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terça-feira, 18 de novembro de 2008
Nostalgia
Para poder-nos ter um momento de quietude?
Percebemos que escolhemos outro caminho, e nesta virtude,
Percebo que talvez não seja preciso viver para saber.
E na hora que o primeiro raio matinal,
Faz um carinho em você? É como ter o amor
Como bateria. Não é diário, semanal, nem anual.
É desde o sol nascer até se pôr.
E nesse momento quase indescritível,
Vejo que sou quase invisível,
Otário e sem graça. Apenas com um lápis e papel.
Percebo que ter-te meu doce mel,
É uma tarefa quase impossível.
Nosso romance seria um pedaço de céu...
“De que importa meu pundonor?
Para que me vale ser pensador,
Se de tanto pensar no amor
Eu só ganho torpor?”
sábado, 3 de novembro de 2007
Noite profana
Não me peça para fazer promessas...
Não se preocupe como vou ficar.
O sofrimento não me assusta,
A dor não me surpreende mais.
Já cruzei o inferno algumas vezes
E minhas cicatrizes não mentem.
Se o pior acontecer, o que posso fazer
Senão suportar mais uma vez.
Acho que me acostumei tanto
Que não me incomodo com o pranto
Ou com o coração apertado.
A dor me faz lembrar que estou vivo,
E com um sorriso no rosto, permaneço calado.
Reúno meus demônios e damos um abraço coletivo.
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Passaporte para o paraíso
Talvez nunca descubra a textura dos seus lábios,
Ou a respiração taquicardíaca quando seus olhos
Miram os meus, inevitável como a onda que levanta
E que vai quebrar ao chegar perto da areia...
Eu vou confessar que enterraria meu nariz
Nas montanhas das suas curvas, do pescoço
Até seus quadris, e lá dormiria para sempre.
Prenderia seu rosto nas minhas mãos
A fim de não perder o revirar de seus olhos
E sua boca abrir involuntariamente e sorrir depois
Abraçando-me e secando o suor de nossos rostos.
Nunca imaginei que o preço do paraíso
Seria pago cometendo um pecado.
E para chegar lá passaria pelo inferno...
Vulneráveis
Você sabe que é errado, e eu também.
Não deveríamos ter permitido tamanha entrega,
Nem alimentado nossas imaginações
Com desejos e vontades proibidas...
Estava perdido, cruzando linhas que não deveria
Assustado, vendo meus limites serem testados
E você sussurrando para eu sair da sua frente,
Com maxilar travado e respiração funda, o faço.
Na prática não cometemos nenhum pecado,
Mas, não seria o desejo em si, uma outra forma?
No final das contas, a verdade é que o que importa
É qual história estou contando para mim mesmo
Para defender esse sentimento. Somos vítimas,
Somos autores? Seja um ou outro, somos covardes.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Copo vazio
Você pode sonhar em cores,
Eu vivo em preto e branco.
Não é a mesma coisa
Sem tua presença.
Lembranças do que não vivemos
Martelam meus pensamentos
E o desejo por você
É como usar a forca da minha varanda.
Sufocam meu pescoço
Mas preciso permanecer em silêncio
Pois ninguém pode saber desse amor.
Se não alimentar, não cresce
Se não cuidar, não sobrevive
E finalmente morre.
Coração só bombeia sangue
Amar é saber perdoar. É sobre ter paciência, ter resiliência. É sobre amadurecer e saber o seu lugar. Amar é não abandonar o barco quando o mar estiver agitado. Decisões não devem ser tomadas quando o sangue está quente e o coração partido. Somos induzidos a buscar um refúgio longe de toda turbulência, a buscar o conforto de um abraço que nos envolve, um olhar que tenha empatia e nos entenda, conversas que nos façam dar valor a nós mesmos. Nosso instinto é o de sobrevivência, por isso tendemos a fugir do que é perigoso ou do que nos machuca.
Crescer dói, e ninguém quer sentir dor. Mas, ela é necessária. Tudo o que queremos é fugir para algum lugar onde nos possamos sentir seguros, assistidos e compreendidos.
Por mais doce que seja esse lugar, por mais lindo que seja o seu sorriso e puro o seu olhar, e queira cometer esse pecado que é estar com você, mergulhar no seu abraço, perder-me no seu corpo e esquecer minha boca na sua, eu preciso lutar.
Eu não posso desistir sem antes ter feito tudo que estiver ao meu alcance. Não posso abandonar esse barco durante a tempestade. Por mais que eu queira estar no seu abraço, eu preciso ser forte. Preciso esgotar todas as minhas forças, usar toda minha energia para ter certeza de que sozinho o barco não sairá do lugar.
Preciso dar tempo ao tempo para que o amadurecimento aconteça, uma vez que você já alcançou esse patamar não seria justo tal comparação. Seria como trapacear, e escolher sempre o que fosse melhor e mais viável, sem querer passar pelo vale da transformação e do amadurecimento... Lembra-te que a beleza está no processo e não no fim.
Com a cabeça dormente e boca amarga, rasgo meu peito e retiro esse sentimento que faz meu coração querer parar e meus olhos cuspirem. Como é difícil ser forte e lutar para manter um amor que você sente escorrer pelos seus dedos...
Não sou do tipo que desiste. Eu não vou desistir. Vou até o fim.