Desde então os dias passam, e nunca mais acerto...
O vento desapareceu e a levou para longe sem pena.
Sem você por perto sou apenas uma criança pequena...


-Namur...