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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Astros não possuem corações Pt. II

Ela é tão brilhante como o sol enorme
Que ilumina metade da nossa terra,
Enquanto eu ilumino a outra metade.
Uma guerra que não é uniforme...

Ela é tão radiante, tão poderosa,
Que ninguém ousa olhar diretamente.
Eu não ilumino como ela, grandiosa...
Mas ilumino parte da noite, suavemente.

Tenho minhas formas diversas de aparecer,
Tudo depende. Já ela, sempre radiante...
Combinação perfeita, a noite, o dia...

Amor impossível, certo de não acontecer...
Quando sou lua cheia e estou no céu adiante
Ela não me percebe. Seu brilho me apaga.


-Namur...

Amor de papel

Tão linda como uma noite de lua,
A meus olhos nunca será feia.
Arrasa corações por andar nua
Numa noite mágica de lua cheia.

Tão linda como o nascer do sol no horizonte,
A meu corpo deixará aquecido constante.
De todo os desejos dos homes, tu és a fonte
Que afogo-me tornando-me o teu amante...

Tão linda como a mais flor de jasmim
Que inveja os pobres anjos com meros cabelos cor de mel.
Tão linda, tão mais que um simplório serafim...

Mas esse amor incessante, esse amor de papel
Não esperava que o nosso improvável fim
Acabasse com tu derramando lágrimas do céu.

-Namur...

Passado futuro presente

Hoje acordei com o céu cinza e chuvoso;
Dia melancólico, deixa-me não mais que triste.
Por relembrar que amor aqui não existe.
[Lembrança amarga de um passado doloroso...]

Já me disseram que não vale a pena viver o passado,
Mas o presente o torna-se a cada único instante...
O que fazer diante do abismo quando tudo está trocado?
Sucumbir... O futuro é incerto, o presente confuso, o passado errante.

O passado cada vez menos condena meu futuro.
O passado cada vez mais me condena,
Deixando-me a felicidade a cada instante no escuro

Onde as sombras a torturam sem pena.
Para onde fugir? Porque? Em algum momento
O que seria o que é será o que foi. Grandioso vento.

-Namur...

Palavras Internas

Quando garoto tocava gaita no galho de goiabeira,
Gaivotas passavam, grande som que eu guardo
Guardado no silêncio da grama e da garganta.
Como num gado, só eu não sou galante.

Fui garoto que tentava usar as palavras
Não ditas, mas escritas num pedaço de papel,
Tornando-as não mais do que fiéis escravas
Da fala escrita, segredo escondido do céu.

Quando para perto alguma se aproximava
Começava o espetáculo: suor, síncope, tolice...
Sentia-me um idiota, que desistia do que tentava.

Ridicularizado por risos, perdendo a cor da vida
Que alguma traria e duraria mais do que a babaquice...
Mas nenhuma alguma nada trouxe, gago suicida.

-Namur...