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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Dias noturnos


 Há dias em que o sol não aparecerá no céu,
A lua estará coberta pela neblina, sem luar,
E as estrelas estarão escondidas pelo véu
Da noite, sem luz, sem ter o que nos guiar.

Há dias nos quais parecerá tudo confuso,
E uma única lembrança boa, pode ser
A solução, uma coisa pequena, besta, sem uso...
Mas nem todos têm o que lembrar, mas o que esquecer.

Dias como esses, a esperança parece não existir,
Cresce a agonia, a gente diminui de tamanho,
Se questiona o porquê das coisas, com torpor.

E o desejo de encontrar aquilo que desejamos antes de dormir,
Ganha força, arrancando pedaços, alimentando o vazio estranho
O qual esperamos, de alguma forma, ser preenchido por amor.

sábado, 25 de junho de 2011

Ela


Sei que ela tem altos e baixos, vai e vem, e no final dizem dar certo...
E ainda escuto dizerem; quão bom é o calor do sol numa manhã de inverno,
Ou como é abraçar aquele alguém que nos provoca taquicardia, mesmo perto
Não estando; Provar deste sentimento amargo e gostoso que reza ser eterno.

Sentir ódio de si mesmo por se apaixonar sempre pela pessoa errada,
Simultaneamente, alimentar esperanças repletas de adrenalina.
Ter a sensação de conquistar os sonhos de maneira sempre desejada,
E rezar sempre que fraquejar e surgir a tão desesperadora neblina...

Quão bom é poder deitar-se sobre a cama e cair nos braços do sono,
Sem nada em mente, simplesmente pensando estar imune de pesadelos...
Acordar e ver ao redor que tudo está como antes, sem abandonos.

Pode até ser verdade, viver sem ter medos ou enfrentá-los... Um apelo
A Deus sempre alivia a alma, desde que se acredite que Este sim existe.
Não é que ela não me atraia, o problema todo é que eu sou triste.

domingo, 5 de junho de 2011

Trem desgovernado


Certas coisas não mudam. O presente não muda o passado,
E nem toda água de torneira, chuva, garrafa, vira vinho...
Tudo é como é; não como parece ser. O inverno é gelado,
E o frio sugere calor, mas calor não se consegue sozinho...

Era criança, esperançosa, sorridente, cheia de sonhos e desejos;
Num breve movimento de abrir de fechar os olhos, hoje vejo
Quantas mudanças aconteceram, quantas noites perdidas sem dormir,
E quantas inúmeras vezes esperamos alguém para nos fazer sorrir.

Como será da próxima vez em que repetirmos o breve movimento?
O amor é como um trem, e cada estação na qual descansa é uma paixão.
Cada parada é diferente, mas todas são iguais por serem passageiras...

Palavras úmidas, cobertas de esperança, entregamos ao vento.
Às vezes, descansamos mais por estar cansados, noutras não.
Quando o trem chega no seu destino final, é pra vida inteira.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Soneto Incomum

"E de repente encontrava-se perdido,
Sem razões para lutar e continuar.
Cercado de erros e por eles iludido,
Caminho desvirtuado, a morte antecipar...

Não sabendo qual lugar o aguardava,
O fez sem hesitar, esperando o fim.
Quando presente se fez, descobriu que não amava
A si mesmo, manchando de sangue o próprio jardim...

Não se comparam dores. Na vida ou na morte
Não existe quem nunca as sentiu alguma hora,
Independente que seja fraco, ou forte...

E os ventos assopram e  não vai embora...
A solidão nunca o deixou sozinho,
E o sofrimento jamais o deixou sem carinho..."


domingo, 10 de abril de 2011

Meu poema de nós dois


São em noites como essa que os desejos invadem a mente,
Enlouquecendo os mais fracos, enganando os mais fortes...
E em devaneio meu, sussurros assopram que estou carente,
Esperando que alguém pergunte como estou, -Sem sorte-

Alguém que me faça estar caso não esteja; que revitalize
Esse corpo sórdido; que toque a alma sem encostar
Num simples gesto de olhar; quero alguém que realize
Não meus sonhos, mas que realize o meu desejo de amar...
(Pessoa)

Mas que não seja pela metade, disperso
Quero o amante, o amor verdadeiro, constante
A razão minha de estar neste universo
A respiração que não demora, ofegante

Que sua voz complete a desejada minha
Pele que vista meu frio e aqueça
Que não mais me deixe sozinha
Chegue amor, fique... permaneça.
 (Vanessa)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Soneto natural

Sei que o tempo passa, mas não significa que tudo
Deve passar junto com ele. Algumas coisas tortas
Ficam, mas ficam. Mesmo que o retrato fique mudo
Na parede, ainda faz meu peito arfar como estrelas mortas.

Sei que o vento sopra, e nasce assim a lufada.
Trazendo a tona às memórias, mostrando o vazio,
O qual o vento me empurra, no peito, uma facada.
A queda então, parece nunca encontrar o chão frio.

Sei que o mundo gira, e ninguém o consegue parar.
É apenas a natureza e o universo cumprindo o dever,
Assim como o Sol e a Lua não podem se amar...

Sei que o passar do tempo, o soprar do vento, e o girar do mundo,
São inevitáveis. Por mais frio que me faça sentir no calor, esquecer
Não irei tu, mas a solidão encontra em mim um abrigo profundo.


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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Noites claras

Noites passo deitado em minha cama sem dormir...
Pensando; nas discussões, em como poder mudar;
Nos telefonemas nunca atendidos, sem sorrir
Pelas cartas nunca recebidas para ler e se emocionar...

Nos olhares nunca trocados, no rosto
Nunca visto, angústia maldita da espera...
Noites penso na vida e em seu desgosto,
À espera a qual chegue à louvada primavera

E ilumine teus olhos castanhos e teus cabelos,
E dê brilho a teus lábios sublimes, à tua cor...
E que principalmente do inverno espante os pesadelos...

Noites passo pensando em tudo e no amor...
Em como a vida poderia ser simples sem mudar
A essência... Quando percebo, a noite já está a clarear...



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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Folhas secas


Só as folhas secas, sem vida, caem do seu galho...
Se eu disser que as folhas verdes caem, é mentira.
Se tento arrancar uma folha jovem, eu falho...
Porque nada acontece por acaso, e o mundo conspira.

Uma folha só cairá quando tiver chegado à hora,
E tiver feito tudo o que lhe fosse imposto pela vida...
Pelas noites, quando não é nem dia e nem noite, a aurora
Rouba o brilho das estrelas, por última a mais garrida...

Deixe que o vento tire as folhas da árvore mais bela,
Assim, dando espaço para que outras novas possam nascer...
No escuro véu da noite, à chuva, eu espero na janela

A lufada que trará o meu amor, para o dia poder amanhecer
Com você do meu lado, se faz a clareza do meu mundo no teu olhar...
Valeu a pena esperar as ‘folhas’ caírem na hora certa, e te encontrar.

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domingo, 24 de outubro de 2010

Soneto da meia noite

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É como se fosse a primeira vez que escrevesse um poema.
É como se fosse a primeira gota a cair de uma tempestade,
É como se fosse o último a sair de uma sala de cinema,
É como se fosse a última flor a desabrochar na eternidade.

As palavras desaparecem e o peito ofegante fica sem ar.
Meu olhar tenta desviar, mas no final sempre retorna
À mesma figura que o tempo nunca poderá apagar,
Ao cálice puro; fonte de forças que nunca se esgota nem entorna.

Provar deste, é como mergulhar num mar sem fim,
Sem poder voltar a superfície, podendo apenas afogar-se
Cada vez mais, aproximando-se da tua pele de marfim.

Bebendo de teus lábios o mais puro mel a fabricar-se...
Enrolando-me em teus cabelos, em teus braços, em todo seu ser...
Nem mesmo o tempo, o infinito, o universo, fará meu amor perecer.



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sábado, 9 de outubro de 2010

Algum dia




Preso entre quatro paredes, sem ter pra onde fugir.
A coita em minha mente não me permite esquecer,
Que em tua face há o brilho quando a vejo sorrir;
Que no teu peito, está o que preciso para viver.

Perto demais ao ponto de poder sentir o gosto
Que o vento me traz, e senti-lo levá-lo de mim.
Longe o bastante para tocar teu sublime rosto,
Conheço o abismo que é não tê-la em meu jardim.

Espaços vagos formam cárceres em meu peito,
Que acorrentam o sofrimento de não poder amá-la.
Espaços que alimentam os demônios imperfeitos

Que nos rodeiam, afastando-nos um do outro...
E os pesadelos que agora surgem, nada serão
Perto do amor que pode sentir um puro coração.

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domingo, 3 de outubro de 2010

Além do pensamento




Há dias em que não conseguimos saber o que sentimos,
Andamos, sentimos o vento soprar no peito, afagando.
E lembramos dos momentos juntos em que não rimos,
Dos momentos juntos em que não passamos juntos...

É como se estivéssemos na iminência da agonia do pranto,
Voando alto sem saber onde estamos, ou onde vamos chegar.
Como se meu peito fosse jaula para a tristeza num canto,
E solidão do outro, cárcere vazio de sentimentos, sem amar.

Madrugadas a dentro passamos, derramando lágrimas puras,
Discutindo por que ela ainda não chegou, será que está perdida?
Mas no fim da madrugada, vejo que tudo passou, e nossa cura

Está a caminho, pra salvar-nos do inferno de gelo que é a vida
Sem ter alguém para se amar, para poder rir e sorrir e chorar,
Para o amor quebrar a corrente de dor e mostrar a luz do teu olhar.



'Todos sabemos que o inferno não é o mesmo para todos, o inferno é de cada um, conforme ele constrói em seu pensamento. O paraíso não é diferente. Meu inferno é viver num mundo sem você. Meu paraíso é viver você, sua respiração, cada batida do coração, um sorriso no teu rosto, seria tecer asas de libertação da alma para que me fizesse voar até os anjos...
Tudo depende do pensamento, nossa vida, nossos atos, é tudo pensamento. Como dizia minha amiga, Pensamento gera sentimento que gera acontecimento. Mas eu sinto, o amor, é muito mais do que mero ato de pensamento.'

domingo, 19 de setembro de 2010

A mentira mais bela: Amor

Não sei por onde começar, mas já não me controlo.
Não entendo mais o que sinto, se é bom ou ruim,
Se é ilusão ou verdade. Quanto mais tento mais embolo
As linhas que me levam à realidade de um poço sem fim.

Procuro fragmentos que possam me libertar
Da solidão, das lágrimas, dos pesadelos incontáveis;
Buscando nelas, o que nunca sei se irei encontrar.
Por que então continuar estes versos imensuráveis

Nesta noite que certamente será eternamente
Longa, repletas de gritos em meu peito, de arranhões
No piso do quarto, choro sufocado no travesseiro

Encharcado? Não sei mais se tudo isso é fruto da mente,
Ou se é da visão que tenho de mim e minhas aberrações
Que sem dúvidas a leva de mim, matando-me por inteiro...

Busco nelas o que sei que não irei encontrar,
Por simples desencargo de não ter tentado...
E a cada boca, só consigo os olhos fechar,
E sentir-me vazio, traído e enganado...

O que sinto não tem definição, não tem conceito
Que diga o que é, não tem cura, não tem explicação.
Falho erroneamente tentando achar um único defeito
Em teu sorriso, na tua pele, em teu todo de tentação.

É tarde demais para negar o que ela se tornou pra mim.
É tarde demais para buscar um caminho cuja volta
Não existe mais, e que não quero encontrar sem um ‘sim’

Para esse sentimento não correspondido pela revolta
Que o destino me trouxe. Não adianta mais fugir da dor,
Não adianta mais esquivar dos fatos que comprovam o amor.



domingo, 29 de agosto de 2010

Luz nas sombras


Há dias que não sabemos o que pode acontecer...
E queremos só encontrar um lugar escondido,
Escuro o suficiente para que possamos esquecer
Todas as pessoas, e deixar de manter inibido

O que desce escorrendo pelos olhos cansados,
Numa rapidez estúpida, sem pensar em parar,
Sem querer pensar nos motivos tão que pesados
O suficiente para te deixar encolhido e abraçar

A própria sombra na escuridão que te cerca.
Como imaginar que surgirá uma luz neste lugar,
Capaz de nos salvar? Assim então se fez o fim.

As sombras se abriram para a luz passar...
E de tão cansados estarem meus olhos,
Chorei, mas desta vez, por ver-te diante de mim.