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sábado, 21 de novembro de 2009

Soneto do desconhecido

Nada sou para quem um dia ofertei tudo o que tinha.
Jogou-me fora como se fosse uma simples peça descartável.
Tu não és mais quem meu coração previu que vinha...
Inda assim o balançou de uma forma inimaginável...

Fizeste de mim uma mísera máquina de fazer amor...
A qualquer hora, a qualquer lugar, sempre ao teu dispor...
E minha pobre alma até hoje tu não paras de atormentar...
Fostes um demônio que minha’lma ainda insistes em torturar...

Meu sangue em tuas mãos já começa a se putrefazer...
E de mim tu já estás cansada de sempre se desfazer...
Desejo apenas que me afogue em meu sangue derramado.

Para que acabes deste modo com todo o meu sofrimento...
Para que me abandones na escuridão como algo descartado.
Para que tu esqueças que existi nalgum único momento...

-Namur...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Nem sempre

Algumas árvores, no inverno, perdem as folhas e ficam nuas.
E quando ele passa, elas nascem novamente mais belamente.
Algumas flores só se abrem quando no céu vêem a linda lua.
Outras só se abrem quando sentem o calor do sol latente...

O inverno de tão frio que é pode chegar a queimar...
Mas o vento passa e traz uma nova e outra estação.
O verão. Necessário para aquecer o nosso coração...
Desejado por aqueles que do sol querem aproveitar...

E novamente o vento passa e leva tudo embora...
Primavera! Oh quão linda é esta quimera amada!
Flores lindas ela faz surgir, sem muita demora...

E de repente, as flores murcham e são acabadas.
E servem de enfeite para o pobre e duro chão...
As estações sempre mudam... As pessoas não.


- “As estações sempre mudam... Por que sua ordem também não mudaria?
As rimas mudam... Os dias mudam... O dia vira noite, o sol vira chuva... Folhas caem, folhas nascem diferentes... Pessoas matam, pessoas roubam... Pessoas se redimem, pessoas agridem umas as outras, pessoas são gananciosas, pessoas pensam em si própria em primeiro lugar, pessoas adquirem consciência, pessoas ÀS VEZES podem mudar... Raros são os casos em que se constata a mudança efetiva... As estações SEMPRE mudam... As pessoas não!


-Namur...

domingo, 15 de novembro de 2009

Ausência de compadecimento

Maldita seja a espera pelo que não desejo esperar.
Maldita seja minha luta contra minha relutância.
Maldito seja o momento esperado para me cruciar...
Esse que talvez dê um fim em minha ignorância...

Cansado de ter em meu peito algo putrescível...
E esta síncope parece nunca encontrar o seu fim.
E minha mente não consegue ser compreensível...
Enfrenta os fatos ignorando-os e afastando de mim...

Afogo-me em todo meu inútil e desnecessário furor...
Agoniado por tanto esperar, sem ter nada a meu favor...
O vento traz a chuva assim como o amor a minha dor.

Ludibriado por todos ao meu redor não encontro saída...
Não vejo oportunidades para acabar com essa puída...
Não vejo à hora de dar um fim e torná-la destruída...


- Namur...

Ideias controversas

De tudo há um lado ruim. Veja só dar asas para voar...
Com o tempo vemos que não podemos mais segurar...
O pior é que de nada adianta se ressentir, sentir furor...
Nem tudo que pensamos em ser bom é de fato promissor...

De que me adianta ter pernas se para meu amor não posso andar?
De que me adianta ter olhos se a meu amor não posso olhar?
De que me adianta ter tudo se de tudo nada é o que me resta?
De que me adianta ter a cura se a doença em mim não se manifesta?

Talvez tudo isso não passe de uma crônica hebefrenia...
Talvez um dia eu ainda me afogue em minha poesia...
Talvez, quem sabe, sem limitações eu sinta seu primor...

E um dia talvez eu possa ver por meus olhos seu fulgor...
Enquanto esse dia não chegar, inibirei este pensamento pungente.
Enquanto não chegar, contentar-me-ei com sua ilusão não-reluzente.


-Namur...

O corvo

Ontem a noite um corvo pousou na minha janela...
Por um momento pensei que fosse minha cortina...
Mas ele viera e em sua boca estava o coração dela...
E então, a dor chegou e até agora ainda me abomina.

Jovem demais para partir, cedo demais para sucumbir...
Triste é para aqueles que não enxergam outra saída...
Triste é para mim, ver-te durante minha vida dormir...
Desistiria dessa... Fecharia assim esta minha ferida...

Derramo lágrimas tão negras como as suas penas...
Escorrem pelo meu rosto e encontram o chão duro,
No qual estarei aqui neste quarto completamente escuro...

Seu coração frígido me traz lembranças pequenas...
Nas quais me afundam cada vez mais em meu cruor...
Não busco outra saída, senão o seu triste doce amor.



-Namur...