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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Areia movediça


Eu não quero alguém ao meu lado para me completar,
Muito menos para alimentar meu ego e fazer companhia.
Não, eu não quero isso. O que quero é conhecer o desconhecido,
É mostrar para o meu amor horizontes mais belos que os já vistos.

Quero provar que não há limites e muito menos regras para ser feliz,
Não há hora certa ou errada, qualquer hora é hora para estar com você.
Quero lutar por alguém que lute por mim, não por quem lute comigo.
Quero um amor que seja tudo aquilo de bom que ainda não descobrimos,

E que seja único e suficiente para que nos transborde em todos os sentidos.
Quero olhar em seus olhos e ver os meus, segurar sua mão e não soltar mais.
Trazer seu corpo junto ao meu com meus braços num abraço gostoso.

Ouvi dizer que para ser feliz é preciso se contentar com a solidão.
Mas, ela é como uma areia movediça. Quanto mais se tenta sair, mais se afunda.
Até o dia em que alguém esteja disposta a lutar por você e dar um fim nela.


Pecador, peça dor


Ultimamente tenho acordado com a alma pesada,
Tenho ido dormir tarde, pois o sono tarda a chegar.
De mal comigo mesmo por andar fora da estrada,
Por render-me aos desejos e vontades a saciar...

Está difícil conviver sabendo de todos meus pecados.
Não consigo mais olhar em meus próprios olhos,
E não sentir vergonha do que fiz.
Vergonha das paixões prometidas e amores não amados.

Há coisa mais vazia que um beijo sem paixão?
Que um olhar de usura?
Que um amor sem coração?

Chega desta tortura.
Cuidarei dos meus pecados,
E dos meus pedaços.



domingo, 5 de julho de 2015

"Foi só um beijo"


Como pode algo tão simples ter um poder tão grande?
É algo que  mata-me silenciosamente por dentro.
Ele transforma santos em demônios.
Ele dá luz à guerra e ao caos dentro de mim.

É o preço que eu pago por amar entregando-me.
O que farei se Ele estiver certo? [...]
O que fazer com todas as lembranças inapagáveis?
O que fazer com minhas esperanças destroçadas?

Tudo irá começar com um único beijo,
Até você começar a tocar o peito dele,
E ele segurar o seu cabelo com força

E você pedir mais e mais e mais
E ele tirar a sua roupa e perder o controle
Até a hora de dormirem juntos.

Muletas

Hoje acordei com uma vontade danada
De tomar um banho daqueles bem gelados.
Daqueles de bater o queixo e fazer barulho,
E ficar gemendo de frio debaixo do chuveiro.

Hoje acordei com uma vontade de sentir algo mais frio que eu,
Só para saber que não carrego a coisa mais gelada do mundo
Em meu peito... E para isso, um banho bem demorado...
Com direito à janela aberta e ventos fortes, com pancadas de lágrimas.

O amor não passa de mais uma muleta psicológica que criamos
Para aliviar a solidão. Não sabemos que muitas vezes ele a aumenta.
Mas, se aumenta ou não, só testando-se para saber...

Há quem diga que o banho frio não é a única solução.
Um abraço quente, um beijo caloroso, e outro abraço quente
Já dão conta. A questão é, muletas brancas ou mulatas?


Vai e não volta


É engraçado como nascemos inocentes e
Ao longo da vida acabamos culpados.
Nascemos aquecidos e cheios de vida
Para acabarmos gélidos cheios da vida.

Nascemos completos. Simplesmente.
Completos de amor, livres do vazio e da dor.
Repletos de pureza, presos às leis da natureza.
Às leis da mudança, e perda da completude.

Viver é ganhar para se perder, e perder para se ganhar.
Vivemos e amamos e odiamos e sofremos todos os dias.
Pessoas vêm e sentimentos vão. Às leis da mudança.

Nascemos cheios para nos esvaziarmos ao longo da vida.
Ganhamos pessoas e momentos inesquecíveis,
Até a morte vir e ficarmos com o vazio da perda. Cada vez maior.



quinta-feira, 11 de junho de 2015



Eu odeio despedidas. Mas, se tem algo que odeio mais é não me despedir. Todos os dias saímos de casa e não sabemos o que pode acontecer, se voltaremos ou não. Tudo muda quando a Morte entra na nossa vida. Se não muda, deveria. Ainda não sei como será quando chegar em casa e não encontrar meu amigo de quatro patas mordendo meu calcanhar, olhando-me pedindo colo, quase que falando comigo. Não consigo lembrar da última vez que me despedi dele. Eu deveria estar arrumado para o trabalho e não queria sujar a roupa, provavelmente. Arrependimento não é máquina do tempo; arrependimento não muda o passado. Ainda consigo lembrar da energia do seu balançar de rabo ao me ver. E só de lembrar surge um aperto no peito ao saber que não poderei mais pegá-lo no colo. Ela não manda cartas, Ela não avisa quando virá nos visitar. Ela vem, nos rouba e deixa o vazio.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Outono


Quando menos esperamos é quando mais temos a ganhar.
Não canso de surpreender-me com o que o acaso me traz.
Desta vez, um sorriso mais que maravilhoso, deixa-me em paz.
Desejo louco de tomar o espaço do seu abraço e seus lábios encontrar.

Quando menos tento controlar mais liberdade consigo ter.
Sua pele branca e macia realça na minha pele morena,
Longe de mim ela é alta mas, perto ela é pequena.
De noite ela é Lua e de dia ela é Sol; sempre fácil de se ver.

Sua presença é como um entardecer caloroso e relaxante.
Provocante como quem sabe o que faz, enlouquece-me.
As rimas se misturam pela cabeça, e já não sei o que sou.

Se fosse para lhe dar um nome, daria Outono.
Quando ele chega renovam-se as folhas, para que novas venham.
E que assim seja o meu Outono, repleta de novas folhas.

domingo, 10 de maio de 2015

Vinte e dois


O futuro é o passado que ainda não aconteceu.
Tudo o que temos é o agora, nosso grandioso presente.
O que já foi vivido repousa hoje na memória.
E tudo o que vivemos são apenas lembranças.

Aprendi que nem sempre o melhor é o mais importante;
Às vezes, o essencial é o que realmente faz a diferença.
Nossa vida é uma caixa de lembranças, onde moram na memória.
Prefira olhar para trás e lembrar somente do essencial.

Compete a cada um de nós escolher o que lembrar.
Depende de nós, fazer por onde poder ter boas lembranças.
Porque no final da vida, não temos nada senão elas.

Em três dias estarei completando meus vinte e dois invernos.
Não sei quantos mais precisarei completar para ter a primavera...
Que a primavera chegue logo e aqueça todas as minhas lembranças.


Quanto mais eu tento me esquivar, mais eu me aproximo. O amor é irônico, quanto mais tentamos fugir, mais estamos presos. Ele costuma acontecer quando estamos distraídos, sentados na praça ou fazendo um lanche em uma cafeteria. Não se reserva um amor como quem reserva uma mesa de restaurante. Se for, ele será imprevisível, inesperado. Não existe milagre, ou destino. O amor é coincidência. É como aquela sensação de pegar o ônibus saindo do terminal, com só uma poltrona disponível; como aquele dia que você conseguiu pegar todos os sinais de trânsito verdes e chegar à tempo no trabalho. Amor é quando você quer estar ao lado de alguém, o máximo que puder, mesmo que isso signifique se envolver no inferno que a vida dessa pessoa possa ser. Amar é deixar de tentar controlar a vida e viver para ser feliz, viver ao lado do seu amor. É quando nosso coração sorri para essa pessoa, e nós sentimos que somos capazes de amar infinitamente; é quando essa mesma pessoa torna-se tudo de melhor que conhecemos, e tudo o que queremos conhecer. O amor não se descobre uma semana depois. O amor é o sorriso do coração, é quando nossa alma fica aquecida e completa quando estamos perto um do outro. Amar é ser imortal, é plantar a imortalidade no outro. Amor é respeito; é paciência; é tolerância; é carinho; é frio na barriga; é sorrir sem motivo; é ser o motivo do riso do outro; é se sentir completo; é se preocupar; é sentir ciúmes. Como dizia o velho Bukowski, o amor é tudo aquilo que disseram, e tudo aquilo que também não disseram. Espero que o Caio Fernando esteja errado e que eu tenha nascido para sentir  viver um amor. Um amor está bom. Não existe amor pequeno, afinal, para ser amor é porque ele é grande.

Feito feiticeiro


Olha, não tem problema em quebrar as suas regras.
Você se apaixonou, não tem como controlar tudo.
Esse sentimento é bagunceiro, tira tudo do lugar.
Você tenta andar em linha reta, mas, anda torto.

Em breve, todas essas borboletas no seu estômago,
Irão sair voando por aí, e não restará mais frio na barriga.
Você verá que por ser tão pouco, será muito;
O suficiente para fazer as malas e partir.

Perceberá que não importa quantos cigarros você trague;
Você não vai conseguir trazer sua paixão para si.
Não importa quantas doses de bebida você vire;

Você não vai fazer sua paixão se virar para si.
O amor é um feitiço, e a paixão um feitiço mal feito.
Todo mundo sofre. Quem é que nunca bancou o feiticeiro?


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Vômito



Não tenho a obrigação de agradar à ninguém.
Não serei algo que não sou, somente para atrair alguém.
Não quero saber qual é a opinião dos outros.
A única coisa que quero ultimamente, é paz.

Estou cansado dessa dieta de metades.
Meio pão, meio copo de leite, meia colher de arroz;
Meio dia, meia hora, meio longe, meio perto;
Meio apaixonado, cheio de meias verdades.

Não quero um meio sentimento, nem uma meia pessoa.
Sempre fui egoísta, e sou péssimo em dividir amores.
O que sinto não é vontade de comer, é fome. de amor.

Chega de metades, bastam as minhas duas.
A única coisa que quero, é paz diante esta guerra.
Na guerra do amor, meu colete nunca foi à prova de paixões.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

DÔI MENOS NATOS FIM


Preciso encontrar uma maneira de domar os meus demônios.
O quanto antes, antes que eles acabem comigo...
É uma dor que consome de dentro para fora; enlouquecedora.
E como tudo tem uma origem, vou explicar como aconteceu.

No início era o nada, e fez-se luz. A esperança nasceu em mim.
Ela teve uma filha, seu parto foi difícil, e foi batizada de dor.
A dor se apaixonou pelo sofrimento, e tiveram um filho, o amor.
Mas, o amor...  O amor nasceu para ser par, para ser amado, não separado.

E foi então que o amor se transformou em ódio, e envenenou meu coração.
Tornou-se um palco perfeito para meus demônios me possuírem.
E consumirem-me até a última lágrima tornar-se agonia.

No início era o nada, e fez-se luz.
Agora ainda é um nada, mas fez-se escuridão.
O fim, será uma luz escurecida com sangue.


(Demônios famintos)

Futuro mais que imperfeito

Sinceramente, certas coisas certamente nunca entenderei.
Como por exemplo, alguém que você tanto se desdobra;
Alguém que você tanto busca fazer por onde, estar presente;
Alguém que você faz questão de arrancar um sorriso, de ver bem.

Alguém que se mostra frágil e indefesa, sem o ser de fato.
Alguém que não cobra, mas você faz questão de dar tudo.
Alguém confusa, que confunde tudo na hora que não deveria.
Alguém que brinca com você, no momento de coisa séria.

Como pode alguém mostrar-se necessitada de você;
Enquanto você move montanhas e luta contra o desconhecido,
Para na hora em que você chegar, ela estar bem, estar com outro.

Como é incompreensível para aquele que faz tanto,
Perceber que no final das contas, tanto fez como tanto faz.
Como é doloroso amar um amor singular, no pretérito imperfeito