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domingo, 19 de outubro de 2014

A vida é uma tragédia bem sucedida.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Arma dura

Eu tenho um sério problema com pessoas.
Quero afastá-las antes que se aproximem.
Na minha vida entra quem eu permito entrar.
Não adianta bater na porta se eu não quiser.

Ser conhecido é um ponto fraco. Passou a ser...
Ter a solidão não é o que planejo. Passo a ter...
Pessoas entram e saem todos os dias, de nossas vidas.
Não fazem diferença nenhuma... Por que fariam?         [...]

O maior erro que podemos deixar acontecer, é perder alguém...
Só há perda quando você ama mais uma coisa que a você mesmo.
Nada pode ser mais valioso do que uma vida pela qual a sua existe.

Fazia do seu sorriso, o meu. Do seu riso, o meu...
Até o dia em que fiz dela, meu lar...

Fiquei sem teto, sem chão, sem vida, sem mim.

Coleciona dor

Às vezes, é tão ruim conhecer as pessoas no seu íntimo.
Os problemas, imperfeições e medos passam a ser seus também.
Digo, quando se conhece alguém de verdade. Pessoas pesam...
São como rochas de diversos tamanhos e pesos que colecionamos.

Há rochas quentes, pontiagudas, pesadas, leves, bonitas, ocas...
Às vezes, a vontade que dá é de jogar as pedras pro alto...
Uma hora o saco fica cheio delas, e você não pode jogá-las fora.
O que podemos fazer é colocá-las no seu habitat e deixá-las...

Mas, ainda assim, é como se você a estivesse abandonando...
Haja tolerância para lidar com todo esse peso. Haja paciência.
E haja bom coração, para que não se use o que se sabe para o mal delas.

Às vezes, é inevitável. De sangue quente não medimos nossas ações.
O mais desafiador em se conhecer pessoas, é o que fazer depois que conhecê-las.
O conhecimento é uma faca de dois gumes, fere o ferido e quem o empunha.

Pessoas comuns não passam por nada disso...
São superficiais, e não se importam com nada.

É difícil engolir tudo isso em seco, e seguir adiante.
Mas, difícil mesmo, é carregar um saco de pedras.

Plástico bolha é melhor do que muita gente por aí.





Secura, se cura

Você percebe que há algo errado quando:
Espera uma mensagem de boa noite na madrugada;
Espera uma mensagem de bom dia de manhã;
Espera uma mensagem. Só uma...

Há algo errado quando você espera demais de alguém;
E esse alguém, na verdade, não espera nada, espera de menos.
O problema é que quanto mais esperamos, esperamos mais...
Porque pela lógica, quanto mais tempo, mais perto de acontecer.

Mas, a questão em jogo é que não adianta semear um solo árido.
Não vai germinar nada. E não adianta esperar a chuva salvar sua semente.
Um solo árido não o é por ser. Ele é devido as circunstâncias climáticas...

O ideal seria não escolher o solo, mas jogar todas as sementes ao vento.
Deixar com que ela caia em todos os lugares, e que pelo menos brote.
Seja na floresta amazônica, na terra roxa, no serrado, ou no deserto.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Amar alguém


O amor é algo complexo demais.
Há vários níveis, mas no fim é tudo amor.
Amar alguém significa ter carinho, ter consideração;
Significa dar valor, doar-se e dar-se ao mesmo tempo.

Amar alguém é entregar ao vento o que não é seu.
É deixar livre para que volte sempre que quiser;
Amar não é possuir, é saber admirar; saber respeitar.
Quando amamos alguém, nossas vidas se interligam.

É impossível amar uma única pessoa em toda vida.
Amamos nossos pais, amamos nossos amigos,
Amamos nossos animais, amamos pessoas estranhas.

O amor é do tamanho do mar, infinito e sem tamanho.
O amor é um só, não importa a sua intensidade.
O amor nunca morre, ele renasce. 

Melhor da pior



A pior parte de ser poeta é ser capaz de criar o que não existe.
É ser capaz de ver e sentir o que os outros não veem e não sentem.
É ser capaz de sentir o amor de todas as maneiras possíveis;
Alimentar e fazer crescer sentimentos que jamais sairão do papel.

A pior parte de ser poeta é ter que sofrer demasiadamente.
É fazer das dores, poemas; e dos poemas, cicatrizes.
É escrever para fazer morrer todas suas vontades impossíveis.
É colocar no papel o que um coração não consegue falar.

A pior de todas as partes de ser poeta é ver poesia em tudo.
É ver alguém cuspir um chiclete na rua e depois outrem pisar nele;
E se lembrar da última vez que alguém fez isso com você.

A melhor das piores partes de ser poeta é esperar a morte.
A morte traz seu valor, traz sua paz e acaba com sua dor.
Há dor maior que se sentir morto mesmo estando vivo?

Navio sem porto



É um gesto simples, meio bobo, mas com um poder imenso.
É um passar de mão entre os cabelos; um sorrir com os olhos;
É um beijo que se dá na ponta do nariz; um abraço intenso;
É um andar de mão dadas na frente do mundo;  sem abrolhos.

Às vezes, tudo que preciso é um pouco disso, carinho...
Para lembrar que ainda sou humano, apesar das amarguras.
Para lembrar que mesmo estando isolado e sozinho,
Sempre haverá alguém com o poder de tremer sua estrutura.

Um alguém que é, ao mesmo tempo, sua força e sua fraqueza.
Seu porto seguro; um cais para atracar o seu pequeno navio.
Por mais que navios não sejam feitos para ficarem atracados,

Ao fim de inúmeros dias de mar, precisamos não ter correnteza.
Precisamos de chão firme... Em alto mar os dias são os mais frios;
E as lembranças alimentam a saudade dos seus olhos e gestos.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Só um pouco


O que não nos é dado livremente não devemos insistir.
E como é ruim ser muito quando a outra é tão pouco.
A vontade é de pagar a tua ausência com meu esquecimento,
Mas, a esperança é uma maldição que puseram em mim.

Certa vez me disseram para nunca desistir daquilo que me faz sorrir.
E há uma linha tênue entre a insistência e a desistência...
No entanto, você pode até acabar com todas as chances que não tenho,
Mas, se há algo que você não pode impedir, é o meu amor.
[...]
Eu fico pensando no dia em que você vai acordar no meio da noite,
E resolver me telefonar para dizer que precisa me ver e buscar
Aquilo que deixou comigo desde o dia em que nos conhecemos...

Fico pensando no dia em que você resolver buscar a tua ausência,
E quem sabe, resolver levar alguma outra coisa em seu lugar...
Um pouco de carinho, talvez, ou quem sabe um pouco de mim.


Como fumaça


Não adianta fugir de quem está no nosso coração.
Não adianta preencher o espaço vazio com nada.
Quem está no nosso coração está em toda parte.
Não se preenche o vazio com nada, se disfarça.

Não adianta segurar a mão dele se quer a minha.
Não adianta tocar os lábios dele, se pensa em mim.
De quê adianta sentir tanta coisa, mas não ter coragem?
De nada, e de nada adianta sonhar sem buscar realizar.

Não adianta ser leve e estar por toda parte sempre,
Se nem tocá-la eu posso; se não posso prendê-la ao meu sorriso.
Como se viesse feito fumaça, e fizesse do meu amor seu combustível...

De tudo que 'não adianta' ela consegue gabaritar todos os quesitos.
E quando realmente se der conta, talvez, não adiante mais.
A cada escolha uma renúncia; a cada renúncia sua, um passo adiante.


Minha casa, meu lar


É difícil explicar, com palavras, a dor de um tormento.
É mais ainda ter que vivê-lo todo santo dia, incessantemente.
Ninguém disse que era para ser brando, seu sofrimento;
Mas nem ódio, nem revolta, só sinto dor ultimamente.

Sei que não devemos, meu Pai, nos comparar com os demais;
Mas devo então cegar meus olhos e calar meu coração?
Não sinto inveja, não sinto revolta... Só sinto que não sou capaz.
E de todas as tentativas, o fracasso se torna de praxe a premiação.

O que fazer quando o seu máximo não for o suficiente?                             [...]
Todos temos um limite. Atravessá-lo, às vezes, é perigoso.
Sinto como se segurasse uma pedra, com ambas as mãos, em brasa.

Já não quero que isso passe e nem que alivie para que me sinta contente.
Eu não quero, meu Pai, que sinta pena e por isso seja caridoso...
Eu só quero, e lhe suplico... Deixe minha'lma partir para casa.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Escuridão parcimoniosa



Eu não podia fazer mais do que pedir para ela se cuidar.
Eu mesmo não podia. Dizia um simples se cuide, mas por trás,
Eu gostaria que ouvisse um eu te amo. Quem ama cuida.
Eu amava, mas não podia cuidar. Isso me assombrava.

A solidão é um frio intenso que varre o coração.
Ela congela os sentimentos, congela o amor.
Ora se confunde com paz, ora com escuridão.
Labirinto da alma, negro como o abismo da dor.

Às vezes, parece mais fácil viver sozinho à amar errado.
Às vezes, não nos resta nada a não ser seguir em frente,
E se contentar com metades que não completam nada.

De tudo que ela poderia ter sido, foi apenas saudade.
E congelado vou seguindo sem saber para onde ir.
Cada vez mais, com uma tremenda preguiça de existir.


Pêssegos Mofados


Seu perfume e sua beleza eram absurdos.
Seu sorriso era poderoso... podia parar o tempo.
Fazia corações acelerarem, a todo momento.
Sua pele tinha uma espécie de relva de veludo;

Gostosa de fazer carinho e de passar o rosto.
E quando a encarava surgia um rubor alaranjado.
Cobria-a então com um cobertor de beijos ilimitado.
De todos, seus lábios são os que eu mais gosto.

Sem saber, fui guardar meu pêssego em um pote de vidro.
Assim, ninguém poderia tirar nada dela, sequer um cheiro.
Não era um qualquer... aquele pêssego era um sentimento.

Certo dia o vidro chorou e ele não era mais o mesmo...
Estava com um tom de verde, parecia possuir por inteiro.
O pêssego havia mofado e nada doía mais que isso naquele momento.

Queijo passado


Existem vários tipos de pessoas. Eu sou do tipo queijo.
Não aquele branco, mas sim o amarelado, meio duro.
Esse mesmo, parece suíço só que não é mas, tem furos.
Quando novo gera aquela água cheirosa que desperta o desejo.

Água meio salgada, feito mar podre. Se não jogá-lo fora,
Quem sabe alguém ainda me possa cortar em pedaços
Para que possa esfarelar mais e mais. E o queijo chora.
Cobrindo, com sua água fétida no prato, todos os espaços.

Não demora muito e logo ele fica velho e azedo.
Cria uma crosta amarela e verde com um pó.
Não sou especialista mas, diria que se chama mofo.

Queijo passado faz mal e as pessoas têm medo.
Medo de consumir, nojo de cheirar, a garganta dá um nó.
O estômago embrulha; o coração para de bater; amorfo.