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sábado, 11 de dezembro de 2010

Soneto incomum

Às vezes, até o óbvio confunde nossos pensamentos...
Quando tudo indica que estamos muito perto de algo,
A chuva desce sempre igual, e mostra que estamos longe...
Como se o dia estivesse lindo, belo sol para ir à praia,

Mas resolvesse trancar-se no quarto, fechar as cortinas,
Trancar a porta, bagunçar a cama, e soar uma música
Um tanto que melancólica, para que se sentisse a vontade.
À espera que o sol seja engolido pelas nuvens, e a chuva

Desça arrasando tudo e o mundo, deixando o céu cinza
Pelas nuvens negras, carregadas de poluição...
E o vento, esse não poderia faltar, que venha com força,

Para levar todos estes restos de sentimentos quebrados
Pairando pela casa, pelos bolsos das roupas, em todo lugar...
Feito assim, não haveria motivos para não descansar só.



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Espaços vazios



Encontro-me de repente, diante de tanto espaço vazio.
Busco então procurar um por que, de tanto espaço assim,
Mas frente a tantas perguntas, não encontro respostas...
Deito em minha cama, a fim de que tente dormir hoje,

Mas inda assim não deixo de perceber o vazio na cama...
Encostado na cabeceira, olho pela janela o céu da noite,
E percebo que assim como eu, também está vazio...
Lembro então do sentimento o qual temo não encontrar,

Melhor seria não ter lembrado e encontrado dele,
O vazio sem espaço que traz para dentro de meu peito...
E a dor, sua companheira inseparável, minha mente invade,

E rouba as boas lembranças dos momentos que nunca
Passamos juntos, deixando apenas os espaços,
Vazios que tem espaço para mim, e sem espaço em mim.




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Aula de Ecologia

Imagine um pedacinho de terra em algum lugar...
Agora pegue umas sementes e jogue no chão,
Mas não se esqueça de dar água sempre que lembrar,
E o mais importante, plante tudo com o coração...

Após certo tempo, a semente vai se romper,
E os brotos surgirão jovens cheios de vida.
Radiante, o sol fará seu papel de fazê-los crescer,
E depois, a planta se tornará florida,

E dará origem a outras sementes, um ciclo vicioso.
Só esquecemos um pequeno detalhe importante:
Quando se planta a mesma planta durante

Muito tempo na mesma terra, ela acaba morrendo.
A planta não, a terra... Acho que talvez agora
Tenha descoberto porque o amor tanto demora...



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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Tentativas



Tento escrever, mas tudo parece tão patético.
Tento ouvir, mas os sons não consigo distinguir.
Tento sentir, mas tudo que sinto tem um ar poético.
Tento pensar, mas o torpor atrapalha e não deixa dormir.

Tento esquecer, mas o passado bate a porta.
Tento fugir, sem rumo, em vão, sem adiantar.
Tento não escrever, mas a rosa está morta.
Tento não ouvir, mas não consigo o som abafar.

Tento não sentir, em vão, por inteiro já me possuir.
Tento não pensar, mas tudo me traz lembranças.
Tento não esquecer, arduamente, sem grunhir.

Tento não fugir, mas não estão aqui minhas esperanças.
Tento tentar não ser louco pelas tentações intentáveis.
Tento não tentar te amar pelas eternas vidas incontáveis.


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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Noites claras

Noites passo deitado em minha cama sem dormir...
Pensando; nas discussões, em como poder mudar;
Nos telefonemas nunca atendidos, sem sorrir
Pelas cartas nunca recebidas para ler e se emocionar...

Nos olhares nunca trocados, no rosto
Nunca visto, angústia maldita da espera...
Noites penso na vida e em seu desgosto,
À espera a qual chegue à louvada primavera

E ilumine teus olhos castanhos e teus cabelos,
E dê brilho a teus lábios sublimes, à tua cor...
E que principalmente do inverno espante os pesadelos...

Noites passo pensando em tudo e no amor...
Em como a vida poderia ser simples sem mudar
A essência... Quando percebo, a noite já está a clarear...



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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Soneto indefinido

Não sei como descrever com palavras exatas,
Mas tentarei dizer como tem sido a rotina
Aqui dentro, onde continuo sendo a prata...
Noites em que me curava usando morfina

Para aliviar o frio que por dentro me congela,
E o calor que por fora me consome feito brasa...
Tudo por desejar junto a mim tua alma singela
A qual somente ela é capaz de libertar e dar asa

Ao sentimento enterrado e morto no jardim
Em minha mente, fonte de luta e desespero,
Guerra entre o caos e a paz, para se vencer

E no final, perguntar-se se é realmente o fim...
Será o fim da guerra e o início do que espero,
Poder amar-te sem jamais sentir medo de viver.



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domingo, 5 de dezembro de 2010

Seda selvagem

Como se nunca tivéssemos nos visto alguma vez,
Na noite badalada trocávamos olhares inseguros,
Desviando-os quando se encontravam imaturos
Na hora de falar o que realmente desejariam dizer...

Não poderia sair deste lugar sem ao menos sentir
O rosto suave como seda, o cabelo sublime como relva;
Sem provar dos lábios de mel, forçando-me a mentir
Para mim mesmo que não conseguiria entrar na selva

Daquela linda leoa ágil e proprietária da própria terra...
Não poderia não sentir o teu perfume e criar uma guerra
Entre os meus sentidos confusos por tanta divindade...

Mas de tudo serei atento, e de tudo eis a verdade:
Nesta noite, fui-me sem sentir os sentidos da noite,
Mas aqui está finda a esperança que não se foi.




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Dia sem nome

Noite agitada, música tocando e mulheres dançando...
Amigos curtindo, pessoas bebendo sem se preocupar.
Voltava da festa quando da rua olhei e a vi passando,
Tão branca e sublime como bruma era de se invejar...

No mais alto céu onde nenhum avião ou pássaro alcança,
Onde estão a brilhar os mais lindos imóveis cristais...
Olhando-a, esqueci-me de dormir, observando na esperança
Da eterna aurora, pela chegada da mais bela das mortais,

Num dia como este que é domingo, mas não parece ser,
Dia de sol e chuva, numa amena chuva de Novembro
Junto ao sol de verão de um escaldante Janeiro...

Dia o qual não é final nem de semana, deixando sem saber
O nome, a época do ano... Dia igual a este não me lembro,
Mas se tiver de lembrar, lembrarei dela primeiro...



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