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domingo, 30 de dezembro de 2012

Amor além do sangue



Às vezes, a vida desanda e precisamos de alguém.
Alguém em quem confiar para entregar nosso coração.
Impressionante como o conforto dos braços traz um bem.
Seu sorriso é tão sincero, tão forte, que ilumina minha escuridão.

Seus olhos, grandes diamantes azuis, penetram na alma,
Acariciando-a, curando as dores da vida, criando esperanças.
Encontro em sua voz uma ponte direta para encontrar a calma,
E através dela absorvo a sabedoria para lidar com as lembranças.

As feridas se fecham com a fumaça de seu cigarro,
E com sua risada, até as mais profundas são amenizadas.
Me ensinou que a vida é como uma massa fresca de barro.

Nós somos os artesões, e precisamos de modeladas.
Na vida, tudo passa. Ela dizia, há muito tempo...
“Pensamento gera sentimento que gera comportamento.”

sábado, 29 de dezembro de 2012

Haluch



Os segundos são como horas, as horas como dias.
Os dias são como anos, e os anos, são uma eternidade.
E assim o tempo vai passando, ou não. Fico sem vias,
Sem opções, a não ser aquelas que levam a crueldade.

A crueldade de dormir sozinho, sem estar acostumado.
A crueldade de não conseguir comer, não sentir fome.
A crueldade de pensar em você, sem estar forte, e preparado.
A crueldade de sofrer, de morrer, só de ver o teu nome.

E de repente, tudo parou.  O que andava, agora não anda.
E os pensamentos me levam até você, entro em prantos,
Na cama, no quarto, no chuveiro, na cozinha, na varanda...

A solidão invade o peito e ‘completa’ o vazio nele. Tantos
Sentimentos pra sentir, tantos momentos bons pra relembrar.
Mas o martelo não para. Socorro. Não quero mais rimar.


sábado, 17 de novembro de 2012

Pêgesos


Tem uma pelugem natural bem gostosa.
Um aroma doce, um tanto quanto viciante.
Uma cor meio alaranjada, macia, meio rosa.
Tem uma forma charmosa, até apaixonante.

É delicada, se segurar com força ela amassa.
Faz bem à saúde, é comestível e deliciosa.
No meio tem um caroço marrom, sem graça.
Não seja por isso, ela ainda é muito glamorosa.

O que é duro como um caroço, a gente amolece.
O que é azedo, a gente espera que fique maduro e doce.
O que é saudade, a gente lembra que foi algo gostoso.

Caroço.
Caroço.
Caroço.

Matemática e amor



Na matemática do amor, é assim:
Você aprende que um mais um é igual a um.
Aprende que um menos um é igual a nenhum.
Um parece tender ao infinito sem fim.

Um dividido por dois não dá pra dividir.
Porque a gente não divide um amor.
Não tem regras, não tem como definir.
É único, é um, é única, sem divisor.



sábado, 10 de novembro de 2012

Palavras de Albertina


Como saber se o completo é real
Se o espaço não está mais em mim
Quando acreditar que o presente não é banal
E que a busca teve fim

Por que menos expectativas criar
Se o que vejo é tão arrebatador
Que me faz, com forças, querer segurar
Preenchendo onde outrora havia dor

Ah, se houvesse poucos questionamentos
Minhas dúvidas seriam em vão
A certeza confirmaria esses sentimentos
Trazendo menos palavras, muito mais ação
(Albertina)

Como saber. Se. Quando acreditar. Por que. Palavras.
Certamente não há como ter a certeza, somente uma:
A de que um dia morreremos, e nossos corpos comerão as larvas.
Auroras sem fim passei, e passou. Deixo tudo e busco a bruma.

Lavando a areia, lavando e levando tudo, para o infinito do mar.
Leve este espaço, leve estas expectativas, leve a dúvida, leve a dor.
Leve tudo mas, não leve a esperança. Como há de ser, há de passar.
E quando passar, haverá um lugar reservado para o amor.

sábado, 3 de novembro de 2012

Vaso Grego



É dolorosa a espera para sentir novamente.
Teu cheiro, tua pele, teu cabelo, tua boca.
Deitar meu corpo sobre o teu até sentir dormente.
Deixar meus lábios caminharem até ficar louca.

Desejos me acertam como flechas.
E teu sorriso em minha mente se faz.
Tão perigosa que com uma brecha
Possui como um demônio voraz.

Foram tantas as cartas escritas quanto rasgadas.
Engraçado como tudo muda, mas permanece.
Foram tantas as noites de tormenta quanto às acordadas.

Mas de tudo isso, a gente finge que esquece.
Pra fingir que não sente dor, fingir que é forte.
Mas no final, sabemos que quando é amor, somos fracos.


domingo, 21 de outubro de 2012

Um, Uma


Não aguento mais fugir.
Quero tê-la. Novamente.
Quero ter porque sorrir.
Meu coração dormente

Sente falta de bater forte.
Não quero, e não consigo.
Esquecer pra quê? Um corte,
Uma cicatriz. E eu lhe digo:

Dói. 

ROMA


Tudo passa. Até o que não queremos.
Ultimamente, eu me resumo numa só palavra:
Você. Engraçado, mas ao mesmo tempo,
Angustiante. É como tentar segurar água.

Tudo pode estar bem. Mas sem você deixa de ser tudo.
E aí, por alguns detalhes, o rico vira pobre.
E aos poucos, eu vou deixando de ser eu.
E aí, eu lembro que tudo passa.

Recomeço



Sem dúvidas, todo fim é um recomeço.
Marcado por momentos de lembranças,
Das quais eu tento, mas não esqueço.
Dos risos, olhares, beijos, danças.

Que não passam disso, lembranças perdidas.
A dor é amarga, mas a coragem é duvidosa.
É difícil, aturar todas as feridas ardidas.
Mas pior, é não poder segurar a minha rosa.

Sensível, perfumada, delicada, linda e deslumbrante.
Foram tantas frases escritas quantas apagadas em seguida.
Tantos sorrisos quantos beijos e abraços restantes.

Tão louco como o tormento na mente de um suicida.
Tão alucinante como a viagem de um viciado.
Sem dúvidas, todo recomeço é um fim marcado.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Como neve


E os dias cada vez mais se parecem iguais, como chuva.
E meus olhos ainda sofrem de fome pelo seu lindo rosto.
E meus braços sentem falta de alguma coisa na hora de dormir.
E meu nariz ainda procura seu cheiro por todos os cantos da casa.

E minhas mãos procuravam suas maçãs para acariciá-las.
E meus pés encontravam os seus, aquecendo, carinhosamente.
E meus dedos penteavam seu cabelo ora num lindo despenteado.
E minha boca percorria todo o seu maravilhoso corpo de porcelana.

E meu sorriso sente falta de algum motivo para aparecer.
E meu short de dormir ficava tão bem em você.
E minhas pernas já não podem mais te prender.

Agora, tudo o que resta é saudade de tudo.
Os cômodos ficam vazios, cheios de poeira,
Feito eu, relembrando disso a noite inteira.



domingo, 15 de abril de 2012

O barquinho

Certo dia, estava sentado na casa da minha Avó. Na verdade nem era minha avó de verdade, mas significava muito mais que isso. Mas deixando tudo isso de lado, ela me dizia sempre que eu era um barquinho. Onde Deus havia me colocado num rio, o rio da vida. E o barquinho ia sendo levado pelo rio, às vezes ele ficava preso num galho, em lugares estranhos, e permanecia lá por algum tempo, esperando que chovesse para que o rio subisse, e pudesse tirá-lo de lá. Às vezes o rio ia ficando sem água, e o barquinho não navegava. Ele esperaria de novo pela chuva, para que pudesse voltar a sua viagem. Eu perguntava, "Mas Vó, esse barquinho não afunda? Por quanto tempo ele vai aguentar isso tudo?" Ela sorria, ajeitava seus cabelos loiros sem cor, me olhava com aqueles olhos azuis cristalinos, acendia um cigarro, como quem se preparasse pra dar uma notícia assustadora. Mas ela simplesmente dizia, que só Deus sabia o porquê do barquinho não afundar, mas o barquinho tinha que tomar cuidado mesmo assim, porque não é qualquer barquinho que aguenta tudo. E eu perguntava mais, "Mas Vó, Deus que faz chover?" , ela dizia que, a natureza era uma dádiva de Deus. Às vezes, pode cair uma chuva de repente, o tempo pode virar sem explicação. Quer dizer, sem explicação não. E ela ria, tossia, fazia um carinho na minha cabeça.. E eu sempre perguntava o que haveria no final do rio. E ela simplesmente dizia que um dia eu descobriria.
E os anos foram se passando, e toda vez que eu a visitava, e acabava deitando no seu colo, choramingava as dores da vida, ela fazia aquele carinho que só ela sabe, me acalmava, e acendia um cigarro. Eu sempre reclamava da vida, das pessoas, de tudo... Sempre dizia que não conseguia ver a felicidade em nenhum lugar. E ela dizia que eu era um barquinho. E eu dizia que não queria ser um barquinho. E ela dizia que eu era, querendo eu ou não, e devia aceitar isso. Dizia que eu devia aceitar mais as pessoas, aceitar que eu não posso mudar e querer que o mundo mude comigo. Ela dizia pra aprender a ser feliz, a felicidade não é algo pra se sentir todos os dias, mas são momentos, momentos bons. Ela dizia que eu era uma boa pessoa, que tinha um coração bom, e por isso sofria demais. E eu descobri, que ela tinha razão. Eu sofria demais, sofria por tudo, sofria por todo mundo. E eu perguntei, "Mas Vó, o que eu faço?" , ela ria. E eu dizia, "A chuva" .
E percebi que devemos esperar o momento certo para mudar, mas não esperar demais. O tempo não volta, os momentos também não. Não posso carregar o fardo de ninguém, o meu já é pesado demais. E se o mundo não mudar por você, não se desespere, não se mate. Aprenda a aceitar que o mundo não gira em torno de você, e é você quem tem que se adaptar as mudanças dele, e não ele às suas. Nunca tive uma amizade tão forte como essa, com uma pessoa, com décadas a mais de idade, de experiência.
Às vezes, ver o quanto você está errado, o quanto você aumenta as coisas... Às vezes, ver isso de fora ajuda muito. E assim, termino isso. O barquinho ainda não chegou ao fim.

Na areia


O mar pode resumir muitas coisas, difícil é perceber.
Quando a onda vem, levando tudo pra bem longe da gente,
Deixando uma bruma gostosinha, divertida, boa de ver.
Às vezes, ela leva o que nos faz forte, e a gente sente.

Sente tanto, que sentimos vontade de correr atrás,
Pular no mar, sabendo que é impossível, pra resgatar
O que ela levou... Às vezes, isso nem é tão importante mais,
E perdemos a cabeça, vamos em direção ao mar, sem saber nadar.

Ninguém quer perder algo aparentemente bom, bonito.
Mas ninguém sabe, ela pode trazer algo bem, bem melhor.
Enquanto isso, a dor fica aprisionada na garganta, um grito.

E as lágrimas imitam as ondas, num ritmo acelerado, maior.
Às vezes, ao tentar salvar o que as ondas levaram, perde-se mais...
Proteja-se na areia, e espere que alguma hora, algo melhor virá.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Dormindo acordado



Algumas pessoas têm medo de dormir.
Algumas pessoas têm de dormir e não acordar.
Outras pessoas não gostam de nele cair,
Por não saber para onde ele as pode levar.

Quando sonhamos, nunca lembramos o início,
Não sabemos o que irá acontecer, como um teatro
Improvisado onde somos protagonistas, entre quatro
Paredes, presos pelo sono, absortos em pensamentos e vícios.

Há pessoas que dormindo conseguem sonhar.
Há pessoas que conseguem sonhar acordadas.
Mas há aquelas que ao invés de sonhos, pesadelos.

Onde a luz se transforma em sombra e a coragem em medo;
Algumas pessoas têm medo de dormir e ter pesadelos.
Algumas pessoas têm medo de não acordar e viver um.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Dia na praia


Estava na praia, abraçado com ela.
Estava nublado e ventava suavemente.
Seu abraço era perfumado como canela.
O céu ameaçava sol como quem mente.

A água era perfeita para um mergulho.
Sua cor era pura, cristalina como diamante.
Seu som era tranquilo, lento, oh marulho.
E dela, tornei-me marido e amante.

E dela, a pele era mais macia do que veludo.
E dela, os olhos mais lindos e inocentes.
E dela, nela não tinha como não ter tudo.

E o sol se ia, num lindo crepúsculo, ardente.
E quando os lábios dela tocaram nos meus,
O sonho terrivelmente tinha chegado ao fim.

Resfriado

Há muito tempo via uma folha vazia,
Mas não sabia o quê nela pôr.
Era tão grande em mim que não cabia,
Assim, transbordou o meu amor.

Optar pela solidão é o melhor caminho
Quando não se está pronto para perder alguém.
Render-se ao carinho,
É como estar no paraíso, à beira do abismo e réquiem.

Por que a felicidade é tão breve como um espirro,
Enquanto que a saudade, a dor, são um tremendo resfriado...?
Talvez fosse mais fácil deixar a folha intocável, vazia.

Talvez. De tantos encontros e despedidas eu me tiro,
Ótimo começo, trágico fim. E foi sendo assim... arrasado.
Aos poucos, percebe-se que a paixão sempre esfria.