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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Palavras soluçantes

Eu sempre tive a mesma essência.
Eu sempre estive no mesmo lugar.
Eu sempre soube da sua ausência.
Eu sempre acreditei no verbo amar.

Eu nunca soube ser feliz sozinho.
Eu nunca quis estar no mesmo lugar.
Eu nunca gostei de não ter o seu carinho.
Eu nunca quis ver as pessoas me deixar.

Eu queria o calor dos seus olhos comigo.
Eu queria o aroma da sua pele na minha.
Eu queria ter a sua presença mais que um amigo.

Eu odeio ter que andar sobre uma fina linha.
Eu odeio não ter a certeza de que será verdadeiro.
Eu odeio ser mais um, todos os dias, o dia inteiro.

Jeito


Eles não entendem. Como pode algo dominar a mente,
Desde quando se abre os olhos e quando se fecham de vez?
Todo santo dia, toda santa noite. Das dores, O entorpecente.
Ou quem sabe dos vícios, o mais o perigoso. Viciado? Talvez.

Mesmo com os tantos dígitos de quilometragem que separam,
A cada dia, como se crescesse, dando vida, e tirando-a, sem fim.
Como deve ser a vida daqueles os quais nunca se apegaram
A alguém, aqueles os quais não sabem o que é ouvir um sim?

Eles não entendem. Eles nunca entenderão como ela é importante.
Com tantos quilômetros que nos separam, tantas inseguranças;
Cá entre nós, quem é que não teria receio de perder algo tão perfeito?

Ele não se escolhe, ele não se compra, ele acontece, e é marcante.
Ele traz vida ao que não tem, e a esses corações, traz esperanças.
Ele, o amor, quando verdadeiro, para existir, sempre dá um jeito.


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Era uma casa

Era uma casa como outra qualquer.
Tinha quartos, cozinha e até banheiro.
Os amigos entram a hora que quiser,
A família fica lá quase que o dia inteiro.

Era uma casa diferente das outras casas.
O fogão já estava um pouco velho, a panela
Um pouco enferrujada, a churrasqueira com brasas,
E tinha um pouco de poeira em cima da janela.

Era uma casa humilde, confortável.
Tinha um sofá que dava para conversar,
Uma tevê que passavam filmes agradáveis.

Era uma casa a qual não tinha do que reclamar.
Tudo isso, é sinal de que houve vida, movimento.
Mas há quem prefira uma casa limpa, nova, morta.

Passeio


Andando pela casa, sentei-me no velho sofá.
Numa mão, um copo. Noutra, um porta retrato.
Coçando a barba não feita, virando o copo pra lá,
Ouço um sussurro, com palavras de um passado abstrato.

Retiro a fotografia e vejo atrás dela uma data.
Assinada em baixo, com três palavras cortantes.
Nunca uma frase foi tão repugnante, tão inata...
Gotas caem sobre, e o copo esvazia-se, relutante.

E então da fotografia faz-se duas, quatro...
Como se fez o que não bate hoje, no passado.
Numa peça muito bem articulada, belo teatro.

No começo foi como furação descontrolado,
Mas com o tempo, fez-se vento frio, doloroso.
E é sentado num velho sofá que tudo termina.

domingo, 13 de novembro de 2011

Água de coco



E sentado num banco, de frente para praia, senti.
Com um par de olhos olhando para mim, sorri.
Sorrindo, perguntei-me a mim se era sincero, menti.
Ouvindo o marulho, não sendo forte o suficiente, iludi.

E sentado, o sol aquecia, o vazio se expandia, seu cabelo,
Com um par de olhos, aquecia meu coração, apertado.
Sorrindo, sorrir para disfarçar, o medo do pesadelo...
Ouvindo o marulho, sentindo a lufada, no meu peito gelado.

O sol então se põe, e é hora de voltar pra casa, pra realidade.
A saudade é como uma dívida com altos juros a ser paga...
Talvez nunca se pague. Ou quanto mais se paga, mais aumenta...

E é em casa que tudo se encaixa... É em casa que a liberdade
Reina sobre o que pensamos, desejamos... E a dúvida vaga:
“                                                                ” espaços vazios.

domingo, 6 de novembro de 2011

Homem invisível



Como algo tão simples, pode nos tornar vulneráveis?
Talvez seja somente por serem simples demais. Talvez...
Como se de repente todos os caminhos tornassem-se inviáveis,
Onde não há uma via expressa, consumindo partes por vez.

Algo que vem de dentro pra fora, queimando o peito...
Como é pesado o sofrimento daquele que passa despercebido...
Crucial como as pernas bambas de uma mesa sem jeito,
O qual só quando está sem pernas, percebem sua falta, por ter caído.

Quando passam por você e fingem a você não enxergar;
Tratam-no como qualquer um, não o sendo de verdade...
Sendo o mais esperado ouvir, para sentir, para agüentar.

Mas quando a casa cair, mas cair seriamente na realidade,
Eles sentirão a falta do que faz. Desde as coisas mais simples,
Às mais complexas. E então sentirão a falta do homem invisível.



São só palavras


Qual o poder que as palavras têm afinal?
Palavras podem ser ásperas, ser carinhosas,
Atenciosas, violentas e até mesmo como rosas.
Lindas, mas com espinhos, imersas no vendaval.

Palavras são só palavras. Será mesmo verdade?
Como é vazio o peito daquele que tudo faz,
E nenhuma palavra recebe, sempre no jamais,
Perdido no nunca e pra sempre, na maldade...

Economizar nunca fora uma péssima idéia.
Até começarem a economizar palavras ...
Egoísmo de uma parte, perdido na platéia.

O cansaço domina o corpo, e a dor também.
Os olhos então fecham-se, e elas chegam.
Silenciosas como pedras, ardentes como fogo.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Amor por amar ou amar por amor?


Você quem lê isto. Tenho uma pergunta para lhe fazer.
Alguma vez em todos esses anos, amaste alguém?
Se disser que não, é porque você é daquelas que querem ter,
Ou desejam apenas um amor, um de verdade e mais ninguém.

Agora se me disser que sim, as coisas já são um pouco diferente.
Ou você está amando alguém, ou pensa que está amando a pessoa...
Qual é o sentido de amar? Dizer um ‘eu te amo’? Pessoas mentem...
E são como mentiras como essas, que os inocentes caem na jaula da leoa.

Ou então, você é daquela que já teve vários amores, e não teve nenhum.
Aquele aventureiro que busca adrenalina, cheio de energia e disposição...
Pena dele que nem desconfia que sua aventura traga, em pedaços, o coração.
Se não é aventureiro, é o pesquisador. Buscando partes de todos em algum

Alguém, para conjurar um amor que não existe... Um amor de mentira.
Para aqueles que amam, eu tenho uma má e uma boa notícia nestes versos.
Quem ama, ama o jeito como a pessoa que a ama mente de modo perverso.
A mentira talvez seja a mãe do amor. Diga-me um amor que não haja mentiras...

Por mais sutis, tem algo em comum com as não sutis. Ambas têm a mesma origem.
Torno a perguntar-lhe outra coisa. Já se perguntou qual o sentido de amar?
Seria o calor intenso no corpo? O acelerar do coração? Ou a raiva do virgem?
O que é amar? Talvez seja enganar a si mesmo e a outra pessoa, para aproveitar.

Afinal de contas, quem é que acredita, nesse mundo, em amor verdadeiro?
Condenar o amor seria errado? Talvez. Conheces alguém que sabe o que é amor?
Converse com esse alguém. Eu sei as palavras que ele dirá pra você, como a dor
Penetra na pele daquele que ama de verdade, queimando tudo que há de inteiro...

Quem ama duvida. Quem ama sente raiva. Quem ama não mente. Quem ama...
Sente ciúmes. Quem ama só deseja uma pessoa, daria tudo para preservar o amor...
Quem ama destrói o que pode destruir seu amor. Quem ama não faz drama.
Aquele que ama, faz loucuras. Se não há caminhos, ele os cria com rigor...

Quem ama sente frio para dar calor pro seu amor. Quem ama irá sofrer.
A pessoa que ama percebe quando seu amor está fraco e precisa de alimento...
Quem ama, apesar de tudo, consegue ser feliz de verdade, sem esquecer
Que independente de tudo e todos, só importa o que está do lado de dentro

Do peito, da alma, dos pensamentos, da carne, que é o amor que se sente.
Quem ama vive a vida, não se ilude com ‘sonhos-pesadelos’ que terão um fim...
Se algum dia o amor tiver um fim, não será um fim absoluto, por mais que tente
Se matar o amor, se este for amor, não morrerá. O amor nunca morre no jardim,

Ele é imortal, mas tem fraquezas, precisa ser regado constantemente.
O amor nos tira sangue, nos rouba lágrimas, nos deixa sem rumo, sem lugar.
Cabe a quem ama dominar o que sente, e o segredo é dominar a mente.
Ninguém programa ou planeja ter um amor. Ele chega sem avisar...



Quem ama alguém, não arrisca o que se tem de maior valor.
Volto agora à pergunta que lhe fiz no começo deste poema.
“Alguma vez em todos estes anos, amaste alguém?”
Cuidado com o que deseja... Nem todos estão prontos para o amor.

Afinal, você é daqueles que ama por amar, ou que ama por amor?







Soneto da dor pior

Alguém por acaso sabe qual é a maior e a pior dor?
Posso te dar duas opções: a dor física e emocional.
E então? O que me diz? [...] Ambas possuem a mesma cor,
Ambas, se não tratadas, às vezes pode ser letal...

Mas afinal, qual delas consegue trazer o pior sofrimento?
Será a física, a qual algumas drogas podem dar um jeito?
Será a emocional, a qual nos encarcera de surpresa no tormento?
Qual delas... Qual delas é capaz de parar o que pulsa no peito?

Qual delas se assemelha a um poço onde nada habita senão a agonia?
Qual seria capaz de enlouquecer-te até fazer com que se afogue em pranto?
Qual consegue trazer a mais tenebrosa dor para dentro da alma fria?

Seria possível esconder-se de alguma delas, evitar que nos domine tanto?
Seria possível matar o que nos mata? Seria? Traria paz esperar pela lufada?
A cada pergunta surgem mais. A cada dúvida a esperança se perde na madrugada...

sábado, 22 de outubro de 2011

Porta retrato

Quem é que nunca sentiu saudades do passado?
E quem nunca parou pra pensar nele, sem perceber...
Diga-me alguém que nunca tenha se emocionado,
Ao sentar-se e ter em mente aquilo que queria reviver...

Numa tarde nublada, quando pegamos uma fotografia,
E nela vemos como já fomos, ou não, felizes nalgum dia...
Pedaço de papel, pedaço de vida, migalhas de lembrança.
Perdidos no tempo, numa árvore de memórias que balança,

Sentamos debaixo dela, encostamos-nos a seu tronco castanho.
E vira e volta, em nosso colo caem folhas de um passado distante,
Sopra o vento forte, gelado, nostálgico, e nos sentimos estranhos...

Como se fosse ontem, estávamos ali, e de repente num instante
Tudo passa como uma fita em nossas mentes, e chega ao presente.
Resta-nos fechar os olhos, secá-los e fazer com que haja boas lembranças.

sábado, 8 de outubro de 2011

Migalhas de Eu


Quem apagou a luz? Vejo o perfume do teu pescoço,
Sinto a cor da tua pele, branca e fria como a pura neve.
O sol se esconde. A lua se ausenta. O corte fino, grosso.
Os pulsos não pulsam; o mar encarnado se aproxima em breve.

E corvos pousam na janela do meu quarto, arrancam pedaços
De mim, enquanto o copo de álcool se esvazia da minha mão
E as pontas de cigarro se acumular no chão – Já acabaram os maços-
Se fosse condenar alguém por tudo isso, condenaria a depressão.

Maldita por chegar sem avisar, por agir sem que percebamos...
Comendo tudo por dentro, como vermes um corpo morto.
Sentindo cada parte sendo retirada, como se retira o amor que amamos,

Tornando tudo nada, realidade pútrida, distorcida, coração torto.
E quando nada mais restar, talvez o fim, o fim absoluto
Chegue sem agonia, sem gritos, sem importância.



domingo, 25 de setembro de 2011

Gaivotoar


Será que sentir saudades é sinal de fraqueza? E sentir ciúmes, algum sinal?
Em momentos como esse, poucas palavras são muito, e muitas nada são.
A saudade não tem definição, mas tem sintomas; dor, agonia, sofrimento especial,
Vazio no peito... Já os ciúmes; ódio, raiva, insegurança e aperto no coração...

E quando pensamos que não pode piorar, entra um agravante: A distância.
Longe de tudo, não sabemos o que acontece, e é nela que nasce a saudade...
É nela que cresce o ciúme, é na distância que descobrimos a nossa arrogância
De não querer ouvir nada, sendo ignorantes, ignorando a verdadeira realidade.

Enquanto que a falsa nos torna paranóicos, loucos, confusos e idiotas...
São sempre nas mesmas horas que brota essas vontades retardadas,
Nas quais tudo, digo tudo mesmo, que queríamos não podemos ter.

E são nessas horas mongolóides as quais nos tornamos crianças gaivotas,
Voando por entre mares e mares de possibilidades e na busca de desejadas
Maneiras de ter o que não podemos, com uma única certeza: a de nunca esquecer.

Despedida

Antigamente, ao fim de cada dia eu agradecia a Ele por tudo,
Pelos erros e vitórias; do maior ao mínimo acontecimento...
Mas uma nuvem negra apareceu, e nas auroras ficava mudo;
Pensava Nele, mas não conseguia liberar o meu agradecimento.

Talvez com ódio, dor, falta de esperança e agonia por nada ser perfeito;
E quanto mais odiava, mais sofria, mais e mais se tornava fundo o vazio,
Tornando forte a possibilidade de desistência, e de parar o que batia no peito.
Sempre que o vento soprava, sua lufada encontrava minha alma, no frio.

E era sem fé, sem caminho, sem esperança e cego; que Ele me abrigou novamente,
E me perdoou novamente. Depois que alguém passa tanto tempo no escuro
E busca a luz, nada ela consegue ver depois de alcançá-la. E assim foi, arduamente,

Conseguir ver as coisas como elas são, sem complicá-las, na felicidade que procuro.
As dificuldades, a depressão talvez, e a falta de fé com certeza hoje dou adeus,
Porque agora, de uma vez por todas, confio, aceito e acredito em Deus.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Soneto Sedento


Acordo e a primeira coisa a qual se passa pela mente é teus abraços,
Calor este diferente dos demais, o qual nenhum outro igual fornece;
O cabelo teu, os olhos teus, o corpo teu; não escaparão de meus braços
Resistentes como correntes que envolvem um tesouro que não se esquece.

Os dias vazios sempre foram. Agora sem teus ósculos mais os são.
A nostalgia ganha tamanho, sede esta nunca saciada. Sedento...
Desde que provei de teus lábios, toquei tua pele, e abandonei a solidão.
Esperança, palavra quase esquecida, um dia exposta ao vento;

Levou-a, e recentemente parece tê-la trago de volta, sono pesado...
O medo sempre foi presente, oscilando com a agonia, presa ao peito,
Unida aos sentimentos não sentidos, iludidos, perdidos no passado.

Relembrar é bom, mas viver o agora nunca pareceu tão... Sem jeito...
O rei finalmente encontrou sua coroa. Ela pode até não ser de ouro,
Sem mais dúvidas, melhor do que se fosse de ouro, só se fosse de louros...



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Fé ou a falta dela


Sentir-se mal nem sempre é voluntário,
Usurpam disso e implantam a agonia
Interna às nossas mentes, presas ao armário
Cujos cadeados trancam a felicidade e luz do dia.

Inda que sucumbir seja a última escolha,
Do que vale permanecer, por dentro, morto?
Instrumentos aos montes, mas nenhum para a bolha
O salvador furar, para não percorrer um caminho torto.

Dúvidas. Desde o início a causa. Sem sorrir nem chorar
O corpo ainda funciona, mas a alma é fraca e desistente.
Rezar não diminuirá o fardo, pedir ajuda não irá ajudar.

Perturbações, ausência de fé, adeus esperança. Só quem sente
A dor do vazio, o frio da alma, a corrente, o sangue da ferida;
Zela para que ninguém jamais os sinta nunca na vida.

.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Cicatrizes


Todo mundo possui  pelo menos uma cicatriz.
Podemos esquecer como e quando surgiram,
Mas elas permanecem imutáveis, na raiz
Em nosso corpo; nossos corações que amam

Beber do impossível. Cada uma tem história,
Algumas, a mesma.  Têm várias formas e tamanhos,
Lugares distintos, marcantes da ausência de vitória.
Há também, as cicatrizes ambulantes, de olhos castanhos

Os quais colecionam corações quando passeiam na rua.
Nem toda ferida, se bem curada, tornar-se-á uma.
Mas quando a aurora chega, e do mar vejo a lua

Sinto as minhas em chamas, abrindo-se novamente...
Elas são aquelas as quais os olhos são incapazes de ver.
Profundas, verdadeiro abismo interno, impossíveis de esquecer.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O Jardim e a chave

Se um dia, este rapaz amar a uma mulher,
Não faria promessas, não faria juramentos.
Daria sua palavra, sua vida e tudo o que tiver.
Mas por enquanto, não passam de pensamentos.

Se um dia, encontrar o que chamam de amor,
Se neste dia ele ainda estiver a respirar,
Será como num quadro branco, por cor;
E dos melhores sonhos, a felicidade, conjurar.

Protegeria de tudo, guardar-lhe-ia em seus braços,  
Conheceria a liberdade, sem hastes de uma cela
De prisão; aquecer-lhe-ia com o calor de seus abraços

Sempre que desejasse. Encontraria os lábios dela
Como a margem da praia encontra o mar aberto.
Mas como disse, não tenho a chave para meu Jardim secreto.



domingo, 24 de julho de 2011

Potem

“Cada um é dono de sua própria história.”
Há momentos nos quais a vida para e pede
Mudanças. Talvez um tempo, na memória
De quem sofre; lágrimas e dor não são algo que se mede...

Um tempo para esquecer tudo, e colocar
As coisas no seu devido lugar, ou não.
Para tentar resolver algo, poder pensar;
Ou para tentar esquecer uma paixão.

Seja qual forem os motivos, algo não muda.
Mesmo que os dias se prolonguem na melancolia,
No doce ócio, é inevitável que não se iluda

Com os cabelos teus, divina obra, luz que irradia
Vida para a pele tua, branca como neve;
Para o sorriso, olhos e lábios meus... 

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Dias noturnos


 Há dias em que o sol não aparecerá no céu,
A lua estará coberta pela neblina, sem luar,
E as estrelas estarão escondidas pelo véu
Da noite, sem luz, sem ter o que nos guiar.

Há dias nos quais parecerá tudo confuso,
E uma única lembrança boa, pode ser
A solução, uma coisa pequena, besta, sem uso...
Mas nem todos têm o que lembrar, mas o que esquecer.

Dias como esses, a esperança parece não existir,
Cresce a agonia, a gente diminui de tamanho,
Se questiona o porquê das coisas, com torpor.

E o desejo de encontrar aquilo que desejamos antes de dormir,
Ganha força, arrancando pedaços, alimentando o vazio estranho
O qual esperamos, de alguma forma, ser preenchido por amor.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Calor ou frio?


Para que esconder de todos, quem você realmente é?
Nem sempre ter personalidades diversas podem ajudar,
O importante é saber quem você é sem perder a fé.
Nem todos entendem o que se passa, e nem sempre mudar

É a melhor opção; mas então o que fazer? Simplesmente
Aceitar os fatos, como quem não tem escolha?
Não adianta fingir ser o que não é, porque o que se mente
Uma hora virá à tona, magoando todos da sua bolha.

Esqueça os ditados e as frases de clichê, são todas idiotas.
Quem não aprende com o passado não sabe viver
O presente, então nada de esquecer as antigas lorotas.

E sim, pode ser tarde demais para certas coisas acontecer.
Iludir-se é perda de tempo, é cômodo ao fácil, ao calor...
Quem sente frio sabe como é sofrer por amor.

Por que a felicidade de um está condicionada ao sofrimento de outro?

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Correntes invisíveis


Será que você sabe o que é estar acorrentado a alguém
Sem ter forças pra lutar contra o que sente vontade?
Como se estivesse à beira do abismo, e não visse nada além
De dúvida, na presente agonia que divide em duas metades

Aquilo que bate no peito, entre o tudo e o nada
Perto demais de desmoronar, perto demais de consolidar
O que tanto se deseja se pensa se preza, se mata?
Será que você sabe realmente o que é amar?

Como é olhar nos olhos teus, sentir agonia em não te ter,
Sentir o cheiro teu, afogar-me no mar de sonhos sonhados,
E lembrar-me de quão lindo é teu cabelo, com tua pele macia...

Como seria se fosse possível conjurar um amor sem perder
O sorriso verdadeiro; sentir o toque dos lábios teus nos meus;
Como seria não ter que se preocupar em esperar, todo dia.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Cortinas fechadas



Imagine-se na aurora, num cômodo de uma casa
Sentado numa poltrona, com um abajur pouco iluminador
Atravessando-a, sentindo cicatrizes em brasa
Usando como morfina, o álcool um tanto que animador

O qual não pára no copo, acompanhado da fumaça
Oriunda das pontas de cigarro que repousam no chão
Ainda acesas, conduzindo pensamentos de graça
Até o lugar onde o vazio dentro de cada um reina de imensidão

Lar da agonia, prisão de nossas mentes, cansadas de vagar
Sozinhas, a procura de alguma solução, algum fim
Algum basta que sele esse vazio, em cada um de nós
Mas nada parece surtir efeito, talvez pela dor de amar

Uma estranha, talvez por não se amar, um serafim
Corta as asas, abre mão da eternidade por entre os sóis
Do paraíso, como quem abdica da vida por amor
Para viver no frio das sombras, a espera

De um único momento o qual traga um pouco de calor
Traga um sorriso tão bonito como a primavera
Onde o silêncio termina, sem precisar de morfina
Marcando a vinda dela, do cômodo, abrindo a cortina.


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Do contra



Por que o tempo tem o poder de mudança?
O que acontece quando resistimos a tais?
Toda palavra convence, mas falta mais.
Tudo muda, exceto quem resiste. E a esperança?

Esconde-se no ato de lacrimejar antes de dormir,
Quando fechamos os olhos, e lembramos da fé,
Seja em algo inexistente, ou que lhe dê força, para em pé
Manter-se; breve momento, cuja dor não se pode prevenir.

Quando alguém nos obriga a mudar, por amor ou dor,
Nem sempre mudamos da maneira certa, devido a pressão.
São nessas horas que nossas vidas aos poucos perdem cor,

E lentamente, quase sem se perceber, descansa o coração.
Nem sempre todos os males que chegam são para nosso bem.
E sentados ficamos, aguardando, ficando das escolhas, sem.

Davi mes ramo


Discussões. Não importam o tamanho, as seqüelas
São sempre as mesmas, dor, torpor, raiva, ódio...
Lágrimas descem queimando o rosto. Sim, elas
Ferem a alma, mas não conseguem alcançar o pódio.

No dia seguinte tudo parece normal, até sentir
Algo diferente, pesado e sombrio, no ar.
E assim seguem-se os dias, sem descobrir
Quando tudo realmente irá passar.

Dias cinzas escurecem a alma,
E por entre nuvens, rasgam-se raios
De sol aquecendo do corpo a palma

Da mão. Como se fosse janeiro, já é maio.
O tempo não se mede, mas sente na vida...
A vida não se vale, verdadeiro suicida.

sábado, 25 de junho de 2011

No nefir



Dias ruins todos já tivemos, ou teremos. Mas dias negros, estes sim,
São poucos os que podem dizer algo a respeito. Há um lindo som
O qual ecoa por dentro as vozes das pessoas, um eco sem fim;
Onde se escutam as asas batendo, gritos inaudíveis, e um tom

Avermelhado escorrendo pelo corpo, invisível aos olhos de quem assiste,
Nítido aos de quem sofre. Poucos sabem como é de fato, o tão famoso.
Não é cavernoso, nem com demônios, muito menos quente, mas triste.
Cada um com o seu, sabendo pessoalmente onde e como é doloroso.

Está em nossas mentes, a todo instante, tão perto e ao mesmo tempo longe.
Impossível de se ver, impossível não se sentir. Quando anjos roubam a esperança,
Com suas espadas reluzentes, e quando as igrejas pegam fogo fogem os monges.

O medo os consome, o fogo os condena. A mente queima, e a lança
Permanece incrustada na pútrida carne. A fé esgota-se e a insensatez
Domina. Anjos trazem paz, caos. Dias como este, terás uma vez.

.

Ela


Sei que ela tem altos e baixos, vai e vem, e no final dizem dar certo...
E ainda escuto dizerem; quão bom é o calor do sol numa manhã de inverno,
Ou como é abraçar aquele alguém que nos provoca taquicardia, mesmo perto
Não estando; Provar deste sentimento amargo e gostoso que reza ser eterno.

Sentir ódio de si mesmo por se apaixonar sempre pela pessoa errada,
Simultaneamente, alimentar esperanças repletas de adrenalina.
Ter a sensação de conquistar os sonhos de maneira sempre desejada,
E rezar sempre que fraquejar e surgir a tão desesperadora neblina...

Quão bom é poder deitar-se sobre a cama e cair nos braços do sono,
Sem nada em mente, simplesmente pensando estar imune de pesadelos...
Acordar e ver ao redor que tudo está como antes, sem abandonos.

Pode até ser verdade, viver sem ter medos ou enfrentá-los... Um apelo
A Deus sempre alivia a alma, desde que se acredite que Este sim existe.
Não é que ela não me atraia, o problema todo é que eu sou triste.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Linhas duvidosas da decepção



Imagine um lugar plano, com uma grama verde e rasteira;
Onde há árvores cujos galhos quase alcançam o chão,
E em seus troncos, há uma espécie de cipó verde na madeira,
Estes se estendem pelo tronco, sem motivo ou razão...

Céu cinza, vento suave, o qual derruba folhas sobre meu cabelo,
Tocando minha alma com sutileza, fazendo as feridas arder;
A mata atrás de mim parece chamar-me, induzindo-me ao pesadelo...
Sentado na grama, segurando o chão para não me perder.

Semanas apagadas de minha memória passam como flashes,
E dias inesquecíveis foram esquecidos, momentos comuns
Lembrados; e o som o qual surge do cipó quando se meche,
Meche com meus ouvidos, e a cabeça sem sentido algum...

Encontro uma pedra suja de musgo, faz-me lembrar
Que por mais gélida e sem forma, o musgo inda está com ela...
Jogo-a para longe, na tentativa falha de outras coisas expulsar,
Inutilmente, como se do cravo, a rosa cor de canela...

Raios de sol encontram uma brecha por entre as nuvens densas,
Indo de encontro à grama úmida, dando vida, aquecendo a alma...
Lembrando-me como fora o dia no qual era a escuridão imensa,
Disposto a desperdiçar tudo, imprudente, por falta de calma...

Por ver tudo em preto e branco, sem movimento talvez,
Questionando-me o porquê de acordar do sono,
“Por que não havia chegado ainda a minha vez?”,
Eis um porque que até hoje me tira o sono...

O sol se põe, e a chuva começa a se mostrar forte,
Molhando a grama, a pedra, alimentando o musgo verde,
Umedecendo minhas roupas, tirando-me a sorte,
Misturando chuva com lágrimas; mostrando-me o auriverde

De seus cabelos longos, entre sorrisos mudos, olhares de soslaio,
Cheiro de rosas do campo, e pele macia como veludo...
E dos seus olhos, tiro a dúvida... Dar-me-ia o sol um raio?
Parto de lá, e em casa, ainda no chuveiro quente, lembro de tudo...

A esperança não decepciona.” Rom.5:5



-Será mesmo?-

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Versos alheios


Se pararmos para observar veremos que nada que vemos é original...
Em tudo há algo que lembre outra coisa, outra poesia, outro alguém.
Lembranças são tão incertas como o vento, tiram tudo do lugar com o vendaval;
E ao mesmo tempo, são como nuvens que surgem e depois somem para além

Da nossa vista e memória... Já pensei em trancá-las todas em uma caixa,
E jogá-las ao mar, para que encontrem o fundo e ninguém as encontre.
Lugar inóspito, desconhecido, onde ninguém encontraria sequer uma faixa.
Longe de um mundo de cópias, onde tudo permaneceria entre

O nunca e o sempre. Sem saber o que pensar, sem saber o que ser.
 Perdido em idéias, afogado em sonhos, preso a uma sereia.
Cujos cabelos e seios levam qualquer marujo a loucura;

Cujo canto hipnotiza, tortura, mata de cede de buscar prazer.
Onde seus pedidos tornam-se ordens, inconsciente da vida alheia.
Rosas murcham, anjos perdem asas, santos choram sangue, e o amor não tem cura.



domingo, 5 de junho de 2011

Trem desgovernado


Certas coisas não mudam. O presente não muda o passado,
E nem toda água de torneira, chuva, garrafa, vira vinho...
Tudo é como é; não como parece ser. O inverno é gelado,
E o frio sugere calor, mas calor não se consegue sozinho...

Era criança, esperançosa, sorridente, cheia de sonhos e desejos;
Num breve movimento de abrir de fechar os olhos, hoje vejo
Quantas mudanças aconteceram, quantas noites perdidas sem dormir,
E quantas inúmeras vezes esperamos alguém para nos fazer sorrir.

Como será da próxima vez em que repetirmos o breve movimento?
O amor é como um trem, e cada estação na qual descansa é uma paixão.
Cada parada é diferente, mas todas são iguais por serem passageiras...

Palavras úmidas, cobertas de esperança, entregamos ao vento.
Às vezes, descansamos mais por estar cansados, noutras não.
Quando o trem chega no seu destino final, é pra vida inteira.

domingo, 22 de maio de 2011

Partes de um todo, todo em partes


E o frio não abandona os dias que se seguem...
Em vagos momentos teu hálito invade o ar,
E nestes o peito infla até não agüentar mais,
Os olhos não se desviam, e o coração acelera.

A lufada traz consigo calafrios, eriçando os pelos
Tirando tudo do lugar, tornando hipnotizado
Àquele que assiste ao ilustre mover dos teus cabelos,
Escondendo o doce rubor coberto de ternura em tuas maças...

Quando invocada, tua voz é um coro de sereias assassinas,
Tornando-se impossível negar o veludo aos meus ouvidos,
O perfume exalante para minhas narinas, olhos famintos;

E tuas unhas encontram minhas costas, tuas mãos meu cabelo,
Teu corpo junto ao meu, trocando calor, esquecendo o frio;
Delirando, sem saber ser ilusão, sonho, perdição, ou castigo.

sábado, 21 de maio de 2011

Traços tortos de um pintor


Liberte-se deste negro gélido envolvente véu
Enxergue as coisas ao redor, veja seu interior como janela
Desejos e medos; não se esqueça de trazer o pincel
E não deixe que as lágrimas manchem a tela...

O tempo passa, e se não pintar nada sairá do lugar
A tinta irá secar, o pincel endurecerá, e a poeira
Abraçará a tela; não é preciso adiar, muito menos evitar
Mas tente fazer, não tarde demais, de alguma maneira

Inspirar-se é o segredo para começar, um combustível
O qual se não abastecido, fará com que se pare com a pintura.
Não evite cores vivas, não tema, ninguém nasce artista e pintor,

Mas é pintando a vida, arriscando e jogando com o impossível
A forma de aprender a pintarmos o caminho, pôr uma moldura,
Impor limites; a tinta não acabará nunca, desde que tenha amor.

domingo, 8 de maio de 2011

Teoria do será ser sido


Quantas vezes nos pegamos admirando o céu, sem saber
O que é de fato aquilo o que vemos parecer estar sendo...
Usamos a dança dos astros como metáfora para descrever
Tudo aquilo o que parece acontecer, sem estar acontecendo.

Vemos que a distância nos traz não necessariamente a verdade,
Ou então, nos traz algo o qual já aconteceu, ou que deveria
Ter acontecido... Perdidos no ócio deixamos de lado a realidade
E esperamos lamentosamente que vá embora com nascer do sol do dia.

Tudo aquilo que não deveria ser lembrado, como histórias de terror.
Vemos no céu o passado, vemos estrelas mortas brilhando pela eternidade
De anos luz distante de nós, sem saber o que se passa, por onde andou o amor...

Vivemos o presente presos nas memórias do passado pelo céu e sua imensidade.
Se a distância altera no tempo, no modo dos astros, o que seria capaz de fazer
Entre nós? Pelo céu, o futuro é o espelho do passado, e o passado o do presente.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Renegado



Você pode mentir para as pessoas que estão ao seu redor,
Ou então pode mentir para as pessoas que estão distantes.
Você pode mentir para todos sobre tudo, mas a pior
Mentira é aquela feita para si mesmo, são atenuantes...

É um erro mentir para si mesmo? Geralmente um erro
Ocorre pela falta do juízo, não é calculado, pensado...
Mentir não é nada mais que adiar a verdade, seu enterro.
Ocorre de maneira lúcida, consciente. Mentir é errado?

Quando vejo teus olhos cor de mel, tua pele perfumada,
Teus cabelos sobre os ombros, teu jeito de ser, de andar...
Torna-se difícil não mentir para si, ver tudo e ter nada.

Que outra opção teria senão renegar o amor para não te amar?
Que outra escolha tenho, senão desprender-me da paixão
E correr atrás de pedaços teus em outras para criar uma ilusão?

Saber sem saber


É normal pensarmos saber algo, e não saber nada.
Todos pensam ser donos de suas emoções, atitudes.
Mas ambas podem ser a qualquer instante manipulada
Inconscientemente, fazendo-as perder toda sua plenitude.

Nós estamos ligados ao que nos cerca. Isso nos influencia...
Muitas vezes deixamo-nos levar pela arrogância sem motivo,
E uma tempestade emocional, corporal, física, se cria.
Não adianta criar a prisão a qual faz parte e tentar ser fugitivo...

A pior prisão não é aquela feita de tijolos e sacos de cimento,
E sim a que não tocamos nem vemos, feita em nossas mentes...
Pensamos saber o que sentimos, e de repente nada sabemos por inteiro.

Tome o amor como exemplo. Como se assemelha do vento.
Não tocamos, não vemos, não sabemos quando estará presente...
Há vários tipos de amor, mas somente um importa. O amor verdadeiro.

Valores sem valor


Quais são as coisas mais valiosas que podem existir?
Será que há dinheiro que compre tudo o que se precisar?
Já parou pra pensar o que é mais valioso antes de dormir?
Será que não há fim para todas as perguntas a se duvidar?

Particularmente, o que há de mais valioso não é comprável.
Não há nada além de vontade que traga confiança, amor e respeito.
Se encontrar alguém com essas coisas, esse alguém é incomparável
Com os demais... Mas como tudo tem de ser, aqui poderia ser perfeito,

Mas fora das linhas não o é. Sonhos se colidem a todo instante,
Sobrepondo-se uns aos outros. Sonhar é perigoso para um amador.
Sonhos são ilusões desejáveis, as quais às vezes se tornam realidade...

Do que vale a vida se tudo o que há de valor é confiança e amor constante,
Não há? Cada gota de chuva leva consigo uma parte de todo o amor,
Reproduzindo sons diferentes, formas diferentes, de um amor sem lealdade...

Auto ajuda

Quando tudo parecer perdido, tente não desistir.
Espere o fim antes de criá-lo para sofrer antecipadamente.
Pense que amanhã será melhor quando for dormir,
E não cometa os mesmos erros, seja mais inteligente...

Cada ato virá seguido de uma conseqüência,
Cuidado com o que pensa, e com o que deseja...
Você pode pensar conhecer, mas a louca eloqüência
Cria uma barreira, e mostra que não conhece a boca que beija...

Meras curvas desaparecem com o decorrer do tempo,
E as mais belas e preciosas porcelanas são as mais frágeis...
Cuidado com o que deseja; nem sempre o melhor é o ideal.

Curta o momento, não se prenda a coisas possíveis de ser levadas pelo vento,
Este nem sempre as traz de volta, e nunca se sabe quando retornará...
Quando tudo parecer acabado, tenha fé, acredite, ainda não chegou o final.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Soneto Incomum

"E de repente encontrava-se perdido,
Sem razões para lutar e continuar.
Cercado de erros e por eles iludido,
Caminho desvirtuado, a morte antecipar...

Não sabendo qual lugar o aguardava,
O fez sem hesitar, esperando o fim.
Quando presente se fez, descobriu que não amava
A si mesmo, manchando de sangue o próprio jardim...

Não se comparam dores. Na vida ou na morte
Não existe quem nunca as sentiu alguma hora,
Independente que seja fraco, ou forte...

E os ventos assopram e  não vai embora...
A solidão nunca o deixou sozinho,
E o sofrimento jamais o deixou sem carinho..."


domingo, 10 de abril de 2011

Meu poema de nós dois


São em noites como essa que os desejos invadem a mente,
Enlouquecendo os mais fracos, enganando os mais fortes...
E em devaneio meu, sussurros assopram que estou carente,
Esperando que alguém pergunte como estou, -Sem sorte-

Alguém que me faça estar caso não esteja; que revitalize
Esse corpo sórdido; que toque a alma sem encostar
Num simples gesto de olhar; quero alguém que realize
Não meus sonhos, mas que realize o meu desejo de amar...
(Pessoa)

Mas que não seja pela metade, disperso
Quero o amante, o amor verdadeiro, constante
A razão minha de estar neste universo
A respiração que não demora, ofegante

Que sua voz complete a desejada minha
Pele que vista meu frio e aqueça
Que não mais me deixe sozinha
Chegue amor, fique... permaneça.
 (Vanessa)

Poeira e ferrugem



Há seis anos comprei um violão na loja da esquina.
Hoje passo e o olho de soslaio, lembrando do passado:
Sentado na varanda, tentando chamar a atenção da menina
Com olhos doces, com cabelos soltos, a qual me deixou apaixonado...

Hoje vejo meu reflexo em meu negro violão cheio de poeira,
Passo o dedo e vejo sua cor viva, coberta com o passar do tempo...
Sinto-me como ele, abandonado, fracassado, sem maneira
De recomeçar, com as cordas enferrujadas, pelo úmido momento

Em que gotas de chuvas caíam de meus olhos sobre ele em meu colo,
Enquanto a menina passeava sem sequer perceber a minha presença...
Mas hoje resolvi dar um trato no meu violão, renovar as cordas, a poeira

Retirar... Comecei a aprender a dedilhar, e já faço meu predileto solo.
Está tudo novo, cordas novas, cor nova, tudo que poderia fazer a diferença,
Exceto uma coisa, talvez a mais importante...  Ela, que se foi por inteira...

sábado, 9 de abril de 2011

Dias


Todo mundo tem dias cinzas, onde os telefones não tocam;
Onde as campainhas não gritam e as cartas não enviadas lembradas;
E os desejos de sumir, de aparecer para todos se chocam;
Não movendo nada sequer do lugar, senão mágoas passadas...

Todo mundo tem dias que a esperança se esconde nalgum canto,
Nos quais cada segundo se torna uma eternidade a ser prolongada
Nas tantas horas que nos afogamos em nosso próprio sutil pranto,
Sem ter certeza do que fomos; do que somos; de tudo e do nada...

Todo mundo tem dias em que tudo parece ser um tanto faz,
E que nada poderia aparecer e mudar, já que não apareceria
De verdade o que unicamente seria capaz de mudar tudo...

Nem todo mundo tem os dias em preto e branco, como um rapaz
Que ao ato de fechar os olhos, encontra sua vida, e desapareceria
Ao ato de abri-los. Sua vida é o amor. E por isso nunca mais abriu os olhos...

domingo, 20 de março de 2011

Em vão



Por mais forte que seja a luz não consegue iluminar
Esse vazio dentro do peito, onde a sombra permanece.
Onde mudar não mudaria nada, senão de não tentar.
E então o vazio aumenta e engrandece quando anoitece...

Hora na qual todos os sentidos se misturam, tremendo caos
No qual em nada consegue se pensar de forma clara, plausível.
O luar de lua cheia revela quem são os verdadeiros maus
Demônios que reluzem dentro do vazio, tornando impossível

Encontrar uma saída, um caminho, uma simples misericórdia...
De todos os pecados não adianta se arrepender se quer viver.
Viver é um pecado constante, num mundo vivente de discórdia,

Onde a dor predomina sobre o amor, onde esperamos morrer
Sozinhos, iludidos, submersos no vazio de nós mesmos, sem descobrir
A verdade. Morremos  lentamente a cada dia, instante, no meio da dor, sem sorrir.


quinta-feira, 10 de março de 2011

Ausência de sono


Serena como uma melodia tocada ao som de um piano,
Branca como leves cristais de neve que caem do céu,
Com olhos claros intensos, meigos, cores de mel...
Cuja pele, voz, gestos, cabelos, fazem meu coração leviano.

Tão impossível de tê-la como arrancar asas de um anjo,
Tão simples de criá-la como ir ao inferno e retornar
De mãos e peito vazios, como quem um enfeitado arranjo
De flores compra pra alguém que hoje não irá chegar...

Tão previsível és como o suave e amargo vento,
Mas que mãos encontrariam as minhas, senão as tuas?
Como desejar alguém se não tu, em qualquer vago momento?

Tão compreensível como ter no céu da noite duas luas...
Apesar de tudo, o espetáculo dos céus não pode cessar,
Com ou sem você, não há nada que me faça não te amar.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Dias frios


São dias frios como estes que tiram nossa cabeça do lugar.
É quando surge o desejo de ter ao seu lado quem te aqueça,
Quem te ouça, quem se abrigue nos braços, sem querer soltar;
Preso no doce ócio, entre risos e abraços, desejando que o fim não apareça...

São em dias frios como esses que surgem os pensamentos
Perigosos, onde tudo se torna melancólico, nostálgico.
Surge também a vontade de que tudo se vá com os ventos,
E que os mesmos tragam o amor, como um truque mágico.

São nos dias frios como esses que se torna notável a presença
De que estamos sós, obrigando-nos a pensar em como seria
Se não estivéssemos, tornando isso nada mais que uma doença.

São nos dias frios que nossas lágrimas se unem a chuva fria,
E nossos corpos se estremecem, fazendo crescer um vazio interno...
Nesses dias a única proteção é não precisar de uma, que não seja eterno.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Areia e chuva


Tentei de diferentes formas começar a palavras nesta folha pôr,
Mas nenhuma delas se adequou ao palpitante sentimento
Onde tudo se ganha e nada se perde quando vou ao encontro do vento,
No qual possa me trazer memórias tuas, entorpecendo a dor.

Na vida ou na morte, não há como se perder sem nada se ganhar...
Perdem-se paixões, perdem-se amizades, perde-se a confiança...
Preocupamo-nos demais em não perder, e perdemos a esperança.
Perder é preciso. Por mais improvável que pareça, deve-se aceitar...

Deve-se aceitar que quando um não quer, é o bastante para não ser.
Mesmo que o calor dos olhos teus um dia venha a se esfriar,
E a água do cristalino mar venha a se tornar turva...

Uma vez encontrado teus lábios, teus olhos, tua pele, não há como perder
No infinito do calor desse amor, tudo o que se possa amar.
“O vento não leva a areia da várzea, quando a areia bebe a água da chuva.”*





                                                                                                          *Iracema, José de Alencar.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Escuridão sem direção


Há muito tempo uma pergunta não parava de martelar.
Até hoje ainda não encontrei uma resposta tão plausível...
“O que é necessário para que algo no qual não possamos enxergar,
Tocar, medir, pesar, seja de fato real e possa existir? É possível?”

Senão fosse; que outra explicação teria para explicar o amor?
Somente uma coisa é necessária para se tornar algo real: Sentimento.
O que seria; do teu lindo rosto sem a cor nata vinda do rubor?
Dos teus sedosos cabelos sublimes sem o movimento do vento?

Destes versos inúteis, sem que esperasse que alguém os lesse um dia?
Por qual motivo os faria, senão pela esperança de teu rosto, pelas maças
Rosadas e belas, nascesse o sorriso mais radiante que jamais imaginaria

Possível de existir... Um sorriso deste iluminaria todas as minhas manhãs,
Sete dias por semana, vinte quatro horas por dia, sempre, como o infinito.
Por mais que digam o contrário, não o vejo, mas o mais importante, o sinto.