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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O mentiroso

Feliz é o poeta como eu, que não tem motivos para escrever.
Como você percebeu, estou cheio deles aqui comigo agora...
Se não bastasse não conseguir dormir, sinto dores a doer
Cansado demais para dormir, cansado demais para ir embora...

A solidão já habita meu peito, e a nostalgia a engrandece.
Brilha a chuva e chove o sol, assim tem sido os dias
Desde que você não apareceu... Tão certos como quem esquece
Que dois e dois são cinco, e errados como poetas fazem poesias.

Dizem que a pior mentira é aquela feita para si próprio,
Mas como seria se não mentisse dizendo que está tudo bem,
Mentisse que o dia amanhã será diferente, mesmo sóbrio...

Como seria se eu não mentisse que a derrota não é de ninguém,
Quando vejo que ela já a mim pertence, por estar aqui a escrever?
Talvez não houvesse nem derrota nem vitória, mas alguém tem que sofrer.

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Vaga-lua

Lembro-me perfeitamente que fui dormir sozinho,
Mas acordei ao teu lado, sentindo o teu perfume,
Desenhando com os dedos em seu braço... Carinho.
Como havia me esquecido o que era... Um vaga-lume

Na noite... Como se eu o fosse, e tu a noite doce.
Por mais que eu tente, não conseguiria te iluminar.
Mas de repente eu durmo dormindo como se fosse
Natural, e acordo sozinho novamente, sem levantar

Da cama, percebo que fora tudo ilusão, e a realidade
Estampada ao redor, somente um violão ao meu lado...
Como se fosse real, teu sorriso me trazia felicidade...

Eu tinha tudo e ao mesmo tempo nada, acabado
Quando despertei. Ilusões aumentam mais a dor,
E a solidão é a noite, o vaga-lume torna-se lua é o amor...

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Soneto natural

Sei que o tempo passa, mas não significa que tudo
Deve passar junto com ele. Algumas coisas tortas
Ficam, mas ficam. Mesmo que o retrato fique mudo
Na parede, ainda faz meu peito arfar como estrelas mortas.

Sei que o vento sopra, e nasce assim a lufada.
Trazendo a tona às memórias, mostrando o vazio,
O qual o vento me empurra, no peito, uma facada.
A queda então, parece nunca encontrar o chão frio.

Sei que o mundo gira, e ninguém o consegue parar.
É apenas a natureza e o universo cumprindo o dever,
Assim como o Sol e a Lua não podem se amar...

Sei que o passar do tempo, o soprar do vento, e o girar do mundo,
São inevitáveis. Por mais frio que me faça sentir no calor, esquecer
Não irei tu, mas a solidão encontra em mim um abrigo profundo.


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