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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Infeliz Mortal


Nas badaladas de meia-noite de hoje será natal.
Exceto para os vermes usurpadores de pessoas.
Hoje, à meia-noite, levarei um presente brutal.
Uma morte lenta e dolorosa, uma das boas...

O demônio irá comigo para assistir o pavor.
Escutar os gritos desesperados, clamando pela morte.
Não estarei com pressa, e no fim, os afogarei no próprio cruor.
Desejariam não ter nascido, enquanto me deliciarei com cada corte.

Na minha ceia de natal eu beberei o sangue dos malditos.
Ao som de gemidos apavorados, tomados de temor.
Apresentarei o meu inferno, onde não há misericórdia.

Pagarão pelos seus pecados, no mar de dores, com muitos gritos.
Danse Macabre de Saint-Saën  irá tocar para apreciarmos o horror
Das suas almas tomadas de medo, sendo purificadas após causar discórdia.



terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Sal dá cede


Ando precisando de muita massagem.
Massagem no peito, no ego, no coração.
Pode vir, pode chegar, tem vaga aqui na garagem.
Tem bastante espaço aqui no meu colchão.

Só tem uma coisa, só venha se for pra ficar.
Aqui em casa não tenho vaga temporária.
Não tem acordo, não aceito diárias.
Se for pra vir, venha, mas venha para morar.

Venha me fazer uma massagem nos pés,
Estou cansado de sair procurando por alguém.
Para ser sincero, quase já não tenho mais fé.

Venha logo e acabe de uma vez com esse desdém.
Quanto mais sal eu comer, mais cede eu terei.
Porque quanto mais eu te amo, mais eu te quero.


Fatal


Mas que saudade que eu sinto de você, meu bem.
Como faz falta o seu cheiro espalhado pela casa...
O som do seu riso e o brilho de seus olhos eram
Tão intensos que transformavam  a dor em um réquiem.

Mas que saudade que eu sinto de você, meu bem.
De todas as vezes que fazia uma palhaçada, pra te ver sorrir.
De todas as vezes cantarolava uma música, pra te fazer dormir.
Amor como esse, não sentirei por mais ninguém.

Mas que saudade que eu sinto de você, meu bem.
Saudade das guerras de beijos e de lambidas.
Ai que saudade de mexer no seu cabelo...

Podia estar o caos, quando você chegava, eu ficava zen.
Como eu queria que isso tudo não passasse de um sonho.
Mas que saudade que eu sinto de você, meu bem...


Sólidos


Já avançadas as horas, eu ainda recebo visita. Eu odeio visitas inesperadas... Não dá tempo de arrumar a casa, de esconder a sujeira, tomar um banho, trocar de roupa, ou ao menos lavar o rosto para disfarçar a cara de tristeza.
Mas, se tem algo que eu odeio mais, são visitas como esta, as demoradas. Eu sempre curti a minha solidão. Então, quando não estou só é como se me sentisse incomodado, desconfortável...
Para ser mais sincero, eu não gosto de pessoas. É meio assustador para as pessoas lerem e até mesmo ouvir uma coisa dessas. Quem não ficaria abismado? Quem não apontaria o dedo indicador para mim e me chamaria de louco/retardado/babaca; entre outros nomes carinhosos. Mas, a melhor parte, é que não me importa o que pessoas fazem. Eu não confio nelas, eu não espero nada delas. Qualquer imbecil sabe que eu estou generalizando. O que me fez não gostar de pessoas? Ah, foram elas.
Foram as pessoas e a sua maldade que me causaram aversão. O seu cinismo, sua hipocrisia, sua falsidade, suas mentiras, sua futilidade, sua imaturidade, sua falta de amor.
Parece que ninguém mais sabe o que significa respeito. Ou se sabe, finge não saber. Ninguém dá a mínima para os outros. E sabe por que? Porque os outros são pessoas, e pessoas odeiam pessoas. Pelo simples fato de que num universo de pessoas, alguma será melhor que você. E isso é o que pessoas odeiam, e temem. Pessoas querem ser melhores que outras pessoas, e fazem o que é preciso para isso, mesmo que seja necessário passar por cima de outras pessoas. Eu repito, pessoas não gostam de pessoas também. Tudo o que você vê não passa de um teatro barato, mal encenado. Pessoas mentem o tempo todo, pessoas não tem mais caráter, não tem mais valores. Elas dizem que te amam na sua frente, fingem ser boas pessoas, e nas suas costas pensam consigo mesmas se você foi idiota o suficiente para acreditar no que foi dito.
Eu me esforço ao máximo para tentar não pensar muito. Nem sempre consigo, como hoje. É difícil demais viver em um mundo no qual você não se encaixa nos padrões. É difícil viver em um mundo onde as pessoas enganam umas as outras; onde pessoas comprometidas se traem, onde pessoas se afogam em bebidas durante a noite à procura de uma boca para beijar e alguém para transar, para no dia seguinte contar aos amigos e amigas sobre a sua "incrível conquista" e como isso mudou significativamente a sua vida; onde pessoas passam mais da metade do dia na porcaria de um celular falando com pessoas que pensam igual e até com desconhecidos, tornando as pessoas ao redor, verdadeiras estranhas, estrangeiros artificiais; onde pessoas expõem sua vida, seu corpo, e se possível até a alma, em redes sociais e internet, só para ter a aprovação de outras "grandes" pessoas, que compartilham do mesmo pensamento moderno e "maneiro"; onde pessoas passam a vida inteira buscando arrecadar bens, dinheiro e coisas materiais, e acham que isso é ter uma vida digna, para no fim de suas vidas, deixar tudo para os filhos, os quais não precisarão mover um dedo para ter qualquer coisa; onde pessoas chamam de felicidade suas necessidades financeiras e sua imagem diante das outras pessoas; é difícil viver em um mundo onde as pessoas estão cheias de coisas vazias e ridículas, quando você é diferente.
Diferente. O que é ser diferente? Ser diferente ainda é ser uma pessoa, só que uma pessoa "errada". Pelo bom senso, se você é a minoria você está errado. Certo? Errado. Eu quero mais é que as pessoas matem umas as outras, porque assim elas me poupam do trabalho de ter que olhar para cara delas e ver mais uma vida em vão. Não dou a mínima para o que as pessoas pensam. É só parar para analisar o que elas pensam: merda. Porque diabos eu daria importância a alguma merda na minha vida?
Existem vários tipos de "diferente". Aqueles que nascem, e aqueles que se tornam. Os que nascem, coitados, já nasceram "condenados". Os que se tornam, são mestiços, metade normais, metade diferentes. Eles um dia já fizeram parte desse mundo "maravilhoso". Mas, por algum motivo, já que temos tão poucos, eles resolveram ser diferentes. Ser diferente é fácil, basta não ser igual. Ser diferente é tão difícil porque ser normal é muito fácil. E cá entre nós, quem você conhece que gosta de coisas difíceis?
Diferente é uma palavra pesada, porém já rodada nos meus ouvidos. Um sinônimo de diferente é esquisito, anormal, estranho, e até doente. Até porque, ser diferente deve ser realmente uma doença. Ser diferente é aguentar o sofrimento de ser diferente, é engolir em seco todas as palavras cuspidas com fogo, as atitudes, críticas e julgamentos, condenações, exclusões. Ser diferente é ser triste na maioria das vezes; é acreditar que a tristeza nada mais é do que o que antecede a felicidade; é aceitar que talvez você esteja sozinho no mundo; é estar sozinho mesmo quando se está cercado de gente.
Ser doente é ter que receber visitas inesperadas e inopinadas no meio da noite, da madrugada, e qualquer hora. É ter coragem para receber, e é ter força para lidar com toda a diferença, com todo o sofrimento e possibilidades que visitam você. São as lembranças de um passado remoto e a esperança de um futuro menos merda. Ser estranho é sentir medo de se apaixonar por alguma pessoa normal e se magoar, mais de uma vez; é buscar um constante controle sobre si mesmo para não deixar que o medo te domine, mas quando ele não te domina, domina a solidão. Temos que escolher, ou ser estranho e só ou ser estranho e só e magoado.

No fim das contas, não importa se você é como as pessoas ou não. Vamos acabar da mesma maneira pútrida, e seremos servidos para a alegria dos vermes. Eles não se importam com o tipo de pessoa que você foi, tudo o que importa é que no final, apesar das diferenças, não somos diferentes... para os vermes. Pessoas putrefeitas são o prato perfeito. 


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Remar

                                                   
Era uma pessoa como outra qualquer, até você aparecer.
Até você me apresentar o calor do seu abraço, e do seu amor.
Até você roubar o brilho de todas as outras mulheres.
Até você ser a primeira e a última coisa a se pensar em um dia.

Eu já não era uma pessoa como outra qualquer, até você desaparecer.
Até você se apossar da minha vida, da minha cabeça, e do meu coração.
Até você me presentear com a sua frieza de quem não quer mais nada.
Até você bagunçar tudo e buscar um novo lar para se abrigar.

Eu já não era uma pessoa, e sim o que restava de uma.
Você aqueceu meu coração e depois o congelou.
Você sabia que ele iria trincar e ficar em pedaços.

E de restos, aprendi a me virar. Aprendi a remar.
Não importa se não há vento, estou sempre remando.
Aprendi a re amar, e estou sempre re amando.


Dominador, domina a dor



A tristeza é como um câncer, mas não mata sozinha.
Ele deixa-te ansioso por ela. Desejoso, porém, não.
Ele escurece a alma, e sequestra-te a esperança.
Faz-te querer chorar, mas não te deixa chorar.

Libertar a'lma não implica que as coisas não possam piorar.
Libertar a'lma apenas suicida a possibilidade de dias melhores.
Desejoso, porém, não. Encarcero-a em mim, nesse poço de dor.
Se vier a libertar-se, que seja contra a minha vontade.

Não irei ceder. Por mais que o câncer me domine, não me matarás.
Roubarás minha luz, mas não minha'lma. Traga-me uma dose, por favor.
Traga-me uma dose de agonia, acompanhada de um Whisky.

Sem gelo, por favor. Gelada já me basta a vida.
"A esperança não decepciona..."
"Porque o amor Dele foi derramado em nós."      (Rm 5,5)



sábado, 29 de novembro de 2014

Portador, porta dor

A janela do meu quarto fica tão interessante quando chove...
As gotas de chuva sobre o vidro me parecem um tanto que familiar.
As luzes da cidade ficam embaçadas enquanto o mar se move.
Não sei se por conta dos meus olhos ou por conta da neblina do no ar.

Isso importa tanto como meus gritos que ecoam no vazio.
Tanto importa que já não me importo de andar em silêncio na dor.
Dar importância à pessoas é como acender um fósforo no frio...
Você espera que irá acender; daí acende outro, e outro... Tentador.

Tentador de tentar dores que a importância diz que podem ser amores,
Enquanto na verdade a ignorância não nos deixa ver que são dores.
Há aqueles que portam os verdadeiros amores, sortudos de merda.

E há aqueles, como eu, portadores. Portadores de solidão.
Ela invade o peito e congela o coração.
Ela domina quem porta dor.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Amasse, ama-se


E da janela do meu quarto eu vejo você.
Da mesma janela, eu sinto o seu perfume.
E dela ainda, eu lembro de tudo.
Até do que não aconteceu ainda...

Essa janela é de frente para o mar.
Vejo nele o tamanho do nosso sentimento.
E vejo nela quanta água nos separa.
E nessa janela eu me sento todos os dias.

Penso em você, e vomito poesia.
Penso em você e meu coração para.
Penso em você quando tento não pensar.

Pegue esse poema e amasse depois de ler.
Amasse tudo que já foi um dia, e o que será.
Porque eu te amo, mesmo sem saber o que é amor.


Se praia fosse o(a) mar ia


Sou água do mar que corre entre as pedras da praia.
Não sou lago, não sou lagoa. Muito menos água mineral.
Sou água salgada, as pessoas não podem me beber.
Não sou potável, eu tenho sabor. Sabor de mar.

Sou o mar e o oceano. Raso na praia, profundo em alto mar.
Sou calor e sou gelo, só depende de onde você me encontrar.
Sou azul cristalino, sou azul petróleo. Estou em toda parte.
Sou o vento forte que sopra sobre as ondas para a terra.

Sou tudo aquilo que você precisa, e o que não precisa.
O lugar de água salgada é no mar, não em uma garrafa.
Ninguém precisa guardar a minha insalubridade...

Se você fosse a praia, minhas ondas seriam meus beijos.
O marulho minha voz e a maresia meu perfume...
Se você fosse a praia, eu moraria em você. Se fosse.


Sono eterno


Tudo passa nessa vida; tudo é passageiro.
Exceto o sono. Ele nunca passa, nunca cessa.
Se pudesse, dormiria todos os dias, o dia inteiro.
Da dor fugir, e não precisar lutar contra essa.

Fecho os olhos com força, já deitado na cama.
Abraço o travesseiro, e coloco uma roupa confortável.
Espero então ser possuído pelo frio que me ama.
Frio amigo do peito, já da família, desde sempre louvável.

Posição confortável, posição única, não posso me mover.
O sono chegou e eu finalmente agora poderei dormir.
Dormir em paz, sem me decepcionar aos olhos abrir.

Sem me chatear ao lembrar ao acordar, e ao da cama descer.
Sem me preocupar com os prantos que me cercam.
Sem me importar com o presente, passado e futuro.


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Nós


É muito ruim quando a gente quer falar alguma coisa, mas dá um nó na nossa garganta e não conseguimos falar nada... E quando você quer ouvir uma música e tira seu fone do fundo da mochila, e ele está todo enrolado? É um saco... Ah, e quando você está com pressa e vai colocar o sapato, mas ele está com aquele nó apertado que você pensa em desfazer com o dente, mas dá graças a Deus por conseguir desfazer antes de levar à boca. E quando você percebe que está apaixonado, e fica sem saber o que fazer, perde o sono todas as vezes que deita na cama, sua cabeça dá um puta nó... Tem nós que são bonitos, tipo um nó marinheiro, ou um nó de gravata bem dado. Dependendo da gravata e da camisa, fica bem elegante.

A vida é cheia de nós, para onde quer que se olhe, irá encontrar um nó em algum lugar... Nós bonitos, nós chatos, nós complicados... Se eu pudesse fazer nós eu faria um só... Eu faria um nó bem no nosso destino. Tipo aquele nó de sapato, ruim de desfazer... Tipo um nó de gravata, elegante e bonito... Um nó que envolvesse firmemente, um nó seguro... Ah, como eu queria fazer nós como esse... E de todos os nós, só me falta um... É aquele tipo de nó que não se faz sozinho, chama-se    NÓS DOIS.

Matos e rosas


Todas as pessoas possuem um jardim para cultivar.
Há quem queira ter plantações e ganhar muito dinheiro,
Como há quem queira plantar rosas para ter o que admirar.
Mas, convenhamos... Nem todo mundo nasceu para ser jardineiro.

Meu jardim anda meio assim, meio morto, meio largado.
Tem mato pra todo lado. Já capinei, já arranquei pela raiz...
Mas, os matos cismam de brotar... Deve ser o chão molhado.
Quanto mais você arranca, mais ele insiste em nascer!  -De tudo já fiz-

A ideia inicial era fazer um canteiro, e fazer um roseiral.
Mas, as rosas não vingavam, sequer davam brotos.
E os matos, esses reinavam... Virou um tremendo matagal.

Não adianta avisar... Deve ser algo que o vento traga.
Ele torna o solo infértil, e assim as rosas não brotam.
E meu jardim fica assim, sem vida, cheio de praga.


Faxina



Andei ausente sim. Todo mundo precisa de um tempo.
Mas, uma hora a gente sempre acaba voltando para casa...
A gente tem que arrumar a bagunça, tirar a poeira de dentro;
E começar a faxina de fato. Limpar a cinza do que já foi brasa...

A chave da minha casa é o amor. Mas, a porta está trancada.
Não adianta tentar abri-la com outra coisa... O segredo é um só.
As janelas são muito altas, não tem como alcançar a sacada.
A casa sempre andou meio vazia, e sempre andou cheia de pó.

Mas comecei uma faxina e estou limpando tudo...
Desapeguei das coisas e fiz algumas doações.
Principalmente das pessoas... Joguei-as no mundo.

Chega de ficar na minha casa... Chega de acomodações.     [...]
Antes uma casa vazia a uma casa cheia de pessoas vazias...
O ruim de ter uma casa grande e vazia é que você acaba se perdendo.