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domingo, 24 de janeiro de 2021

Caórdica

Prestes a sucumbir

A lançar-me ao abismo

Do álcool e prazeres

Ao labirinto vazio da alma

 

Na iminência de perder

A dignidade

A razão

A esperança

 

Em meio a todo meu caos,

A ordem.

Personificada, como mulher.

 

Parte de mim

Que vive fora do meu peito

Organizados caordicamente. 



Entardecer

  

Não sei dizer se foi real

Ou se foi um sonho

Aquele fim de tarde

No meu lugar favorito.

 

Sol se pondo

Sentados na grama

Minha cabeça sob seu ombro

Meu abraço sua cama.

 

Vulneráveis

Despreocupados

Se irão ganhar ou perder.

 

Corajosos

Expostos e sem controle

Entregues ao amor. 



domingo, 17 de janeiro de 2021

Fogo da paixão

 

Preciso confessar a mim mesmo que

A paixão é selvagem e rebelde como o fogo,

Não importa o quanto se tente controlá-lo

Ele sempre queima do jeito que quer.

 

Por vezes tenho vontade de roubar sua alma

E esconder ela dentro do meu peito

Porque dois apaixonados são dois corpos

E uma única alma.

 

É tamanha covardia

A forma como me ganha

Com as suas curvas

 

Com seu toque,

Com seu olhar, e

Com o seu sorriso bobo.

A (f)alta que você me faz

 

Eu quero estar sozinho

Sentado no meu sofá

Sozinho com você

Deitada em meu colo

 

Beijar sua testa e seu pescoço

Segurar o seu rosto

E poder guardar cada detalhe

Cada linha do teu rosto

 

Para eu poder sempre lembrar

Quando a saudade bater

E me espalhar por toda a parte

 

Como folhas de outono pelo chão.

Eu não sei o que fazer,

Fazer com essa vontade de te ver.

 

Conveniência

 

Por muito tempo acreditei 

Ou me fiz acreditar

Que algum dia

Tudo o que dizia

 

Iria de fato se consumar.

Mas, mal sabia eu

Que o fim já era esperado

Mas, me fiz acreditar

 

Em cada olhar

Em cada promessa não cumprida

Que me esqueço

 

Que tudo é uma versão de outra coisa

E de tantas palavras ditas,

Nada posso fazer com elas sem atitudes.

Meu fraco


Negar o que eu sinto hoje

É o mesmo que cuspir pra cima.

Chegar do trabalho

E receber seu abraço

 

E um sorriso de orelhas

E um fiquei com saudades

E um você demorou

E um beijo lento

 

E um tropeço no sofá

E as roupas no chão

E o suor escorrendo

 

E o seu olhar fixo no meu.

Negar o que eu sinto hoje

É o mesmo que cuspir pra cima.                                                                                      

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Jardim secreto


Todo mundo tem um jardim 

Onde plantamos nossos segredos

E limitamos a entrada.

Difícil não é dizer para mim

 

Que não é preciso ter medo

Pois quando se tem nada

O que o vento trouxer

Pode se tornar o que se quer.

 

Assim o trouxe, e ficou.

Cresceu, e desabrochou

Bela e lentamente.

 

Rosa volumosa e atraente

Regada à lágrimas e suor

Que de meu sangue fez sua cor mor.

 

 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Feijão no pote de sorvete

Costumam dizer na vida que tudo tem um sentido...
Que tudo tem um porquê, tudo tem uma razão.
E você que sempre fez a sua parte, se parte
Em vários pedaços, esmagado pelo propósito

Que as pessoas cuspiram em ti quando tudo deu errado.
Daí você se agarra nessa ideia de que as coisas vão melhorar,
Mas, elas não tem que melhorar sempre. Elas podem piorar.
E acredite, elas pioram. 

E então o passado se torna incerto,
Nem sempre quem merece tem o que deseja
E nada é tão ruim que não possa piorar.

Pare de dizer aos outros que tudo vai melhorar,
Que Deus escreve certo por linhas tortas.
A vida não precisa ter um final feliz. 


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Sutilmente


Ainda sobre o que deve ser o amor,
Talvez ele seja diferente para cada um.
Para uns, dor 
Para outros, um sentimento incomum.

O amor me pegou de uma forma tão sutil
Feito uma batida de trem. 
Quebrou-me em inúmeros pedaços,
E só assim pude descobrir o que havia em mim.

Juntei meus pedaços e os moldei para ela,
Desfiz-me de alguns outros pela janela...
E assim fiz, durante meses, e assim farei

Durante os anos que durarem uma vida.
Amor não se acha, mas se cultiva. E é
Por isso que ele é de coração e não decoração. 

domingo, 4 de novembro de 2018

Deve ser



Já ouvi diversas definições de amor,
Mas, a última foi um tanto que diferente.
Ouvi que
Amar é ser livre

E deve ser pertencer um ao outro, inda assim.
O amor deve ser leve
Deve ser resiliente
E deve ser teimoso,

Como o inverter das vogais.
Mas, foi o que ouvi,
Deve ser...

O que sei até agora
É o que o amor não é,
Ou o que não devia ser.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Remendas

Há quem diga que o amor quando dói
É porque está se amando errado.
Que quando o amor molha o travesseiro,
E quando o amor seca as palavras

É porque está se amando errado.
Caio dizia que lâmpada queimada
Não se conserta, mas se troca por outra.
Mas, pessoas não são lâmpadas, 

Muito embora queiramos jogar algumas 
Fora da nossa vida, mas não é isso o que 
Eu vim aqui dizer. Só queria dizer que

Há quem diga muitas coisas, mas sobre o amor
Diria que quando o amor está doente,
Recomeçar é o melhor remédio (e não remendar com um esparadrapo). 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Perturbador



Como deve ser olhar nos olhos de alguém
E esperar que fosse aquela outra pessoa
Que deixou não só a blusa, do avesso,
Como um furacão bagunçando a vida.

Como deve ser olhar esse alguém
E lembrar daquela outra pessoa,
E de todas as lembranças ainda não esquecidas
Desenhadas na janela do carro.

Como deve ser ver esse alguém chegar,
Mas, não te ver chegar. Não te ver chegar.
Como deve ser se repetir uma coisa várias vezes,

E torcer para que um dia ela se torne verdade.
Como deve ser buscar alguém similar
Porque não se pode ter o original?

domingo, 26 de agosto de 2018

Um nada

 -Você está esquisito. O que foi?
-Não foi nada.
-Tem certeza?
-Não é nada.
-Tudo bem…
- É, tudo.
-O que?
-Nada. 
-Não entendi.
-O que?
-Isso.
-Tudo bem.
-Me explica…
-Já disse que não é nada.
-Você está estranho.
-Sempre fui.
[…]
            Realmente não é nada – penso comigo mesmo. Mas, um nada que dói. Um nada desconfortável. Um nada que assim como eu, vai virar saudade. Um nada, que assim como eu, não é mais frio na barriga de ninguém.