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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Versos alheios


Se pararmos para observar veremos que nada que vemos é original...
Em tudo há algo que lembre outra coisa, outra poesia, outro alguém.
Lembranças são tão incertas como o vento, tiram tudo do lugar com o vendaval;
E ao mesmo tempo, são como nuvens que surgem e depois somem para além

Da nossa vista e memória... Já pensei em trancá-las todas em uma caixa,
E jogá-las ao mar, para que encontrem o fundo e ninguém as encontre.
Lugar inóspito, desconhecido, onde ninguém encontraria sequer uma faixa.
Longe de um mundo de cópias, onde tudo permaneceria entre

O nunca e o sempre. Sem saber o que pensar, sem saber o que ser.
 Perdido em idéias, afogado em sonhos, preso a uma sereia.
Cujos cabelos e seios levam qualquer marujo a loucura;

Cujo canto hipnotiza, tortura, mata de cede de buscar prazer.
Onde seus pedidos tornam-se ordens, inconsciente da vida alheia.
Rosas murcham, anjos perdem asas, santos choram sangue, e o amor não tem cura.



domingo, 5 de junho de 2011

Trem desgovernado


Certas coisas não mudam. O presente não muda o passado,
E nem toda água de torneira, chuva, garrafa, vira vinho...
Tudo é como é; não como parece ser. O inverno é gelado,
E o frio sugere calor, mas calor não se consegue sozinho...

Era criança, esperançosa, sorridente, cheia de sonhos e desejos;
Num breve movimento de abrir de fechar os olhos, hoje vejo
Quantas mudanças aconteceram, quantas noites perdidas sem dormir,
E quantas inúmeras vezes esperamos alguém para nos fazer sorrir.

Como será da próxima vez em que repetirmos o breve movimento?
O amor é como um trem, e cada estação na qual descansa é uma paixão.
Cada parada é diferente, mas todas são iguais por serem passageiras...

Palavras úmidas, cobertas de esperança, entregamos ao vento.
Às vezes, descansamos mais por estar cansados, noutras não.
Quando o trem chega no seu destino final, é pra vida inteira.