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domingo, 18 de junho de 2017

Não se esqueça

Se há uma verdade sabida por todos,
Mas, esquecida por alguns
É a que um dia a vida chega ao fim.
E quando se vive esse fim de perto

Tudo muda.
Dormira pouco, e sentara no banco de ardósia
Pelo terreno. O sol vestiu-se como um abraço
E o pensamento voou aos “se” e quão perto estive dele.

Fui capaz de imaginar toda a cerimônia,
Desde as flores, o local, até mesmo a mim deitado, e
As pessoas presentes, desacreditadas e inconformadas.

Mas, nada superou ver aqueles que te amam
Se afogarem em lágrimas e dor.

Abri os olhos, agradeci, e chorei.

sábado, 27 de maio de 2017

Incompleto


Não foram fáceis os dias últimos.
Mas, tentemos transformar em palavras...
A sensação é de estar se afogando num mar de dores
Com braços e pernas amarrados.

Imerso em suas águas negras e geladas
Pude sentir minha alma em chamas,
Perdida em meio a esse caos,

Clamando por perdão.

domingo, 9 de abril de 2017

Soneto do meu amor


Não sei como escrever isto, muito menos te dizer
Mas, preciso tirar isso de dentro de mim, antes que apodreça
E termine de matar esse corpo que um dia há de perecer.
Quero que saiba, antes que da minha vida desapareça,

Que ela foi à última tentativa de suicídio.
Algumas coisas não resistiram, das quais o amor
E a esperança, que foram jogados de um precipício.
Não adianta tentar consertar o meu cruor

Pois a dor e o sofrimento, estes eu preciso sentir.
Preciso do meu luto, do meu silêncio e da minha paz,
Da minha solidão vazia de luz, enquanto fraco e incapaz

Ainda mantenho-me de pé, com vergonha de sucumbir.
Espantando as moscas das minhas feridas,
Tentando viver o que alguns chamam de vida.

Corredor das Almas

Foi um dia difícil, o do sepultamento do meu avô.
Sabemos que um dia chegará, mas não esperamos.
Segurei o choro, a dor e fui forte por minha mãe,
Pois, ela desabou em choro, dor e sofrimento.

- Deve ser uma puta dor perder um pai –
Uma cena que nunca fui capaz de imaginar
Era a do meu avô deitado no caixão,
E ver esse caixão sendo fechado,

Com a pessoa que eu amava dentro dele.
Nunca fui capaz de imaginar carregando-o
Em direção a um nicho, em marcha fúnebre.

Olhando para os lados, vendo rostos e nomes
Escritos em catacumbas, platéia mais perfeita
Para um momento mais que indesejado.

Santa morte


Perder alguém não é a melhor forma de dizer
Que alguém não vive mais. E dizer que não vive também não.
Pois, não perdemos ninguém neste mundo,
Porque ninguém é propriedade de ninguém.

E não deixamos de viver quando desencarnamos,
Da vida entre os vivos, a certeza é a morte,
E a morte entre os vivos, é a libertação,
Enquanto a vida entre os mortos, é a angústia

Dos vivos.
Não negarei a dor, não julgarei o sofrimento no peito de quem sente.
Mas, a força precisa estar presente

E é isto que desejaria o ausente.
Não sofrer por sua partida,
Mas, adorar pela sua vida.

sábado, 1 de abril de 2017

Mal bem guardado


As pessoas não percebem
Mas nós estamos morrendo.
E a cada manhã,
Estamos mais perto.

As pessoas não sabem,
Mas, todo grande poeta guarda em suas poesias
Aquilo que ele tem de mais valioso,
Como um troféu em uma estante.

Já os poetas como eu
Guardam em suas poesias não o mais valioso
Mas, o mais profundo e doloroso sentimento

Que assombra nossas almas,
Que atormenta nossas mentes
E que preenche nossos corações.


Clima perfeito


Dias nublados e noites chuvosas
Um clima perfeito para se estar sozinho
Sentado na sala de frente para o computador
Com a cabeça em outro lugar.

O vento frio passa pela janela
E dá um abraço apertado o suficiente
Capaz de fazer os músculos dançarem
E os dentes tocarem música.

A cama então convida para se deitar
Na sua imensidão e profundidade de um oceano
Agitado de sentimentos não correspondidos.

A madrugada então chega e não vai embora
Ficando de papo furado com os pensamentos
Uma conexão um tanto que comum, e dolorosa.

O singular


As pessoas costumam elogiar meu humor
Dizendo que muda de uma hora para outra.
Talvez seja esse o motivo delas de afastarem,
Ou de se calarem por um tempo.

Não entendo as pessoas, e nem quero.
Elas não entendem, e não procuram.
Já é um desafio entender a mim mesmo
Diante de tanto caos na minha cabeça.

A verdade é que é mais fácil deixar pra lá
A procurar saber, procurar ouvir, procurar ajudar.
O que é difícil é chato, leva tempo, e ninguém se interessa.

Também não me interesso por quem não se interessa.
Respiro esperança por dias melhores, e nunca doeu tanto respirar.
Dói querer ser plural enquanto só se sabe ser singular.

domingo, 19 de março de 2017

Fim do fim de semana

Finalmente após uma longa semana de trabalho intenso, um fim de semana em casa. No sítio da minha mãe. É difícil esquecer o trabalho por um momento, mas com muito esforço eu consegui.
 Andei pelo terreno admirando os diferentes tons de verde que o céu nublado pinta. Sentei na área da piscina, e os cachorros vieram pedir carinho. Então peguei a chave do portão e fui caminhar ao redor do sítio, lembrando de como era há quase vinte anos atrás. Pensei nos tempos difíceis que já passamos, nos meus antigos receios, nas minhas antigas angústias, nas minhas dúvidas, nos meus desejos, nos meus sonhos e na minha fé.
Tudo isso passou, e hoje novas dificuldades, receios, angústias, dúvidas, desejos e sonhos assumiram o lugar das antigas. Pensava que isso passaria de vez, mas hoje vejo que isso é essencial para mim. É o que me mantém firme, é o que alimenta a fé, é o que me faz querer ser mais forte. Não havia prestado atenção na beleza da mudança, e em como tudo o quanto desejei e lutei, hoje conquistei.
Com a cabeça atopetada de “tarefas”, “problemas”, e reclamações, deixei o tempo passar e, distraidamente, não vivi intensamente. Olhei ao redor mais uma vez, e tentei me lembrar de quando era criança, e das vezes que andava de bicicleta por onde estava sentado, na grama do portão dos fundos. Passou tão rápido.
Um carro passou por mim e entrou em uma casa, ela não tinha muro, somente uma cerca de arame farpado. Pude observar duas crianças gritando: “Papai chegou, papai chegou”, e então o rapaz sai do carro, abraça as crianças, e corre para fora para pegar o cachorro levado que havia fugido. Entrou novamente, foi até a mulher que lavava roupa, pegou uma cadeira e sentou-se ao seu lado.

Olhei para o horizonte perdido e pensei que talvez esse seja eu um dia, daqui a alguns anos. Criar a minha própria família. Mas, meu coração já não se anima tanto. Vejo todas as pessoas que passaram por mim, hoje noivas, com filhos, e com uma família, ou no início dela. E eu, bem... Só espero daqui a alguns anos, quando der outra caminhada possa olhar para os céus e o infinito e consiga sorrir por ter vivido intensamente. 

domingo, 12 de março de 2017

Pontas

Eu disse para mim mesmo que precisava lutar.
Lutar contra a depressão, e contra o sofrimento.
Por que seguir em frente é tão difícil?
Não quero uma vida com receios de me arriscar novamente.

Não é falta de coragem,
É falta de força.
Ou, talvez, esperança,
 E um pouco de fé.

Então eu saí do apartamento,
Fui até o posto de gasolina
Onde tem aquelas lojas bacanas,

E comprei um maço de cigarros.
Sentei na beira da praia,
E passei a noite queimando o que existia dentro de mim.


Remendas

Ela me disse que gostava da solidão.
Eu pensei comigo mesmo,
“Que ser humano gosta da solidão?”
E eu respondi para mim mesmo,

Só aquele com o coração partido,
Remendado com meias esperanças.
Ela se sentia insegura para confiar novamente.
Mas, também se sentia cansada de ser dona de si.

Encontrou uma solução, não muito feliz.
Desligou-se do mundo, e de todo o resto.
Deixou de viver, para respirar e sobreviver.

Assistia a vida passar, a olhar para o nada,
Sem saber o que sentir, o que pensar.

Uma vez li que dois corações partidos podem se encaixar.  –Talvez essa seja a melhor solução.

Corre corre

Ela só queria ter para onde correr
Quando estivesse cansada da rotina.
Do estresse. Dos problemas.
Um lugar onde acelerasse seu coração.

Igual a quando ela andava de bicicleta,
Na verdade, quando tentava aprender,
Aos dez anos de idade, na rampa da garagem.
Ela sente falta das borboletas no estômago.

Ela diz que gosta da solidão,
Mas é só um papo furado
Para não mostrar sua dor.

Eu sei que ela quer correr para mim,
Para se aninhar no meu abraço.

Porque eu sou o seu porto seguro.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Bate queixo


“Eu odeio visitas inesperadas” – Pensei comigo mesmo-
Mas, é inevitável. Elas sempre fazem o que querem
De uma forma ou de outra, abrindo a porta ou não
Ela vai permanecer ali, com você, esperando.

Ela estava só esperando eu abrir a porta pra deixar meu último amor sair,
Para entrar... Não adianta o que eu faça, ela não vai embora.
Ela escurece a minha casa,
Acaba com a luz do meu olhar.

Obriga-me a deitar e fechar o maxilar com força,
Numa tentativa vã de segurar o choro.
Maldita seja a solidão

Que invade o meu peito
Que possui a minha’alma

E a mata congelada.