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sábado, 21 de março de 2026

O egoísta

 

Torço para que o vento possa te encontrar,

Tocar seu rosto, seu lábios,seu cabelo

E pela última vez meu abraço possa te entregar,

Na eternidade desse momento efêmero

 

Que você saiba que não consigo mais.

Meus sonhos morreram.

Não há mais porquê.

Encontrei a minha paz

 

Na solidão da minha alma.

Uma vida só é um desperdício

Mas aceitar traz a calma

 

Necessária diante desse precipício.

Por um tempo pode doer

Mas um dia todos vão esquecer.


terça-feira, 17 de março de 2026

Famintos

 

Todo excesso esconde uma falta, ou seria a falta que move o desejo

E nos mantém em movimento para preencher nossos vazios?

Na batalha clássica entre razão e emoção o que mais vejo

São pessoas quebradas, corações partidos, e nada de queimar navios.

 

O álcool parece tentador quando estamos famintos por confiança.

O sexo parece mais atraente quando estamos famintos por amor.

O veneno parece ser a balança quando estamos famintos por paz.

A validação parece ser o remédio quando estamos famintos por significado.

 

E o excesso de tudo não vai preencher a falta que há em nós

Mas pode ser que aumente a falta, que aumente o desejo.

E então nos faça buscar outra coisa em excesso para suprir.

 

A ausência de controle gera caos, desespero.

O desespero nos transforma em animais.

Quem está faminto não mede consequências, apenas consome.



domingo, 15 de março de 2026

Epifania

 

Como deve ser descobrir que você é poesia?

Que um simples sorriso e um olhar singelo

Pode despertar em alguém algo tão belo,

Profundo e inspirador... Como se sentiria?

 

Você tem cores que eu nunca vi,

Sabores que jamais pensei existir.

Seu toque me enfeitiça como pura magia

E seu cheiro me anestesia...

 

Esse sentimento arde incontrolavelmente,

Pois não se domestica fogo, ele queima como quer.

Que tolice seria negar aquilo o que se sente.

 

O amor tem uma voz e essa voz chama-se gesto.

Mostre-me seus espinhos e eu mostrarei minhas mãos

Prontas para segurar-te e sangrar se for preciso.



Ocaso

 

Acordei cedo e passei um café para assistir o sol nascer

Mas as nuvens o abraçaram e não pode se ver sequer um raio.

Andei até o jardim, com elas me vesti e não pude perceber

Se era chuva que escorria, talvez porque se aproximava de Maio.

 

A missão chegava ao fim e era hora de retornar para casa,

E encarar as ruínas, ou o que sobraram dela para mim.

Juntar os meus pedaços que ainda ardem como brasa

Nessa ferida aberta onde qualquer tentativa é uma tragédia, sim

 

Qualquer tentativa de carinho é vã. É preciso esperar

Para não causar mais dor, para a brasa esfriar

E não queimar ninguém que tente se aproximar...

 

O sol se pos e finalmente esperei pelo anoitecer

Mas do céu recolheram todas as estrelas.

Sigo preso na eternidade de momentos como esse.