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sábado, 9 de janeiro de 2010

Braços e pedaços

Um dia me apaixonei por uma linda mulher.
Era como andar sobre o oceano sem afundar.
Mas, meu coração, fez em dois com uma colher...
Fiquei com ele sem saber como, os pedaços, colar...

Certo dia andava na movimentada rua da cidade,
E encontrei o seu olhar dentre os milhares ao redor...
Certo dia, meu coração, fez-se em quatro sem piedade.
E assim foi se partindo e partindo sem saber o pior...

Quando me encontrava sem esperança, sem vida,
Você apareceu e eu pensava saber o que iria acontecer...
Até sentir que você a todo dia curava minhas feridas.

E eu aguardava você a todo novo lindo amanhecer.
Para meus pedaços em seus braços você poder curar.
Para poder pela primeira vez, de verdade amar.



- Namur...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Estrela guia

Olho para o céu e a vejo brilhando para mim...
Olho todos os dias para a minha estrela guia.
Sinto à noite sempre o perfume de jasmim,
E em meu peito começa a tocar a sinfonia...

Meu coração acelera, desejando-te aqui.
Mas por palavras no papel não é nada,
Perto do que eu realmente senti...
E você se afasta com suas pernas aladas...

O sol nasce, e a arranca de meu peito.
Ele é tão reluzente que meus olhos, cega.
Mas os dias, eu humildemente aceito,

Pois a minha estrela à noite se apega,
Espero a noite lentamente descer,
Para novamente poder te ver...


-Namur...

Sentado na varanda

Passo noites sentado na varanda olhando o céu.
Sinto a falta que o amor faz aqui no meu peito...
E sonho acordado com ela usando um doce véu...
E um mosquito me acorda do sonho perfeito...

O que é uma vida inteira longe do meu amor,
Se quando o encontrar será pela eternidade?
Mas dói ser um homem das estrelas, sonhador.
Dói na varada estar com amor sem reciprocidade.

Dói fechar os olhos e a encontrar entre rosas...
Porque quando os abro vejo a realidade horrorosa...
Não está aqui comigo, sentada na varanda...

E este meu amor deficiente, que não anda...
Anda machucando meu peito, fazendo-o sangrar...
Por que é difícil ser fácil poder amar?


-Namur...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Lágrimas assassinas

Pensava ser resistente como o ferro...
Como ele ou era quente ou frio...
E da minha desgraça apenas rio...
Engraçado é a maneira como me enterro...

O resistente ferro começa a se corroer...
Por ser frio demais, lágrimas caíram
Da tua face angelical e começaram a me comer.
Lágrimas assassinas me traíram...

Corroeram-me até me tornar só pó.
Era tão frio que elas congelaram.
Cessaram antes que tivesse dó...

E agora acabou, elas pararam.
Era um montinho de pó antes dele chegar.
O vento chegou e para todos os lados se dispôs a me espalhar.

-Namur...

E de repente, de repente

Estava frio e de repente ficou quente.
Estava ventando e de repente parou.
Estava firme e de repente desmoronou.
Estava saudável e de repente doente.

Estava sol e de repente chovia.
Estava verde e de repente apodrecido
Estava chorando e de repente ria.
Estava lembrado e de repente esquecido.

Estava longe e de repente perto.
Estava errado e de repente certo.
Estava dormindo e de repente acordou.

Estava deitado e de repente se levantou.
Estava reto e de repente torto.
Estava apaixonado e de repente morto.


-Namur...

A brincadeira e o garoto

Era um garoto cheio de esperança...
E no desvario seu, como mera criança
Brincava com o que pensava que conhecia,
Sem saber o que era aquilo com que mexia...

Brincava com algo brilhante e pontiagudo.
Belo dia alguém o chamou para brincar...
Levou seu brinquedo para lhe mostrar...
Ela o pegou, o virou, o enfiou até ficar mudo...

E sua pobre esperança se afogou em cruor.
Sua cabeça no chão estava e no chão ficou.
Seu coração no chão batia e no chão parou.

Engraçado como é fácil cair nas armadilhas do amor.
Pensamos que não deixaremos acontecer com a gente,
Até percebermos que já estamos completamente doentes.

-Namur...

Seja um perdedor ou sofra

Sofrer inquestionavelmente é bom demais.
Hoje, feridas jovens não sentirei jamais.
Basta não lutar, apenas aceitar a dor.
É mais fácil do que esquecer um amor...

É mais fácil do que em álcool se afogar,
É mais difícil do que tentar ser bom.
É mais difícil do que tentar não chorar...
É mais fácil do que ouvir um som...

Às pessoas correm tanto do sofrimento...
Odeiam tanto sofrer, mas sem o conhecer.
Sofra sempre, sofra com conhecimento...

Sofra muito, para poder um pouco saber.
Sofra. Sofra. Sofra sempre que não quiser.
Sofra. Sofra. Sofra sempre que você puder.

-Namur...

A ventania

Parecia tudo bom demais para ser verdade...
A poeira havia baixado após tanto tempo...
O vento aparece e a levanta sem piedade...
Trás de volta os problemas, grande vento...

Trouxe tudo o que passou como a dor que me consume.
Desorganizando tudo que eu trabalhosamente organizei.
Trazendo vida para o odor fúnebre do seu perfume,
Que eu mesmo me dei o trabalho e o matei...

Ele a joga em cima de mim, fazendo-me sangrar.
Cega meus olhos, deixando-me impotente...
Depois de jogar tudo que fiz fora, começa a cessar.

Minha boca agora não fala como antigamente.
E meus olhos cegos nunca mais poderão enxergar.
Quem foi que disse que o passado devemos ignorar?

-Namur...

Sou o que não era

Eu era tão ansioso para encontrar...
Quando o encontrei eu voltei diferente.
Gotas de sangue pelo meu peito desciam sem parar,
E vazio ele estava no meu doce presente.

Iludi-me com algo que não sabia o que era.
Sonhei tanto e um dia eu descobri a verdade.
Aquilo que pensamos ser pode ser uma fera,
Escondida por entre as paredes da nossa cidade...

Fiquei perdido com tamanha beleza da rosa.
Seu perfume era maravilhoso como o caminho
Do paraíso que atrai qualquer paixão calorosa...

Mas esqueci-me que na rosa havia espinhos...
Inocente por não saber as trapaças do amor,
Agora vivo com as cicatrizes e a minha dor...

-Namur...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Seria o amor um demônio?

Nossas pernas ele faz estremecer.
Nossos corações ele faz acelerar.
Nossas mentes ele faz doer.
Nossos olhos ele faz chorar.

A incerteza ele planta em meu jardim.
Na hora de colher vejo tudo apodrecido.
Tudo é tão maravilhoso até o fim.
E após, preferíamos não ter colhido...

Ele nos faz acreditar na ilusão.
Prova-nos que a mentira é verdade.
E em cruor afoga nossos corações.

Peito meu se abre com tal voracidade...
Que o demônio agora é o próprio amor.
Como pude adorar ao demônio? Que horror...

-Namur...

Palavras de um mórbido poeta

A perna o tempo sempre me passou.
Amanhã, depois, não agora, depois.
O tempo apaga da memória quem sou,
E meu coração ele parte em dois.

Não sei de fato se ele existe,
E já não consigo a paciência manter.
Vejo você, meu amor, sozinha e triste
Por não encontrar o amor que quer ver.

E seu verdadeiro amor está à espera.
Aqui estou esquecido por alguém...
Pudesses me ver? Quem me dera...

Estive ao seu lado esperando o meu réquiem.
Anjos do demônio vêm e recolhem minha alma.
Adeus eu dei a ti, e adeus darei a minha calma.

-Namur...