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sexta-feira, 20 de junho de 2014

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Eu queria que tudo desse certo, só hoje.
Queria você do meu lado, só sempre.
Como eu queria não pensar, só hoje.
Como eu queria você, só hoje, só sempre.


Carta ao Acaso



Certa vez eu li que nada acontece por acaso.
Ri comigo mesmo, e pensei que todo o fracasso;
Foi de propósito; todas as amizades, um atraso.
E o que diria do amor sempre escasso?

Seria menos doloroso se tudo fosse mera coincidência.
Se por acaso a solidão é um abismo, de propósito é um doce;
Um doce com sabor de lágrimas; um doce que o acaso me trouxe.
Seria menos agoniante se tudo fosse perda de consciência...

Se eu pudesse escrever uma carta para o acaso seria assim:
“Senhor Acaso, por favor, mande algumas sementes de amizade,
E ah, mande também uma semente de pé de amor.

Estou precisando plantar essas sementes no meu jardim.
Ele anda meio vazio, cheio de mato e lixo, pra falar a verdade;
Pelo menos isso vai servir de adubo, afinal, tudo tem um motivo maior, não é?”


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Presidio do amor


Como presidiários os dias começam a se arrastar diante de mim.
Com suas correntes barulhentas, sem me deixar conseguir dormir.
Com seus resmungos; clamando por uma justiça que não existe, sem fim.
Os dias como os presidiários, esperam por sua liberdade, para existir;

Para ter para onde ir além das grades sujas e geladas da prisão.
Eles foram condenados por falta de amor; e então postos numa cela.
Foram proibidos de passar, e assim parecia uma eternidade na escuridão.
Os dias pareciam não ter fim; como é um inferno viver sem ela...

A realidade é dura e não se importa se você a aguenta ou não aguenta.
Ela está diante de nós, e ainda assim nos recusamos a vê-la. Sim, é difícil.
É difícil admitir que precisamos de alguém quando não queremos precisar.

Se sentir saudade for sinônimo de fraqueza... Estou longe de ser forte.
Eu já não quero aquela coisa toda... Só quero ter um alguém para voltar.
Um alguém que me faça arder os olhos, como se estivesse olhando o Sol.




Sempre pedra


Era bastante estúpido; com poucas palavras, sempre secas.
Monossilábico era a todo instante; e sua grosseria, única.
Seu olhar profundo nos olhos era sempre desconfortante.
Sempre frio, sempre rígido, parecia uma pedra perdida do tempo.

Com o tempo, os rios secaram; As montanhas mudaram de lugar;
As florestas sempre morrendo; as geleiras derretendo; as nuvens dançando.
O tempo passa e as coisas mudam... Mas a pedra, esta permanece imutável.
Gelado, estúpido, rígido, frio e ao mesmo tempo profundo e sensível.

Assim o era e assim era o seu amor. Um amor nada perfeito, um nada perfeito.
Mas, não era para ser perfeito. Afinal, são pelos defeitos que nos apaixonamos.
É o que tornam as pessoas únicas umas para as outras. Peças iguais não se encaixam.

Assim o era e assim era o seu amor. Uma pedra fria e solitária. Uma pedra pesada.
Uma pedra imutável, constante, uma pedra, sempre pedra. Nada mais que pedra.
Eu até entendo que de pedras são poucos os que gostam de carregar a vida inteira.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Amor inventado


Tenho uma mania terrível, de querer o que não é meu;
Uma fome insaciável, de querer o que não tenho.
É algo interno, muito forte, e maior do que eu.
Sei que não devo, mas em meu rosto, um desenho.

O sorriso nasce tão naturalmente, quanto o sol.
Mostra o proibido; vem da alma, é o amor.
Ele rouba a madrugada debaixo do lençol.
Uiva dentro do peito, implorando ‘por favor’.

Desejo o impossível; pois ainda não foi conquistado.
E essa mania terrível, de querer o que não é meu.
Suicido-me, matando a fome com veneno.

E não morro de verdade, pois ele foi inventado.
Já o real, é essa mania de querer o que não é meu.
O desejo de suicidar-me com o melhor veneno: Você.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Sentido para quê?


Há coisas que o coração nunca irá entender.
Como explicar a ele, que é possível ser feliz sozinho?
Amar como se amava não se ama mais. Como lhe dizer?
Como lhe dizer que pessoas te magoam, sem carinho?

Há coisas que certamente a razão nunca irá aceitar.
Como explicar a ela, que é possível não ser amado e ainda amar?
Como dizer que um sorriso seu me faz querer sorrir também?
Como explicar o sofrimento e a dor por outro alguém?

Seria complicado provar que a saudade não é um sentimento.
Ela tem endereço; ela tem telefone; ela tem cheiro; ela tem nome.
A saudade bate e você apanha. Não importa o que você faça;

Se você está com os amigos, com a família; ainda não terá graça.
A razão é apaixonada pelo coração, por isso eles são tão diferentes.
O amor não faz sentido, se as duas partes forem iguais. Não se completariam.



sexta-feira, 2 de maio de 2014

Remador



Não adianta correr, não adianta fugir.
O sol nasce para todos e a dor também.
Não adianta gemer, não adianta grunhir.
Todo mundo já sofreu por algo, ou alguém.

O grande problema da dor é a própria dor.
Ela precisa ser percebida, precisa ser sentida.
Ela te apavora, ela te tortura sem amor.
O grande problema da dor, não é a despedida.

São todas as despedidas juntas, incontáveis.
É uma dor que vem de dentro para fora.
É uma dor que vem do coração, miseráveis!

É uma dor que não passa, não quer ir embora.
É uma dor que deve ser sentida.
Não adianta correr, não adianta fugir.

Lar doce lar


Todo mundo mora em algum lugar.
São lares diferentes, sem um padrão.
Meu lar é onde fica meu coração.
E isso, eu não tenho como negar...

No meu lar, janelas abertas são seu olhar.
No meu lar, uma porta aberta é o seu sorriso.
No meu lar, não existem fechaduras para trancar.
No meu lar, tudo é tão maravilhoso, como o paraíso.

O meu lar é feito o vento. É suave e sereno.
Toca meu rosto como toca a minha alma,
Envolve meu corpo, me faz sentir pequeno.

Não sei de onde vem, e nem para onde vai.
Não sei se fico preocupado, ou se mantenho a calma.
Só sei que o meu lar não é um lugar, mas um alguém.


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Deficientes


Que tal fechar os olhos por um instante.
Agora olhe para mim, mas mantenha-os fechados.
Diga-me o que você vê. Não seja relutante. [...]
Tente ver as coisas com os olhos vendados.

Assim como quem não enxerga, desperta a audição;
Quem sabe de olhos fechados não desperte o coração?
Sentir as coisas com os olhos não parece funcionar;
Somos deficientes de sentimentos, vemos sem enxergar.

Agora tente fechar a boca por um momento.
Tente me dizer como você está se sentindo.
Assim como o mudo fala com as mãos, fale com o coração.

Ele é colocado de lado, e até esquecido. É um lamento.
Somos feito bonecos sem emoções, sempre sorrindo.
Bonecos não falam, não enxergam, não tem emoção.



Revelações



Quando se quer muito algo, se vai lá e faz.
Quando não dá, inventamos uma maneira de fazer.
Quando se faz questão de algo, não há limites.
Quando não se faz, tanto faz.

Quem diz que quer e não quer, dá uma desculpa.
Ter sem possuir é não ter só que tendo um pouco.
É como areia movediça, se ficar muito tempo, afunda.
Quem foi quem inventou os sentimentos?

Será que é pra levar a sério, ou seria uma brincadeira?
É tão injusto, entrar na vida de alguém, tirar tudo do lugar,
E depois, simplesmente se retirar e desaparecer por aí.

A vida é tão injusta com certas coisas, tanto faz.
No mundo real, pessoas não são mais pessoas.
São objetos descartáveis. Questão pra que? 

Paraquedas

Nunca imaginei que amar fosse uma aventura.
É uma mistura meio maluca de sentimentos.
Foi como voar num avião, sentindo no rosto o vento,
Completa loucura, mas eu nunca tive medo de altura.

E a vista lá de cima é outra completamente impressionante.
Pude ver como o mundo é grande, e como era legal voar.
Enfrentei algumas turbulências, sempre muito emocionante.
Tudo saia do lugar, e o coração não parava de palpitar.

Contudo, é perigoso se aventurar, é preciso correr riscos.
E foi numa turbulência que eu precisei abandonar o avião.
Dia cinza, frio, ventos fortes, e lá fora, um grosso chuvisco.

Saltei. Abri meus paraquedas. Foi uma loucura, pura emoção.
Só assim, pude ver quão grande era o meu paraquedas por ela.
A pior parte foi dobrá-lo. A segunda, cuidar dessa “sequela”.


terça-feira, 15 de abril de 2014

Defeito

Quando se ama, muita coisa perde a importância.
Quando se ama, se ama, e isso é o que importa.
Dizem que o amor é para sempre, e ele é.
O para sempre é composto de agoras, olhe só.

Quando se ama, se ama, não importa o lugar.
Quando se ama, se ama, as pessoas são o lugar.
Dizem que amar é encontrar a si mesmo, e é.
É encontrar a si mesmo em outra pessoa.

Quando se ama, se ama, inclusive os defeitos.
Quando se ama, não importa se somos perfeitos no mundo.
Dizem que o amor não tem limites, e não tem.

Quando se ama, se ama, de corpo e alma.
Quando se ama, se ama, e só.
Dizem que amar é encontrar o amor perdido no fundo do mar.

A lasca


Dia cinza, a chuva não deu trégua. O frio inflamou a garganta, e a dor o peito. Terminara de ler um livro, e nele vi algumas palavras de Buda. Ele disse que tudo o que é construído termina por desmoronar; a primeira coisa que se passou pela minha cabeça foi que então, segundo ele eu estou desmoronado. Não levei a frente isso, e continuei lendo. Ele disse, também, que o sofrimento é causado pelo desejo; e então foi que a segunda coisa que me passou pela cabeça foi ela; o meu desejo. Continuei lendo, e ele sugeriu que a suspensão do desejo implicava na suspensão do sofrimento, e se pararmos de desejar que as coisas perdurem, não iremos sofrer quando elas desmoronarem... Realmente, muito profundo, verdade verdadeira, emocionante. Mas, eu não podia abrir mão desse sofrimento. Não podia porque a única coisa que me mantinha ligado a ela era o meu desejo. Sem o meu desejo, ela não seria nada. Ela era tudo, só não sabia disso. Ela desmoronaria em mim, deixaria de existir, se eu não a desejasse. De qualquer forma, eu teria que escolher entre deixar de sofrer por deseja-la e sofrer por não tê-la mais dentro de mim, ou sofrer por deseja-la. O desmoronamento é inevitável, o amor também.
Desejos levam ao sofrimento... Então não desejar seria não sofrer... E o caminho para a felicidade seria não desejar... Mas, não seria a felicidade, um desejo? Por mais que seja consequência de não desejar, no final das contas, agimos almejando a felicidade; desejando-a. No fundo, se a felicidade é um desejo, a felicidade leva ao sofrimento também. Sofrer é inevitável, amar também.

O amor é frio como o Alasca, aquilo em que o mar bater, congela.


Quando estamos tristes, o que fazemos? Choramos; Quando estamos felizes, o que fazemos? Sorrimos; E quando amamos? O que fazemos? ... Fazemos tudo errado.