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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Famintos de vazio



Será que ninguém consegue ver a que ponto chegaram?
Por onde anda aquilo cujo nome costumava ser respeito?
As pessoas reuniram todos os valores e os mataram.
Não era para se esperar muito, mas nem o que se é de direito...

Elas se iludem e se alimentam do supérfluo e vazio.

Nunca se satisfazem e perdem tempo com o falso.
Não se olham mais nos olhos. Foi-se o amor e seu traço.
Elas acham que têm tudo mas, têm a solidão e seu frio.
     
Elas se dizem felizes e se destroem numa felicidade suja e imoral.
O que é ser feliz? Aparências mudam e o dinheiro acaba.
E tudo isso acaba com quem não é 'feliz' e a sua esperança.

Gritos no vazio ecoam e ninguém ouve. Será que é real?

Elas são metade humano e metade merda. Pode acreditar.
Humano pela sua maldade e resto de matéria podre sem utilidade.


sexta-feira, 25 de julho de 2014

Somos eu


Eu sei, eu sei... A culpa é toda minha. Completa e absolutamente.
Eu não deveria deixar com ninguém o poder de me fazer bem.
Eu só poderia estar com a cabeça em um lugar, sinceramente.
Talvez perdido, vestido com seu abraço talvez; no infinito e além.

Eu só não sei o que fazer agora. A voz interior diz que devo seguir...
Mas, para onde, se para onde mais eu for não encontrarei o olhar?
Eu sei, eu sei que não adianta ouvir seus velhos sorrisos, antes de dormir.
É que ainda não consegui apagar nossas conversas do meu celular...

Se a culpa é minha, faço dela motivo para aprender...
Ninguém é responsável pelo que você sente.
Quem cria expectativas só decepciona a si próprio.

Esperança? Esperar para quê?
Somos só eu e eu mesmo.

Contra mim.  


Cirurgia



Eu percebi uma coisa enquanto saia da sala de cirurgia...
A ferida em si não doía, mas havia algo diferente.
Não conseguia me lembrar de nada após a anestesia.
Só haviam os pontos, a ferida, e um peito dormente.

As horas se seguiram, a dor veio à tona, e pude perceber...
Amar é como entrar numa sala de cirurgia, sem anestesia.
O amor se mistura a dor. E por mais que doa, não sentimos doer.
E de olhos abertos, anestesiados pelo amor, a ferida em si não doía.

A medicação intravenosa queimava; como nossas memórias.
Aliviava a dor; enganava momentaneamente com as velhas histórias.
A recuperação depende de quão profunda a cirurgia se deu.

O que resta, após tudo, nada mais do que a cicatriz, marca do que doeu.
Uma cirurgia como essa nos deixa vivos, e esquecemos isso, às vezes.
Nos torna fortes, humanos. Mas, recuperar-se dessa, leva mais que meses.


segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sombra do sol

Aquilo que você mais deseja é aquilo o que você mais teme.
Quando colocamos o mais na frente de algo, ele passa a ser demais.
Demais para lidar, demais para suportar; difícil demais.
Quanto mais se sofre mais se cala e mais se geme.

O medo de perder o que mais se deseja conquistar é apavorante.
É louco, pois nem possuir você possui, e inda assim sofre.
A esperança, torturadora, nós mantém cegos e constantes.
Quanto a minha esperança, ou o que restava dela, está num cofre.

Chega de desejos belos. Chega de sorrisos falsos e amarelos.
Eu já não quero mais aquela coisa toda chamada paixão.
Eu só quero um sorriso sincero e um amor nada mais que singelo.

Quero momentos de boca seca e que disparam o coração.
Quero ficar sem palavras e escutar seus grunhidos debaixo do lençol.
[...] Chega de desejos belos. Eu só quero buscar a sombra do sol. 


sexta-feira, 18 de julho de 2014

A lagoa e o mar


Era cercada por vida; sempre muito silenciosa.
Era pequena, linda, e possuía uma alma boa.
Ela era doce e delicada, sempre muito calorosa.
Ela era uma pequena e adormecida lagoa.

Era cercado pelo horizonte; sempre barulhento.
Era enorme e profundo, intrigante só de olhar.
Ele era salgado; ora partia, ora voltava, como o vento.
Ele era um enorme, profundo e perigoso mar.

O mar se apaixonou pela lagoa. Que tragédia.
A lagoa era rasa demais, e não havia espaço...
O mar era grande, mas a lagoa não podia sair do lugar.

A lagoa tinha medo da profundidade. Que comédia.
O mar partiu. O mar voltou e trouxe algo com um laço.
Era o amor. E já que não a podia possuir, decidiu apreciar.

Flores de plástico


Flores são perfumadas, contagiam todos ao redor.
Flores são belas, seduzem qualquer bom apreciador.
Flores são macias, todos querem sentir sua maciez.
Flores são únicas, apreciamos uma de cada vez.

O grande problema das flores, é que elas envelhecem;
Elas perdem a sua beleza e ficam ressecadas;
Sua essência não muda, mas suas pétalas perecem.
Elas precisam de água; de cuidados; ser amadas.

Mas, o homem é filho do criador, ele é realmente fantástico.
Ele criou as flores de plástico; onde são sempre belas;
Onde elas não precisam de muitos cuidados para viver.

Agora todas as flores normais querem ser de plástico.
As flores não querem água, terra... Querem uma cela;
Onde possam ser apreciadas, até seu plástico apodrecer.


Gotas de mar



Quando tudo começou o tempo parecia não importar.
Passado, presente e futuro era um único momento.
À medida que o ar entrava se tornava mais difícil respirar.
Se fosse se consumar em um desejo seria o esquecimento.

Mas, o peito tremia em um ritmo descompassado.
O corpo reagia involuntariamente, e eu também.
Sensação estranha, como se estivesse sendo esmagado.
Como se de tudo que havia, não restasse nada ou ninguém.

As sobrancelhas se uniam, fazendo um desenho no rosto.
O maxilar se contraía, para tentar conter a raiva e a dor.
Os soluços começavam, freneticamente, a se manifestar.

E de repente o mundo desabava dentro e fora, em um desgosto.
Os olhos se fechavam em uma tentativa de esconder o pavor.
E desciam as gotas de chuva, uma de cada vez, com sabor de mar.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Vólma


O tempo mostra em seu rosto e seu corpo, suas batalhas.
Suas cicatrizes são lições e exemplos de garra e fé na vitória.
Nada é tão perfeito ao ponto de nunca se encontrar falhas.
E para aceitar ou mudar ou saber a diferença, guardo na memória;

Guardo na memória a imagem de um anjo que Deus enviou.
Um anjo com um tom branco de cabelos loiros e olhos azuis.
Um anjo com sábias palavras e um coração caloroso; anjo da luz.
Nunca vi anjos fumarem, até conhecer esse anjo que me abençoou.

A fumaça de seu cigarro mata. Espanta. Afasta todo o mal.
Seu cafofo é um lugar de paz e é a moradia do amor.
Seu sobrenome é doçura. Anjo como este não há igual.

Não importa o tempo, o lugar; esse anjo acompanha o que for.
O mundo precisa de mais anjos assim; trazendo calma a alma...
E para este anjo especial, Deus colocou o nome de Walma.


Espaços


Todos nós já ouvimos falar de espaço. Mas só ouvimos falar.
Espaço é respeito, é desapego, é saudade, é liberdade, é amor.
Precisamos de espaços. De todos os tipos. Em qualquer lugar.
Espaço em nós, nos outros. Para produzir frio, para produzir calor.

Espaço para afastar; espaço para entender; espaço para mudar.
Espaço para pensar; espaço para crescer; espaço para amar.
Espaço para viver; espaço para refletir; espaço para ser.
Espaço para ter; espaço para sentir; espaço para sofrer.
                                                                                                                              
Somos controladores de espaços. Espaços físicos e emocionais.
Ocupamos espaços. Seja no ônibus, no cinema, ou na vida das pessoas.
Ocupamos somente o espaço que nos é dado. O que sobra, é resto.

Medir o espaço que alguém pode ter não é uma tarefa para animais.
Não há espaço padrão; cada um tem um tamanho... Mares ou lagoas.
Do que adianta ser mar, se todo o espaço que se pode ter é um copo?



domingo, 6 de julho de 2014

Sua missão: Cumprir a missão


Um navio não se navega sozinho. Precisa de uma tripulação.
Eu tinha uma missão perigosa; uma missão de ida, sem volta.
Reuni a tripulação e repassei a notícia; foram muitos os murmúrios.
Decidi que perto do objetivo, todos abandonariam o navio, em seus botes.

E então meu navio desatracou, deixou o porto pela última vez...
Deixou para trás toda aquela terra cheia de pessoas.
Em alto mar, é só você e o mar. Não dá para confiar completamente;
Mas com o tempo a gente acostuma com ele, ele nos entende, e nós o entendemos.

Em terra firme, é você contra as pessoas. Pessoas de todos os tipos...
Pessoas vazias, pessoas cheias de si; pessoas egoístas; pessoas invejosas;
Pessoas que destroem outras pessoas; pessoas que pensam demais;
Pessoas que não pensam; pessoas que não sabem nem que são pessoas.

E ainda existem as pessoas que querem ser outras pessoas...
Essas são o pior tipo. É triste, querer ser algo que já existe, querer ser alguém...
Dos outros o mundo já está cheio; e enquanto os outros copiam os outros;
Eu comando meu navio, no meu rumo, para onde eu quero, e quando quero.

O mundo está cheio de idiotas; e cada vez o mundo perde alguém.
Antes morresse; mas apenas perdeu alguém que se tornou mais um idiota.
E de idiotas, a terra firme está cheia. A terra firme é segura e confiável;
Mas os seus habitantes, não. O mar não tem esse problema.

Certa vez conheci uma comandante, e ela adorava o mar.
Ela adorava tanto que podia-se dizer que o amava.
E para provar esse amor, ela pegou seu navio e o afundou.
Para fugir da terra firme, o mar é a única solução...

A missão era só de ida. Meu navio não voltaria.
Seu destino: Fundo do mar.
Sua tripulação: O comandante.

Afinal, quem manda nessa porra sou eu.


"Eu prefiro o mar. Não porque é água, mas porque não é terra firme. "

(- Da série "Em alto mar.")


AltO mar

Quando eu entrei para a Marinha, eu aprendi a ser marinheiro.
Antes de entrar em um navio, aprendemos no nosso dia a dia;
Lições jamais esquecidas, lições para uma vida inteira.
E aprendemos que no final, estamos todos “no mesmo navio”.

No fundo, somos todos marinheiros em algum navio da vida.
Cada um navega em um oceano diferente, com seu rumo traçado.
Todos nós enfrentamos tempestades; todos nós sentimos saudades.
E no final, todos nós queremos ter o nosso porto seguro, para atracar.

Viver em alto mar não é uma tarefa fácil. Ainda mais em um navio,
Com a vida de outras pessoas em risco. Nós somos os comandantes;
Somos “o capitão”, e damos o rumo ao nosso navio oceano a fora.

Muitas vezes afundamos nosso navio, e nele todos que estavam nele.
O mar nunca foi um lugar seguro para aqueles que não sabem navegar.
O mar é hostil; calmo em sua superfície, turbulento em suas profundezas.


Toque de morte


A dor é realmente algo poderosamente incrível e impressionante.
Quando se surge de uma hora para outra então; essa é das boas...
Não importa quão forte o indivíduo seja; ela derruba todas as pessoas.
A dor tem um poder inimaginável, de acabar com tudo, num segundo, num instante.

“Tudo o que é construído termina por desmoronar.” Maldito desejo...
Maldito seja o desejo; por trazer o sofrimento sem aprendizagem;
Malditas sejam as pessoas; por sempre estragarem os desejos.
Maldita seja a esperança; por acreditar sempre nessa bobagem...

A dor possui um toque sutil; doce e sensual; um toque de morte.
A dor é uma sereia maravilhosa; hipnotizando os marinheiros em alto mar.
Mas, um mar de terra, onde ela anda livremente, de norte a sul.

E somente aqueles em alto mar, aqueles que conjugam o verbo amar;
Caem em sua hipnose; e então ela se alimenta da sua vida, da sua alma.
Uma fome insaciável; Até que o toque surge, sutilmente, nos afaga, e acalma.



sábado, 21 de junho de 2014

É ganhei um apelido. É Zinho. Pequeno né? Mas é só Zinho mesmo. Sozinho.