Pesquisar este blog

sábado, 3 de novembro de 2007

Noite profana

 

Não me peça para fazer promessas...

Não se preocupe como vou ficar.

O sofrimento não me assusta,

A dor não me surpreende mais.

 

Já cruzei o inferno algumas vezes

E minhas cicatrizes não mentem.

Se o pior acontecer, o que posso fazer

Senão suportar mais uma vez.

 

Acho que me acostumei tanto 

Que não me incomodo com o pranto

Ou com o coração apertado.

 

A dor me faz lembrar que estou vivo,

E com um sorriso no rosto, permaneço calado.

Reúno meus demônios e damos um abraço coletivo.


sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Passaporte para o paraíso

  

Talvez nunca descubra a textura dos seus lábios,

Ou a respiração taquicardíaca quando seus olhos 

Miram os meus, inevitável como a onda que levanta

E que vai quebrar ao chegar perto da areia...

 

Eu vou confessar que enterraria meu nariz 

Nas montanhas das suas curvas, do pescoço 

Até seus quadris, e lá dormiria para sempre.

Prenderia seu rosto nas minhas mãos

 

A fim de não perder o revirar de seus olhos

E sua boca abrir involuntariamente e sorrir depois

Abraçando-me e secando o suor de nossos rostos.

 

Nunca imaginei que o preço do paraíso

Seria pago cometendo um pecado.

E para chegar lá passaria pelo inferno...


Vulneráveis


Você sabe que é errado, e eu também.

Não deveríamos ter permitido tamanha entrega,

Nem alimentado nossas imaginações 

Com desejos e vontades proibidas...

 

Estava perdido, cruzando linhas que não deveria

Assustado, vendo meus limites serem testados

E você sussurrando para eu sair da sua frente,

Com maxilar travado e respiração funda, o faço.

 

Na prática não cometemos nenhum pecado,

Mas, não seria o desejo em si, uma outra forma?

No final das contas, a verdade é que o que importa

 

É qual história estou contando para mim mesmo

Para defender esse sentimento. Somos vítimas,

Somos autores? Seja um ou outro, somos covardes.


quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Copo vazio

 

Você pode sonhar em cores, 

Eu vivo em preto e branco.

Não é a mesma coisa 

Sem tua presença.


Lembranças do que não vivemos

Martelam meus pensamentos

E o desejo por você

É como usar a forca da minha varanda.


Sufocam meu pescoço

Mas preciso permanecer em silêncio

Pois ninguém pode saber desse amor.


Se não alimentar, não cresce

Se não cuidar, não sobrevive

E finalmente morre.


Coração só bombeia sangue

 

Amar é saber perdoar. É sobre ter paciência, ter resiliência. É sobre amadurecer e saber o seu lugar. Amar é não abandonar o barco quando o mar estiver agitado. Decisões não devem ser tomadas quando o sangue está quente e o coração partido. Somos induzidos a buscar um refúgio longe de toda turbulência, a buscar o conforto de um abraço que nos envolve, um olhar que tenha empatia e nos entenda, conversas que nos façam dar valor a nós mesmos. Nosso instinto é o de sobrevivência, por isso tendemos a fugir do que é perigoso ou do que nos machuca. 

Crescer dói, e ninguém quer sentir dor. Mas, ela é necessária. Tudo o que queremos é fugir para algum lugar onde nos possamos sentir seguros, assistidos e compreendidos. 

Por mais doce que seja esse lugar, por mais lindo que seja o seu sorriso e puro o seu olhar, e queira cometer esse pecado que é estar com você, mergulhar no seu abraço, perder-me no seu corpo e esquecer minha boca na sua, eu preciso lutar.

Eu não posso desistir sem antes ter feito tudo que estiver ao meu alcance. Não posso abandonar esse barco durante a tempestade. Por mais que eu queira estar no seu abraço, eu preciso ser forte. Preciso esgotar todas as minhas forças, usar toda minha energia para ter certeza de que sozinho o barco não sairá do lugar. 

Preciso dar tempo ao tempo para que o amadurecimento aconteça, uma vez que você já alcançou esse patamar não seria justo tal comparação. Seria como trapacear, e escolher sempre o que fosse melhor e mais viável, sem querer passar pelo vale da transformação e do amadurecimento... Lembra-te que a beleza está no processo e não no fim. 

Com a cabeça dormente e boca amarga, rasgo meu peito e retiro esse sentimento que faz meu coração querer parar e meus olhos cuspirem. Como é difícil ser forte e lutar para manter um amor que você sente escorrer pelos seus dedos... 

 

Não sou do tipo que desiste. Eu não vou desistir. Vou até o fim.