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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Gotas de mar



Quando tudo começou o tempo parecia não importar.
Passado, presente e futuro era um único momento.
À medida que o ar entrava se tornava mais difícil respirar.
Se fosse se consumar em um desejo seria o esquecimento.

Mas, o peito tremia em um ritmo descompassado.
O corpo reagia involuntariamente, e eu também.
Sensação estranha, como se estivesse sendo esmagado.
Como se de tudo que havia, não restasse nada ou ninguém.

As sobrancelhas se uniam, fazendo um desenho no rosto.
O maxilar se contraía, para tentar conter a raiva e a dor.
Os soluços começavam, freneticamente, a se manifestar.

E de repente o mundo desabava dentro e fora, em um desgosto.
Os olhos se fechavam em uma tentativa de esconder o pavor.
E desciam as gotas de chuva, uma de cada vez, com sabor de mar.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Vólma


O tempo mostra em seu rosto e seu corpo, suas batalhas.
Suas cicatrizes são lições e exemplos de garra e fé na vitória.
Nada é tão perfeito ao ponto de nunca se encontrar falhas.
E para aceitar ou mudar ou saber a diferença, guardo na memória;

Guardo na memória a imagem de um anjo que Deus enviou.
Um anjo com um tom branco de cabelos loiros e olhos azuis.
Um anjo com sábias palavras e um coração caloroso; anjo da luz.
Nunca vi anjos fumarem, até conhecer esse anjo que me abençoou.

A fumaça de seu cigarro mata. Espanta. Afasta todo o mal.
Seu cafofo é um lugar de paz e é a moradia do amor.
Seu sobrenome é doçura. Anjo como este não há igual.

Não importa o tempo, o lugar; esse anjo acompanha o que for.
O mundo precisa de mais anjos assim; trazendo calma a alma...
E para este anjo especial, Deus colocou o nome de Walma.


Espaços


Todos nós já ouvimos falar de espaço. Mas só ouvimos falar.
Espaço é respeito, é desapego, é saudade, é liberdade, é amor.
Precisamos de espaços. De todos os tipos. Em qualquer lugar.
Espaço em nós, nos outros. Para produzir frio, para produzir calor.

Espaço para afastar; espaço para entender; espaço para mudar.
Espaço para pensar; espaço para crescer; espaço para amar.
Espaço para viver; espaço para refletir; espaço para ser.
Espaço para ter; espaço para sentir; espaço para sofrer.
                                                                                                                              
Somos controladores de espaços. Espaços físicos e emocionais.
Ocupamos espaços. Seja no ônibus, no cinema, ou na vida das pessoas.
Ocupamos somente o espaço que nos é dado. O que sobra, é resto.

Medir o espaço que alguém pode ter não é uma tarefa para animais.
Não há espaço padrão; cada um tem um tamanho... Mares ou lagoas.
Do que adianta ser mar, se todo o espaço que se pode ter é um copo?



domingo, 6 de julho de 2014

Sua missão: Cumprir a missão


Um navio não se navega sozinho. Precisa de uma tripulação.
Eu tinha uma missão perigosa; uma missão de ida, sem volta.
Reuni a tripulação e repassei a notícia; foram muitos os murmúrios.
Decidi que perto do objetivo, todos abandonariam o navio, em seus botes.

E então meu navio desatracou, deixou o porto pela última vez...
Deixou para trás toda aquela terra cheia de pessoas.
Em alto mar, é só você e o mar. Não dá para confiar completamente;
Mas com o tempo a gente acostuma com ele, ele nos entende, e nós o entendemos.

Em terra firme, é você contra as pessoas. Pessoas de todos os tipos...
Pessoas vazias, pessoas cheias de si; pessoas egoístas; pessoas invejosas;
Pessoas que destroem outras pessoas; pessoas que pensam demais;
Pessoas que não pensam; pessoas que não sabem nem que são pessoas.

E ainda existem as pessoas que querem ser outras pessoas...
Essas são o pior tipo. É triste, querer ser algo que já existe, querer ser alguém...
Dos outros o mundo já está cheio; e enquanto os outros copiam os outros;
Eu comando meu navio, no meu rumo, para onde eu quero, e quando quero.

O mundo está cheio de idiotas; e cada vez o mundo perde alguém.
Antes morresse; mas apenas perdeu alguém que se tornou mais um idiota.
E de idiotas, a terra firme está cheia. A terra firme é segura e confiável;
Mas os seus habitantes, não. O mar não tem esse problema.

Certa vez conheci uma comandante, e ela adorava o mar.
Ela adorava tanto que podia-se dizer que o amava.
E para provar esse amor, ela pegou seu navio e o afundou.
Para fugir da terra firme, o mar é a única solução...

A missão era só de ida. Meu navio não voltaria.
Seu destino: Fundo do mar.
Sua tripulação: O comandante.

Afinal, quem manda nessa porra sou eu.


"Eu prefiro o mar. Não porque é água, mas porque não é terra firme. "

(- Da série "Em alto mar.")


AltO mar

Quando eu entrei para a Marinha, eu aprendi a ser marinheiro.
Antes de entrar em um navio, aprendemos no nosso dia a dia;
Lições jamais esquecidas, lições para uma vida inteira.
E aprendemos que no final, estamos todos “no mesmo navio”.

No fundo, somos todos marinheiros em algum navio da vida.
Cada um navega em um oceano diferente, com seu rumo traçado.
Todos nós enfrentamos tempestades; todos nós sentimos saudades.
E no final, todos nós queremos ter o nosso porto seguro, para atracar.

Viver em alto mar não é uma tarefa fácil. Ainda mais em um navio,
Com a vida de outras pessoas em risco. Nós somos os comandantes;
Somos “o capitão”, e damos o rumo ao nosso navio oceano a fora.

Muitas vezes afundamos nosso navio, e nele todos que estavam nele.
O mar nunca foi um lugar seguro para aqueles que não sabem navegar.
O mar é hostil; calmo em sua superfície, turbulento em suas profundezas.


Toque de morte


A dor é realmente algo poderosamente incrível e impressionante.
Quando se surge de uma hora para outra então; essa é das boas...
Não importa quão forte o indivíduo seja; ela derruba todas as pessoas.
A dor tem um poder inimaginável, de acabar com tudo, num segundo, num instante.

“Tudo o que é construído termina por desmoronar.” Maldito desejo...
Maldito seja o desejo; por trazer o sofrimento sem aprendizagem;
Malditas sejam as pessoas; por sempre estragarem os desejos.
Maldita seja a esperança; por acreditar sempre nessa bobagem...

A dor possui um toque sutil; doce e sensual; um toque de morte.
A dor é uma sereia maravilhosa; hipnotizando os marinheiros em alto mar.
Mas, um mar de terra, onde ela anda livremente, de norte a sul.

E somente aqueles em alto mar, aqueles que conjugam o verbo amar;
Caem em sua hipnose; e então ela se alimenta da sua vida, da sua alma.
Uma fome insaciável; Até que o toque surge, sutilmente, nos afaga, e acalma.



sábado, 21 de junho de 2014

É ganhei um apelido. É Zinho. Pequeno né? Mas é só Zinho mesmo. Sozinho.



sexta-feira, 20 de junho de 2014

" "


Eu queria que tudo desse certo, só hoje.
Queria você do meu lado, só sempre.
Como eu queria não pensar, só hoje.
Como eu queria você, só hoje, só sempre.


Carta ao Acaso



Certa vez eu li que nada acontece por acaso.
Ri comigo mesmo, e pensei que todo o fracasso;
Foi de propósito; todas as amizades, um atraso.
E o que diria do amor sempre escasso?

Seria menos doloroso se tudo fosse mera coincidência.
Se por acaso a solidão é um abismo, de propósito é um doce;
Um doce com sabor de lágrimas; um doce que o acaso me trouxe.
Seria menos agoniante se tudo fosse perda de consciência...

Se eu pudesse escrever uma carta para o acaso seria assim:
“Senhor Acaso, por favor, mande algumas sementes de amizade,
E ah, mande também uma semente de pé de amor.

Estou precisando plantar essas sementes no meu jardim.
Ele anda meio vazio, cheio de mato e lixo, pra falar a verdade;
Pelo menos isso vai servir de adubo, afinal, tudo tem um motivo maior, não é?”


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Presidio do amor


Como presidiários os dias começam a se arrastar diante de mim.
Com suas correntes barulhentas, sem me deixar conseguir dormir.
Com seus resmungos; clamando por uma justiça que não existe, sem fim.
Os dias como os presidiários, esperam por sua liberdade, para existir;

Para ter para onde ir além das grades sujas e geladas da prisão.
Eles foram condenados por falta de amor; e então postos numa cela.
Foram proibidos de passar, e assim parecia uma eternidade na escuridão.
Os dias pareciam não ter fim; como é um inferno viver sem ela...

A realidade é dura e não se importa se você a aguenta ou não aguenta.
Ela está diante de nós, e ainda assim nos recusamos a vê-la. Sim, é difícil.
É difícil admitir que precisamos de alguém quando não queremos precisar.

Se sentir saudade for sinônimo de fraqueza... Estou longe de ser forte.
Eu já não quero aquela coisa toda... Só quero ter um alguém para voltar.
Um alguém que me faça arder os olhos, como se estivesse olhando o Sol.




Sempre pedra


Era bastante estúpido; com poucas palavras, sempre secas.
Monossilábico era a todo instante; e sua grosseria, única.
Seu olhar profundo nos olhos era sempre desconfortante.
Sempre frio, sempre rígido, parecia uma pedra perdida do tempo.

Com o tempo, os rios secaram; As montanhas mudaram de lugar;
As florestas sempre morrendo; as geleiras derretendo; as nuvens dançando.
O tempo passa e as coisas mudam... Mas a pedra, esta permanece imutável.
Gelado, estúpido, rígido, frio e ao mesmo tempo profundo e sensível.

Assim o era e assim era o seu amor. Um amor nada perfeito, um nada perfeito.
Mas, não era para ser perfeito. Afinal, são pelos defeitos que nos apaixonamos.
É o que tornam as pessoas únicas umas para as outras. Peças iguais não se encaixam.

Assim o era e assim era o seu amor. Uma pedra fria e solitária. Uma pedra pesada.
Uma pedra imutável, constante, uma pedra, sempre pedra. Nada mais que pedra.
Eu até entendo que de pedras são poucos os que gostam de carregar a vida inteira.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Amor inventado


Tenho uma mania terrível, de querer o que não é meu;
Uma fome insaciável, de querer o que não tenho.
É algo interno, muito forte, e maior do que eu.
Sei que não devo, mas em meu rosto, um desenho.

O sorriso nasce tão naturalmente, quanto o sol.
Mostra o proibido; vem da alma, é o amor.
Ele rouba a madrugada debaixo do lençol.
Uiva dentro do peito, implorando ‘por favor’.

Desejo o impossível; pois ainda não foi conquistado.
E essa mania terrível, de querer o que não é meu.
Suicido-me, matando a fome com veneno.

E não morro de verdade, pois ele foi inventado.
Já o real, é essa mania de querer o que não é meu.
O desejo de suicidar-me com o melhor veneno: Você.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Sentido para quê?


Há coisas que o coração nunca irá entender.
Como explicar a ele, que é possível ser feliz sozinho?
Amar como se amava não se ama mais. Como lhe dizer?
Como lhe dizer que pessoas te magoam, sem carinho?

Há coisas que certamente a razão nunca irá aceitar.
Como explicar a ela, que é possível não ser amado e ainda amar?
Como dizer que um sorriso seu me faz querer sorrir também?
Como explicar o sofrimento e a dor por outro alguém?

Seria complicado provar que a saudade não é um sentimento.
Ela tem endereço; ela tem telefone; ela tem cheiro; ela tem nome.
A saudade bate e você apanha. Não importa o que você faça;

Se você está com os amigos, com a família; ainda não terá graça.
A razão é apaixonada pelo coração, por isso eles são tão diferentes.
O amor não faz sentido, se as duas partes forem iguais. Não se completariam.