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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Remador



Não adianta correr, não adianta fugir.
O sol nasce para todos e a dor também.
Não adianta gemer, não adianta grunhir.
Todo mundo já sofreu por algo, ou alguém.

O grande problema da dor é a própria dor.
Ela precisa ser percebida, precisa ser sentida.
Ela te apavora, ela te tortura sem amor.
O grande problema da dor, não é a despedida.

São todas as despedidas juntas, incontáveis.
É uma dor que vem de dentro para fora.
É uma dor que vem do coração, miseráveis!

É uma dor que não passa, não quer ir embora.
É uma dor que deve ser sentida.
Não adianta correr, não adianta fugir.

Lar doce lar


Todo mundo mora em algum lugar.
São lares diferentes, sem um padrão.
Meu lar é onde fica meu coração.
E isso, eu não tenho como negar...

No meu lar, janelas abertas são seu olhar.
No meu lar, uma porta aberta é o seu sorriso.
No meu lar, não existem fechaduras para trancar.
No meu lar, tudo é tão maravilhoso, como o paraíso.

O meu lar é feito o vento. É suave e sereno.
Toca meu rosto como toca a minha alma,
Envolve meu corpo, me faz sentir pequeno.

Não sei de onde vem, e nem para onde vai.
Não sei se fico preocupado, ou se mantenho a calma.
Só sei que o meu lar não é um lugar, mas um alguém.


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Deficientes


Que tal fechar os olhos por um instante.
Agora olhe para mim, mas mantenha-os fechados.
Diga-me o que você vê. Não seja relutante. [...]
Tente ver as coisas com os olhos vendados.

Assim como quem não enxerga, desperta a audição;
Quem sabe de olhos fechados não desperte o coração?
Sentir as coisas com os olhos não parece funcionar;
Somos deficientes de sentimentos, vemos sem enxergar.

Agora tente fechar a boca por um momento.
Tente me dizer como você está se sentindo.
Assim como o mudo fala com as mãos, fale com o coração.

Ele é colocado de lado, e até esquecido. É um lamento.
Somos feito bonecos sem emoções, sempre sorrindo.
Bonecos não falam, não enxergam, não tem emoção.



Revelações



Quando se quer muito algo, se vai lá e faz.
Quando não dá, inventamos uma maneira de fazer.
Quando se faz questão de algo, não há limites.
Quando não se faz, tanto faz.

Quem diz que quer e não quer, dá uma desculpa.
Ter sem possuir é não ter só que tendo um pouco.
É como areia movediça, se ficar muito tempo, afunda.
Quem foi quem inventou os sentimentos?

Será que é pra levar a sério, ou seria uma brincadeira?
É tão injusto, entrar na vida de alguém, tirar tudo do lugar,
E depois, simplesmente se retirar e desaparecer por aí.

A vida é tão injusta com certas coisas, tanto faz.
No mundo real, pessoas não são mais pessoas.
São objetos descartáveis. Questão pra que? 

Paraquedas

Nunca imaginei que amar fosse uma aventura.
É uma mistura meio maluca de sentimentos.
Foi como voar num avião, sentindo no rosto o vento,
Completa loucura, mas eu nunca tive medo de altura.

E a vista lá de cima é outra completamente impressionante.
Pude ver como o mundo é grande, e como era legal voar.
Enfrentei algumas turbulências, sempre muito emocionante.
Tudo saia do lugar, e o coração não parava de palpitar.

Contudo, é perigoso se aventurar, é preciso correr riscos.
E foi numa turbulência que eu precisei abandonar o avião.
Dia cinza, frio, ventos fortes, e lá fora, um grosso chuvisco.

Saltei. Abri meus paraquedas. Foi uma loucura, pura emoção.
Só assim, pude ver quão grande era o meu paraquedas por ela.
A pior parte foi dobrá-lo. A segunda, cuidar dessa “sequela”.


terça-feira, 15 de abril de 2014

Defeito

Quando se ama, muita coisa perde a importância.
Quando se ama, se ama, e isso é o que importa.
Dizem que o amor é para sempre, e ele é.
O para sempre é composto de agoras, olhe só.

Quando se ama, se ama, não importa o lugar.
Quando se ama, se ama, as pessoas são o lugar.
Dizem que amar é encontrar a si mesmo, e é.
É encontrar a si mesmo em outra pessoa.

Quando se ama, se ama, inclusive os defeitos.
Quando se ama, não importa se somos perfeitos no mundo.
Dizem que o amor não tem limites, e não tem.

Quando se ama, se ama, de corpo e alma.
Quando se ama, se ama, e só.
Dizem que amar é encontrar o amor perdido no fundo do mar.

A lasca


Dia cinza, a chuva não deu trégua. O frio inflamou a garganta, e a dor o peito. Terminara de ler um livro, e nele vi algumas palavras de Buda. Ele disse que tudo o que é construído termina por desmoronar; a primeira coisa que se passou pela minha cabeça foi que então, segundo ele eu estou desmoronado. Não levei a frente isso, e continuei lendo. Ele disse, também, que o sofrimento é causado pelo desejo; e então foi que a segunda coisa que me passou pela cabeça foi ela; o meu desejo. Continuei lendo, e ele sugeriu que a suspensão do desejo implicava na suspensão do sofrimento, e se pararmos de desejar que as coisas perdurem, não iremos sofrer quando elas desmoronarem... Realmente, muito profundo, verdade verdadeira, emocionante. Mas, eu não podia abrir mão desse sofrimento. Não podia porque a única coisa que me mantinha ligado a ela era o meu desejo. Sem o meu desejo, ela não seria nada. Ela era tudo, só não sabia disso. Ela desmoronaria em mim, deixaria de existir, se eu não a desejasse. De qualquer forma, eu teria que escolher entre deixar de sofrer por deseja-la e sofrer por não tê-la mais dentro de mim, ou sofrer por deseja-la. O desmoronamento é inevitável, o amor também.
Desejos levam ao sofrimento... Então não desejar seria não sofrer... E o caminho para a felicidade seria não desejar... Mas, não seria a felicidade, um desejo? Por mais que seja consequência de não desejar, no final das contas, agimos almejando a felicidade; desejando-a. No fundo, se a felicidade é um desejo, a felicidade leva ao sofrimento também. Sofrer é inevitável, amar também.

O amor é frio como o Alasca, aquilo em que o mar bater, congela.


Quando estamos tristes, o que fazemos? Choramos; Quando estamos felizes, o que fazemos? Sorrimos; E quando amamos? O que fazemos? ... Fazemos tudo errado.  

segunda-feira, 3 de março de 2014



Às vezes, parece que ao invés da vida ter me pregado uma peça, ela resolveu me pregar o teatro inteiro.

Amor iludido


Seu sorriso foi o tesouro que a minha ganância quis.
Seu olhar é o raio de sol escondido pela tempestade.
Seu nariz nada sentiu, e sua orelha jamais ouviu minha boca.
Seu corpo longe do meu, agora está, e sempre estará.

Sua pele é uma porcelana rara, que nunca vou ter.
Sua mão na minha foi uma miragem, como o amor.
Seu rosto é uma pintura, guardada num museu.
Seus lábios... Ah, seus lábios! São só seus...

Seu corpo é um pêssego, perfumado, e gelado.
Seu perfume é uma lembrança amarga, traiçoeira.
E seu calor... Alimenta o gelo vivo em meu peito.

Sua sombra é ótima para suas falsas verdades;
Na sua ausência, aprendi a fazer a minha.
E do meu amor, o amor mais iludido.

domingo, 2 de março de 2014

Olhos gelados



Meus olhos estão a sua procura dos seus.
Eles são a janela para a alma, e preciso ver a sua.
Não há nada que eles escondam. Ficaria nua.
Preciso fazer dos seus suspiros, todos os meus.

E dos seus seios, o lugar perfeito para estar.
Perto de seus lábios, perto de seu coração;
Tendo em minha cabeça o carinho de sua mão;
E em minha alma, a certeza que estava a procurar.

Isso não se trata de uma história de amor.
É algo muito maior do que uma história boba.
Isso se trata de uma história sobre o amor.

É impossível esquecer alguém a qual sorrisos, rouba.
E que deu tantos motivos para ser lembrada com carinho.
O que há de se fazer, quando tudo o que se ama, se amou sozinho?



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O seu nome

Todos os dias, o sol se põe para que a noite vir.
E assim o fez, caminhando em direção ao fim.
Ao fim do dia, a fim do fim, a fim de nada, enfim.
Nada adianta o pranto. Deve-se sorrir para dor ir.
(...)
Se viver fosse fácil, a vida se chamaria morte.
E se a felicidade existisse, teria o seu nome.
Se amar fosse fácil, não seria necessário ser forte.
Se a tristeza existisse, teria o seu nome.

Porque sei que existe alguém com um poder incrível.
Um poder de arrancar sorrisos e risos, mas também,
Um poder de arrancar lágrimas e sangue; infalível.

Porque é você quem tem esse poder sobre mim.
Você é a minha luz escurecida pela noite,
E eu a sua escuridão iluminada pelo dia.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Amador, ama dor, amor

Como podem as pessoas não gostarem de sentir dor?
Ela é o melhor remédio para esquecer todas as dores.
A dor gera força, e o sofrimento torna humilde, o amor.
Ela nos torna mais humanos; como num jardim morto, flores.

Dor é sinônimo de vida. Sinta-se vivo, sinta dor, sofra, viva.
Se algo perturbar, procure uma dor maior ainda, que passará.
A dor é maior que tudo. Ela é tão cega como o amor, quando se cativa.
Uma dor engole outra dor. Ache uma nova, e a outra morrerá.

Afogue seus medos num mar de dores, e volte para casa.
Lembre-se que rosas possuem espinhos. Cuidado ao segurar.
O amor é cego; e muita força pode pôr o coração em brasa.

A dor é cega; e muita força pode fazer a pessoa sangrar.
Quem não teme a dor, não teme o amor. Ame a dor, o amor.
Sofrer é como amar; intenso, real, verdadeiro; Amador.


Negro no Branco


Chega uma hora que a gente se esgota.
A gente cansa de ser tratado como idiota.
Ou melhor, não é a gente, não existe ‘nós’.
Na nossa galáxia não existe espaço para dois sóis.

Escarraria no seu rosto, para demonstrar o nojo.
Não olharia seus olhos, para não sentir vergonha.
É ridículo; É patético; aquele quem sonha.
Juntei tudo, desde o início, até o fundo do bojo;

Rasguei, queimei, amassei, juntei, e dei para o lixeiro.
Para se juntar ao lixo, a merda, e tudo o que não presta.
Que os vermes se alimentem, e comam tudo por inteiro.

Que os corvos venham depois, e comam o que resta.
O sangue corria nas veias queimava; em putrefação.
Lágrimas azedas, palavras sórdidas; acabou a ilusão.