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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

"Semtidos"

 

De tudo que o corpo humano é capaz de sentir,

Audição, tato, visão, paladar e por último, o olfato.

Ele carrega em si momentos, cores, sabores e texturas.

Traz à tona tudo em um único instante, sem nos pedir

 

Permissão, ora despertando prazeres nada pacatos,

Ora relembrando momentos de mais pura tortura.

Nada pode reavivar o que é sentir o cheiro do seu pescoço

Uma mistura de pefume com nosso suor...

 

Posso sentir o calor do seu peito no meu,

Posso ouvir do som do seu canto de prazer,

Posso ver os seus olhos a revirar,

 

Posso até sentir o sabor do seu beijo.

Entorpecia essa alma ferida

Agonizada e traumatizada pela vida.

Amortecedor

 

Parei de pensar e pus duas pedras de gelo no meu copo

A fumaça do charuto afasta os pensamentos de mim

Parece que o tudo o que contruí se foi com um sopro

E todo amor que vivi, amei sozinho até o fim.

 

Jamais imaginei que sozinho estaria menos só

E que caminhando nesse deserto encontraria a mim mesmo

A noite cai e o vento leva para longe o amor que virou pó

E a lua ilumina a ilusão alimentada por quem escreve

 

Perdendo a cor, a esperança e a rima.

Assim como o poeta, o copo se esvazia

Mas a garrafa da vida torna-o a encher

 

A lua se vai mas o sol está a nascer

Na certeza – ou não – que o que doía

Lembra-me que a força vem de cima.


Sentimentos eviscerados

 

Sentado na varanda em uma quinta-feira

Saco da caixa meu instumento

Higienizo minha alma com algo que cheira

A carvalho, e assim descrevo meu sentimento.

 

Entre uma puxada e outra a fumaça sai pela boca

E consigo abrir meu peito e escrever o que aqui jaz

Quando a dor que atropela não é pouca

Tendo o cuidado de não cortar fundo demais

 

E assim liberto os anjos e os demônios de mim.

E os ofereço uma dose de whisky para brindar a liberdade

Pois, um poeta não é aquele que rima e organiza palavras.

 

É aquele que sabe dissecar a alma e liberar todas as travas,

Apreciar o amor, apreciar a dor, a solidão de verdade.

É o alquimista que transforma emoções em sua varanda – ou jardim.