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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O deserto da esperança


Antes fosse fácil aceitar que sempre há uma pessoa no mundo que te espera.
Mas, a esperança é uma falsa ilusão, e me promete coisas como um sorriso e olhar.
Promete que quando encontrar o par de olhos, o passado e futuro se fundirão;
E a partir desse momento, tudo perderá a importância, e só existirá a certeza.

E teus olhos nos meus, lembrar-me-ia de que a amava antes mesmo de conhecê-la.
Ter esperança é como estar num deserto vazio, e então nos sentimos pequenos.
Tenho a miragem de uma mulher caprichosa, a qual me enlouquece profundamente.
Esqueço a sede, a fome, o calor de dia, o frio à noite, e a dor de andar em círculos;

Ouvi através de seu veludo, que os homens deveriam caminhar livres, como o vento.
O vento move o deserto, mas o deserto é o mesmo. A liberdade é o caminho.
Liberdade para caminhar por onde o coração guiar, e assim encontrar o tesouro.

E para encontrar, deve-se perder muitas vezes primeiro. E perdido, achar o perdido.
E só se perde estando num deserto grande, tendo esperança o suficiente para isso.
Porque no fundo, todos nós queremos ter alguém por quem esperar, e que nos espere.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Regador, rega a dor, com amor.


Às vezes, o silêncio de uma voz esconde gritos de agonia.
Gritos de dor, gritos de revolta, gritos de raiva, gritos roucos.
Roucos de não aguentar mais gritar, enquanto, ninguém ouvia.
Todos sempre cheios de si, porém vazios. Sempre foram poucos.

Absorto num silêncio estrondoso começa uma procura sem fim.
Procura-se uma amizade que acima de tudo seja sincera.
Mas, que seja uma ao menos. E que não haja espinhos no jardim.
Que seja quente, e possa colorir o preto e branco com a primavera.

Que suas raízes sejam firmes no solo, e que tenha uma essência.
Raízes firmes... Isso só o tempo pode oferecer, só o tempo irá dizer.
Não existem raízes tão firmes como as que já possuem uma vivência.

Por debaixo das folhas secas, elas ainda estão lá, porém difíceis de ver.
Os gritos diminuem, as folhas vão embora, e uma velha amizade reaparece.
O que foi não deixará de ser. E o que vier, a gente dá água pra ver se floresce.


quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Ser forte


Ser forte é não ter medo da morte.
Ser forte é não se importar com a inveja dos outros.
Ser forte é ajudar o próximo.
Ser forte é se preocupar mesmo com quem não se preocupa com você.

Ser forte é não depender da felicidade para viver.
Ser forte é saber ser frio, até com as pessoas que ama.
Ser forte é conseguir não chorar nos momentos de dor.
Ser forte é conseguir não deixar a esperança morrer.

Ser forte é não enganar o coração.
Ser forte é levantar depois de cair.
Ser forte é correr atrás de um sonho.

Ser forte é ser você mesmo.
Ser forte... É segurar a depressão.

Ser forte é tão difícil.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Seria se não fosse?

Tudo o quanto quero, por hora, não posso possuir.
É uma peça da vida, porém nem tanto engraçada.
Uma coisa é dormir. Outra coisa é dormir para dor ir.
Coisa forte, apertada, como no peito uma faca afiada.

um sorriso já basta para iluminar o meu dia.
E a questão é: por onde se esconde esse sorriso?
Isso é tão ruim como no frio tomar banho de água fria.
É uma esperança doente, de ver um pedacinho do paraíso.

O tempo passa e a saudade, do que não foi, aperta.
Que será daquilo que não foi, mas poderia ter sido?
Realmente, verdadeira tortura silenciosa, molhada.

Importa mais tudo que nada. O nada não se acerta.
De fato, tudo é uma coisa só quando não se é nada.
Verdade é que só seria se fosse dada uma chance.


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Há de passar o que não passa?

Toda dor que há nessa vida, há de passar. Toda paixão também.
Paixões vêm e paixões vão. Feridas saram e formam cicatrizes.
Cicatrizes são únicas, algumas inesquecíveis. Paixões também.
Paixões vêm e paixões vão. Por alguns momentos, felizes.

Nenhum encanto é tão pequeno que se vá por inteiro.
Por todos os cantos, encontram-se vestígios do que já foi.
Nenhum desencanto é tão grande que não seja ligeiro.
Porque quando o assunto é paixão, o que não é, já foi.

Um simples gesto, um simples riso, um olhar, um toque, um beijo,
Um abraço de pés, um conhecimento amplo de muitos dos desejos.
Como se de um farol se afastasse, e não pudesse ver seu lampejo.

Sabemos que está lá, mas não vemos mais. É triste, mas acontece.
Não importa o quanto doa. Não importa o quanto sangre, chore.
Cada instante é sempre e nunca morre.



Trancado


Tinha um vício um tanto sórdido, difícil de controlar, porém consciente.
Apaixonava-se, alimentava-se, aquecia-se, e por fim, desapegava-se.
Dava tudo e depois se retirava, compartilhando de seu vazio latente.
Verdadeiro câncer no qual se instala e destrói até matar. Matava-se.

Matava sua sede nas lágrimas puras das belas moças apaixonadas.
Saciava sua fome transformando corações em pequenas migalhas.
Monstro nato, vício sórdido, coração de gelo quente, muitas falhas.
Não satisfeito, as torturava em suas mentes... De fato, destroçadas.

Sofria com a sua solidão, com seu vício, com as moças, e chorava.
Chorava em silêncio, em sua alma, se é que possuísse uma.
Em sua mente, tremenda tempestade, suicidava-se e agonizava.

Era bom em sua essência, porém mau em sua natureza.
Punição maior ainda há para existir, por enquanto nenhuma.
Por enquanto, trancou-se, e nele só habita a tristeza.


domingo, 27 de outubro de 2013

O mar


Nas profundezas, turbulência.
Na superfície, calmaria.
Na maioria, água fria.
Na sua bruma, inocência.

Nas suas ondas, força.
Na sua cor, intensidade.
Na maioria, tempestade.
Na sua busca, moça.

Nas suas noites, ciúme.
Na maioria, chuva salgada.
Na lufada, perfume.

Na saudade, amada.
Na maioria, queria amar.
Mas seu nome, era  mar.

Mais que tudo, mas nada

É mais que um sorriso lindo e que um olhar sincero.
É mais que um abraço gostoso e noites de amor.
É mais que tudo, mas não é nada. Por hora, só dor.
É só um nada que ainda não saiu do zero.

Desse jeito, surgiu um buraco negro em mim.
Desse jeito, atraio tudo que brilha, e destruo.
Desse jeito, mato rosa por rosa no meu jardim.
Desse jeito, de tudo nada possuo.

Sem o calor, faz-se neve e meu sangue esfria.
Sem esse calor, o resto não passa de resto.
Sem aquele calor, a noite não vira dia.

Ela não conhece o sol, apenas as estrelas.
Ela é a destruidora de buracos negros.
Ela é quente, mas precisa de um eclipse.

domingo, 15 de setembro de 2013

Regras do amor

Abra as portas, as janelas, deixe o sol entrar.
Esqueça um pouco as chaves, jogue-as fora.
Vamos falar um pouco sobre o que é amar...
Regra número um: Deixe o amor ir embora.

Tudo o que é nosso encontra um jeito de voltar.
E se não voltar, é porque não era a hora...
Não é desculpa, nem motivo para se desculpar,
É um jeito leve de encarar a verdade que nos devora.

Regra número dois: Não crie regras. Nada de impor.
Deixe que flua naturalmente, como o fluxo de um rio.
Ele sabe por onde deve passar, ele sabe seu caminho...

Regra número três: Não corra atrás do amor.
Deixa que ele encontra um caminho para ti, como o rio.
Apenas sorria, abra as janelas, e não pense demais.

Mudanças


Era grande, quente, confortável, não tinha portas nem fechaduras.
Entrava-se e saia quando quisesse, o problema era que era difícil sair.
Não precisava de máscaras, por lá também não precisava de armaduras.
Mas, de repente, foi ficando lotado, e foi ficando difícil até de dormir.

As noites eram eternas, e aquilo tudo estava começando a machucar...
Sempre havia espaço para mais um até que foi ficando sem para mim.
É engraçado como a solução, às vezes, encontra uma maneira de se revelar.
Foi então que apareceu o vazio, gostou do lugar e ficou. Vazio tornou-se assim.

Foram sendo colocadas para fora, e sequer percebiam o que acontecia.
Estava de mudança. Era hora de mudar. Hora de esvaziar tudo, renovar.
Tudo partia, tanto as boas como as ruins. Partia-me, partia, mas partia.

Vazio tornou-se assim. Sem dor, sem fraqueza, sem nada e sem amar.
É necessário. Fazer mudanças é necessário. Todo começo tem um fim,
E todo fim traz um começo. E agora, o vazio ocupou todo o espaço. 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Criminosa


Ainda me lembro da primeira vez que cruzou pelo meu olhar.
Seu sorriso era tão lindo que devia ser crime escondê-lo...
E seus olhos pareciam uma pintura em seu rosto. - Faltou-me ar-
Numa noite diferente, encontrei sua pele de porcelana e seu cabelo.

A dança nunca foi um forte, mas dançamos inocentemente...
Mas a razão falou mais alto e sem um começo teve um fim.
E o fim é o começo de algo novo. E foi assim, tão de repente
Que pouco a pouco, foi encontrando um espaço em mim.

Não se mate por aquilo que não te dá vida...
Às vezes devemos escutar um pouco o coração.
E escutando fui, escutando estou, adoro escutar.

O silêncio às vezes toma conta, mas está de partida.
É tanto amor dentro de uma pessoa, tanta compaixão...
E de repente, pouco a pouco, está a roubar...

domingo, 4 de agosto de 2013

Gerador


Não sei o que escrever, mas quero escrever.
Não sei o que pensar, e não quero nem pensar.
Não sei o que sentir, mas não quero sofrer.
Não sei o que falar, e não quero nem tentar.

Às vezes, o medo nos domina e nada fazemos.
Às vezes, a dor gera raiva, e a raiva gera dor.
Às vezes, a esperança é cruel, mas esquecemos.
Às vezes, o coração nos engana, grande traidor.

Tudo está fora do seu lugar, e não consegue funcionar.
Mas talvez, não tenha tudo, ou talvez não tenha lugar.
Nada é certo até tudo encontre o seu devido fim...

Do que adianta um jardineiro ser, se não tiver um jardim?
Do que adianta ter uma vida inteira, sem ter um amor?
Só se for para fazê-lo funcionar, alimentar o gerador.

Alimento


Tudo aquilo o que é vivo precisa de energia,
Precisa de algum sustento para manter-se forte...
Às vezes, isso pode ser um pouco de alegria,
Ou um sorriso torto, para proteger o nosso forte,

Nossas mentes, nossa razão, nossos sentimentos,
Nossos corações. Mas todo forte tem um ponto fraco.
E é consertando ele dia após dia, com cimento,
Água e areia, que pouco a pouco ele acaba indo para o saco.

Para manter-se vivo, é preciso se alimentar.
Não todo dia, mas com certa frequência...
Mas com que frequência? Não sei explicar,

Mas cada um sabe a fome que tem na essência...
Tem um sentimento que não gosto de dizer o nome,
Mas que dessa vez, - eu prometo-, deixarei morrer de fome.