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domingo, 17 de janeiro de 2021

A (f)alta que você me faz

 

Eu quero estar sozinho

Sentado no meu sofá

Sozinho com você

Deitada em meu colo

 

Beijar sua testa e seu pescoço

Segurar o seu rosto

E poder guardar cada detalhe

Cada linha do teu rosto

 

Para eu poder sempre lembrar

Quando a saudade bater

E me espalhar por toda a parte

 

Como folhas de outono pelo chão.

Eu não sei o que fazer,

Fazer com essa vontade de te ver.

 

Conveniência

 

Por muito tempo acreditei 

Ou me fiz acreditar

Que algum dia

Tudo o que dizia

 

Iria de fato se consumar.

Mas, mal sabia eu

Que o fim já era esperado

Mas, me fiz acreditar

 

Em cada olhar

Em cada promessa não cumprida

Que me esqueço

 

Que tudo é uma versão de outra coisa

E de tantas palavras ditas,

Nada posso fazer com elas sem atitudes.

Meu fraco


Negar o que eu sinto hoje

É o mesmo que cuspir pra cima.

Chegar do trabalho

E receber seu abraço

 

E um sorriso de orelhas

E um fiquei com saudades

E um você demorou

E um beijo lento

 

E um tropeço no sofá

E as roupas no chão

E o suor escorrendo

 

E o seu olhar fixo no meu.

Negar o que eu sinto hoje

É o mesmo que cuspir pra cima.                                                                                      

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Jardim secreto


Todo mundo tem um jardim 

Onde plantamos nossos segredos

E limitamos a entrada.

Difícil não é dizer para mim

 

Que não é preciso ter medo

Pois quando se tem nada

O que o vento trouxer

Pode se tornar o que se quer.

 

Assim o trouxe, e ficou.

Cresceu, e desabrochou

Bela e lentamente.

 

Rosa volumosa e atraente

Regada à lágrimas e suor

Que de meu sangue fez sua cor mor.

 

 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Feijão no pote de sorvete

Costumam dizer na vida que tudo tem um sentido...
Que tudo tem um porquê, tudo tem uma razão.
E você que sempre fez a sua parte, se parte
Em vários pedaços, esmagado pelo propósito

Que as pessoas cuspiram em ti quando tudo deu errado.
Daí você se agarra nessa ideia de que as coisas vão melhorar,
Mas, elas não tem que melhorar sempre. Elas podem piorar.
E acredite, elas pioram. 

E então o passado se torna incerto,
Nem sempre quem merece tem o que deseja
E nada é tão ruim que não possa piorar.

Pare de dizer aos outros que tudo vai melhorar,
Que Deus escreve certo por linhas tortas.
A vida não precisa ter um final feliz. 


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Sutilmente


Ainda sobre o que deve ser o amor,
Talvez ele seja diferente para cada um.
Para uns, dor 
Para outros, um sentimento incomum.

O amor me pegou de uma forma tão sutil
Feito uma batida de trem. 
Quebrou-me em inúmeros pedaços,
E só assim pude descobrir o que havia em mim.

Juntei meus pedaços e os moldei para ela,
Desfiz-me de alguns outros pela janela...
E assim fiz, durante meses, e assim farei

Durante os anos que durarem uma vida.
Amor não se acha, mas se cultiva. E é
Por isso que ele é de coração e não decoração. 

domingo, 4 de novembro de 2018

Deve ser



Já ouvi diversas definições de amor,
Mas, a última foi um tanto que diferente.
Ouvi que
Amar é ser livre

E deve ser pertencer um ao outro, inda assim.
O amor deve ser leve
Deve ser resiliente
E deve ser teimoso,

Como o inverter das vogais.
Mas, foi o que ouvi,
Deve ser...

O que sei até agora
É o que o amor não é,
Ou o que não devia ser.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Remendas

Há quem diga que o amor quando dói
É porque está se amando errado.
Que quando o amor molha o travesseiro,
E quando o amor seca as palavras

É porque está se amando errado.
Caio dizia que lâmpada queimada
Não se conserta, mas se troca por outra.
Mas, pessoas não são lâmpadas, 

Muito embora queiramos jogar algumas 
Fora da nossa vida, mas não é isso o que 
Eu vim aqui dizer. Só queria dizer que

Há quem diga muitas coisas, mas sobre o amor
Diria que quando o amor está doente,
Recomeçar é o melhor remédio (e não remendar com um esparadrapo). 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Perturbador



Como deve ser olhar nos olhos de alguém
E esperar que fosse aquela outra pessoa
Que deixou não só a blusa, do avesso,
Como um furacão bagunçando a vida.

Como deve ser olhar esse alguém
E lembrar daquela outra pessoa,
E de todas as lembranças ainda não esquecidas
Desenhadas na janela do carro.

Como deve ser ver esse alguém chegar,
Mas, não te ver chegar. Não te ver chegar.
Como deve ser se repetir uma coisa várias vezes,

E torcer para que um dia ela se torne verdade.
Como deve ser buscar alguém similar
Porque não se pode ter o original?

domingo, 26 de agosto de 2018

Um nada

 -Você está esquisito. O que foi?
-Não foi nada.
-Tem certeza?
-Não é nada.
-Tudo bem…
- É, tudo.
-O que?
-Nada. 
-Não entendi.
-O que?
-Isso.
-Tudo bem.
-Me explica…
-Já disse que não é nada.
-Você está estranho.
-Sempre fui.
[…]
            Realmente não é nada – penso comigo mesmo. Mas, um nada que dói. Um nada desconfortável. Um nada que assim como eu, vai virar saudade. Um nada, que assim como eu, não é mais frio na barriga de ninguém. 

sábado, 25 de agosto de 2018

Em vão

Eu queria minha cabeça proibir
De pensar no que aconteceu,
E de ficar triste pelo que não,
Numa tentativa de proteger o que está por vir.

Mas, uma vez que se viveu
E se experimentou da traição,
A gente percebe que o mais triste
É que ela não vem de quem se espera.

E então, a bela vira fera
E a água no meu copo, whisky.
O que faz doer não vira saudade,

O que faz doer é a verdade
De um sentimento surdo,
E burro. 

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Flor

Um dia um tanto que ensolarado para um mês de agosto. Ao sair do quarto meus olhos só sabiam arder. Fui até a cozinha, enchi um copo de água e voltei para meu quarto, onde meus olhos se sentiam mais à vontade. Sem saber o que estava mais fora do lugar, a bagunça do cômodo ou a bagunça da minha cabeça, esvaziei mais um pouco a garrafa de whisky.
Às vezes, não adianta cuidar de uma flor doente. Você põe veneno contra os insetos, contra os fungos, fertilizante no solo e mesmo assim ela continua doente. Você pesquisa sobre novos métodos de cura, conversa com amigos e tenta de tudo um pouco, mas nada. E percebe então que nem sempre as flores ficam doentes porque você parou de cuidar delas. É que, às vezes, elas ficam doentes porque o seu cuidado já não é mais suficiente. Mas, tem um problema. Acontece que algumas flores são únicas, porque você as fez únicas, diferentes de todas as outras, como bem disse Antonie de Saint-Exupéry. O que fazer então, para não deixar essa florzinha morrer?
Talvez devêssemos tirar uma muda e plantar em outro lugar, na esperança de pegar. Algumas coisas não podemos evitar – assim como a morte da flor. Todo início nasce de um final e às vezes um recomeço é melhor que insistir no sofrimento. É preciso paciência para surja um broto da muda, e aos poucos, cresça forte e diferente da flor que se foi – dessa vez, mais forte e saudável. O tempo vai passar, e nosso novo cuidado precisa ser diferente do antigo, senão será tudo em vão e ela morrerá, também. 
Na prática, somos todos flores. Diferentes por natureza e semelhantes por natureza, também. Somos flores livres, onde nossas raízes podem se mover para onde quiserem. Uma flor não pode se submeter a maus cuidados de alguém por medo de se sentir só. Lembre-se que nosso amigo Caio já nos falou que uma lâmpada queimada não se conserta, se troca por outra – a nossa sorte é que não nascemos lâmpadas, e sim flores.

domingo, 19 de agosto de 2018

Fortaleza



Não saber por onde começar é uma das coisas mais comuns quando a gente se sente um pouco perdido e tenta lembrar quando foi que tudo começou a ficar do jeito que está. A gente sente como se nosso peito fosse explodir, e por isso desejamos ficar sozinhos – para diminuir o número de vítimas atingidas pela nossa explosão. 
Com o tempo fui construindo uma espécie de fortaleza, com um muro bem alto para ninguém conseguir entrar, e que pudesse me sentir seguro – e só. Não sei se mais alguém se sente assim, mas é para lá que eu vou quando em dias como esse. Também não sei se é normal desistir de algo que ainda não aconteceu por medo de que aconteça. Talvez a melhor coisa a se fazer seja não tentar encontrar uma explicação para tudo, e simplesmente aceitar que não importa se é comum, normal ou igual. Somos individualidades únicas.
Nela penso em diferentes maneiras de curar o amor, de salvar relacionamentos – de todos os tipos. A primeira premissa é que não somos quebra-cabeças e qualquer tentativa nos encaixar em alguém será frustrante. O que acontece são pequenas adequações que fazemos para fazer dar certo – eu disse pequenas. Aceitamos as diferenças do outro, aprendemos a lidar com os defeitos, e no final, são os defeitos que nos unem pois, são através deles que crescemos, que brigamos e fazemos as pazes, que nos faz pensar em escolher entre insistir ou desistir – e quando escolhemos insistir, nos fortalece como nunca. 
Amar não é fazer lavagem cerebral, não é obrigar a ser a pessoa perfeita como se ela fosse uma folha em branco, um instrumento para se programar de acordo com suas vontades. Não é dar um manual de instruções a ser seguido. Como já disse, pequenas adequações, mudanças, são necessárias, afinal, não somos as mesmas pessoas que fomos semana passada, estamos em uma constante mudança. Não permita que alguém te trate como um pequeno animal – e não aceite ser tratado – querendo te ensinar como deve se comportar, portar, falar, agir, respirar ou expirar, dormir sem fazer barulho (...) e viver da maneira dele (a).
[...]

Do lado de dentro do muro eu plantei girassóis, rosas e um pé de ipê para me lembrar que toda vez que as folhas caírem e ele parecer morrer, é para somente florescer novamente – como era para ser como nosso amor. Pintei você no muro, através de momentos nossos, só nossos. Escrevi nossa música na parede do corredor, para ler toda vez que sentir saudade. Coloquei uma foto sua em cima do meu criado mudo, só pra eu dormir com você me olhando. Comprei uma bicicleta e pendurei na varanda para você me acompanhar enquanto eu corro pela praia. Preparei inúmeras surpresas para quando você entrasse... Mas, você está do lado de fora e não consegue ver nada disso.
Dizem que o começo é sempre a parte mais difícil. Na minha opinião, não existe parte mais difícil ou mais fácil. Todo fim é um recomeço, e re começar, também, seria sempre a parte mais difícil. O começo e o fim são apenas marcos, limites. O que realmente importa é o meio, a trajetória, a aventura, o frio na barriga e as borboletas no estomago. 
E então, quando descobrimos o começo de quando ficamos assim, a forma como iremos nos sentir torna-se uma questão de escolha. Lembrando que é sempre bom não causar vítimas de explosões interiores.