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sábado, 19 de dezembro de 2009

- IDA

Verás algo que não entenderás nestes versos...
E que talvez não goste de palavras sofridas...
Já que no mar de mágoas estou submerso,
Aqui não há mais porque surgir novas feridas.

Porquanto que esperes sarar a cicatriz,
Onde verás que não é pútrida a velha vida.
Reconheço ser complicado entender o que fiz...
Que sinto logo após ver a realidade cuspida...

Um dia espero não me tornar um louco suicida,
Espero também poder ver a verdade não distorcida...
Recorte de sua memória a minha chegada e partida...

Interponha-me nos seus medos e encontre a saída.
Minta para mim e diga que não se sente dolorida...
Até que ponto permanecerei nesta rima puída?


-Namur...

Reflexo funesto

Nada é possível de se perder quando não se tem tudo.
Ao que me parece estar perdido numa gélida floresta,
Onde eu não vejo meu reflexo humildemente mudo...
Veria talvez se não tivesse tamanha doença que me infesta.

E quando encontro a saída busco rapidamente um espelho,
Júbilo falso que mata enfiando em minha garganta a garra...
O que muda é que nada muda... Pego meu inútil aparelho,
Resplandecendo como prata, cano longo como barra...

E como não esperava, vejo o reflexo em meu cruor...
Florido é o jardim o qual avisto sem muita demora.
Lentos são os meus passos para perto de quem me adora.

Espero que piedade tenha de mim o glorioso Senhor...
Xingo por fazer de tudo para ver meu pobre reflexo...
O que não vale à pena, e só há de me deixar perplexo...


-Namur...

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O amor existe para se amar...
Amar algo ou alguma pessoa...
Mesmo que não o veja pairar,
O amor nunca fica a toa...

Reprima-o e veja o que é a dor...
É normal sofrer sem querer se culpar...
Parte da natureza a culpa ser do Senhor...
Apesar de o culpado não se enxergar.

Resta ao resto não cair à tentação...
A ilusão é sempre a mais procurada.
A realidade é sempre a mais rejeitada...

Mesmo sabendo estar enganando o coração,
As pessoas preferem se enganar e viver o irreal,
Responsabilizando-se pelo que um dia será fatal...


-Namur...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Meio Amargo

É tão negro, é tão delicioso como o chocolate meio amargo.
Que a boca antes doce, com o tempo, torna-se amarga...
Meu vazio é tão negro, e com o tempo se torna mais largo...
E o tempo torna cada vez mais pesada a minha carga...

Diferente do chocolate, o vazio não termina...
E ele se funde ao chocolate e me alucina...
Deixar-me-ia largado no chão tendo uma overdose,
E para não sentir o vazio, peço-te mais uma dose...

Assim como meu coração o amor sempre parte,
Eu quero me afundar nesse nosso chocolate...
Chocolate negro, como as tuas lembranças...

Que a minha deliciosa e dolorosa esperança,
Foi como comer chocolate, foi bom de destruir...
Agora vejo que essa overdose para sempre me fará dormir...


Seria o chocolate um meio amargo? Ou seria meio amargo um chocolate?


- Namur...