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sábado, 3 de agosto de 2013

Espirro


O desejo se transformou em ilusão.
Dizia ser quente, mas era sempre frio.
O desejo enganou o meu coração.
E afundou as esperanças num rio.

A verdade surge destroçando tudo,
Rasgando no peito um sentimento
Falso, um amor que era mudo...
Um amor diferente, amor de vento...

Se não vier para somar, que suma.
Só está pronto para amar,
Aquele que compreender o amor.

Se não for pra ser, que durma
Eternamente no frio do mar,
Até que queira sentir o meu calor.

Primavera

As horas me queimam pela noite à sua espera.
A fome do seu rosto me mata lentamente...
Se fosse lhe dar um nome, lhe daria primavera.
És bela, dourada, perfumada e surpreendente.

Suas roupas tentam esconder parte de sua beleza,
Mas não conseguem. Seus cabelos seu sorriso,
Como as nuvens o sol, inevitável natureza...
Seu calor me fez viciado, e dele agora preciso.

Preciso do carinho das suas mãos em mim;
Meu coração está inflamado pela madrugada,
E eu preciso da minha primavera, meu serafim.

Preciso muito que chegue, e que nada, nada...
Nada a leve embora. Chega de despedidas...
Meu coração não aguenta mais uma nova ferida.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Era uma vez


Era uma vez um sorriso. E numa noite, cruzou o meu olhar.
Seu cabelo era dourado, e seus olhos tinham cor de mel.
Sua boca era um tanto que inocente, não pude não reparar.
Era uma vez uma virgem. Mas se perdeu do caminho do céu.

Sua pele era tão gostosa que por hora me confundi com veludo.
Suas mãos eram frias. Seu corpo todo o era. Mas nesta noite não.
Nesta noite poucas palavras, alguma coisa não me deixou dizer tudo.
Mas disse: “Mãos geladas escondem um quente e grandioso coração.”.

Arrancar seu sorriso era como roubar um pedacinho do paraíso.
Deitei-me sobre seu colo, e suas mãos surgiram em meu cabelo,
Em meu rosto... Beijei seu nariz, beijei sua testa, e seu sorriso.

E em troca, recebi nada mais do que o toque do seu gelo.
Fechei os olhos então, deitei-me e pus-me a pensar.
Talvez seja nova demais para saber o que é amar..

Ou não. Torpor maldito.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Descartáveis


Se quebrar, você troca.
Se não gostar, joga fora.
Se enjoar, deixa de lado.
Se lembrar, finge que esquece.

Se irritar, faz de conta que não existe.
Se magoar, magoa mais.
Se errar, crucifica.
Se arrepender, nunca existiu.

Se mais, menos.
Se menos, mais.
Se mostrar a verdade, nega.

De tanto visar o que não se tem,
Não se tem nada, e tudo perde o valor.
Tudo se torna descartável, até as pessoas.

Amor intermitente

Às vezes me pergunto se tudo é tão confuso,
Ou se nós as tornamos mais do que já são.
Às vezes, o amor entra como um intruso,
E de repente, rouba parte do nosso coração.

E repentinamente, ele faz suas malas, e parte.
Confuso ou não, dói. E conciliar razão e sentimento,
Cá entre nós, nunca deu certo. Por toda a parte,
Há partes de um amor efêmero, um amor de vento.

“Não podemos ver, mas podemos sentir.”
Engraçado como isso parte o coração em pedaços,
E mesmo assim, se o amor fosse intermitente,

Eu a amaria, mesmo sabendo da dor ao partir...
Teria sempre em meu peito, um espaço.
Ora maior, ora menor. Torpor presente...

Tempestade


E são nos dias mais frios que a peleja é mais longa.
Dias cinzas, quase negros, dias de tempestade.
Mas apesar disso, por trás dela, o sol está a brilhar.
E ele nunca sequer parou. Só está a espera dela passar.

É na tempestade que nos sentimos fracos, com frio;
São nas piores que se tiram as melhores lições.
Na vida, enfrentaremos inúmeras, e fugir delas é tolice.
Elas destroem tudo, mas não se preocupe, o sol virá.

Pegue seu agasalho mais grosso e se proteja do frio,
Não deixe que ele congele o seu coração...
Não espere que as coisas mudem debaixo do seu cobertor;

Elas não irão. É preciso ir lá fora e encarar a tempestade.
Se nós sentimos o calor, é porque nós sentimos o frio.
Se nós sentimos dor, é porque nós sentimos...


Mas o sol virá.

sábado, 25 de maio de 2013

Jardim de Almas


Tenho procurado não pensar em mim.
Não pensar em felicidade.
Não pensar em coisas boas e afins.
Não pensar em nada, de verdade.

Tenho procurado ocupar minha mente.
Para fazer o tempo passar.
Para fazer isso tudo passar.
Pra fazer a vida passar menos dolorosamente.

Se me perguntas por que faço o bem,
Direi que é para trazer a felicidade para alguém.
E quem sabe, roubá-la um pouco para mim.

Se me perguntas por que ter um jardim,
Direi que é para trazer a felicidade para alguém.
E fazer dessa felicidade, a minha também.


terça-feira, 23 de abril de 2013

Chuva quente



Você percebe algo de errado quando seu banho é demorado.
Quando, debaixo do chuveiro, seus olhos se fecham com força,
E você encosta a cabeça na parede, e segura os olhos embaçados.
Quando nos seus pés, já começa a se formar uma pequena poça.

Aí você abre o ralo, deixa a água ir embora, e surge um vazio.
Um vazio estranho. Alguma coisa que não deveria foi por água fora.
Com tudo limpo, o banho termina, o boxe se abre, e vem o frio.
O boxe se fecha, o chuveiro também, e tudo se embaça, e agora?

Você senta com a cabeça nos joelhos, sentindo a chuva quente.
Como se sabão caído nos olhos tivesse, ardem e embaçam também.
“Chega!” – Você diz, levantando e desligando e lavando a sua mente.

Com a toalha já no corpo, você limpa o espelho e dá um sorriso torto
Que torto ou não, não consegue enganar nem a si nem a ninguém
De que não está tudo bem, e que aquilo que foi vivido, ainda não está morto.

sábado, 17 de novembro de 2012

Matemática e amor



Na matemática do amor, é assim:
Você aprende que um mais um é igual a um.
Aprende que um menos um é igual a nenhum.
Um parece tender ao infinito sem fim.

Um dividido por dois não dá pra dividir.
Porque a gente não divide um amor.
Não tem regras, não tem como definir.
É único, é um, é única, sem divisor.



sábado, 3 de novembro de 2012

Vaso Grego



É dolorosa a espera para sentir novamente.
Teu cheiro, tua pele, teu cabelo, tua boca.
Deitar meu corpo sobre o teu até sentir dormente.
Deixar meus lábios caminharem até ficar louca.

Desejos me acertam como flechas.
E teu sorriso em minha mente se faz.
Tão perigosa que com uma brecha
Possui como um demônio voraz.

Foram tantas as cartas escritas quanto rasgadas.
Engraçado como tudo muda, mas permanece.
Foram tantas as noites de tormenta quanto às acordadas.

Mas de tudo isso, a gente finge que esquece.
Pra fingir que não sente dor, fingir que é forte.
Mas no final, sabemos que quando é amor, somos fracos.


domingo, 15 de abril de 2012

O barquinho

Certo dia, estava sentado na casa da minha Avó. Na verdade nem era minha avó de verdade, mas significava muito mais que isso. Mas deixando tudo isso de lado, ela me dizia sempre que eu era um barquinho. Onde Deus havia me colocado num rio, o rio da vida. E o barquinho ia sendo levado pelo rio, às vezes ele ficava preso num galho, em lugares estranhos, e permanecia lá por algum tempo, esperando que chovesse para que o rio subisse, e pudesse tirá-lo de lá. Às vezes o rio ia ficando sem água, e o barquinho não navegava. Ele esperaria de novo pela chuva, para que pudesse voltar a sua viagem. Eu perguntava, "Mas Vó, esse barquinho não afunda? Por quanto tempo ele vai aguentar isso tudo?" Ela sorria, ajeitava seus cabelos loiros sem cor, me olhava com aqueles olhos azuis cristalinos, acendia um cigarro, como quem se preparasse pra dar uma notícia assustadora. Mas ela simplesmente dizia, que só Deus sabia o porquê do barquinho não afundar, mas o barquinho tinha que tomar cuidado mesmo assim, porque não é qualquer barquinho que aguenta tudo. E eu perguntava mais, "Mas Vó, Deus que faz chover?" , ela dizia que, a natureza era uma dádiva de Deus. Às vezes, pode cair uma chuva de repente, o tempo pode virar sem explicação. Quer dizer, sem explicação não. E ela ria, tossia, fazia um carinho na minha cabeça.. E eu sempre perguntava o que haveria no final do rio. E ela simplesmente dizia que um dia eu descobriria.
E os anos foram se passando, e toda vez que eu a visitava, e acabava deitando no seu colo, choramingava as dores da vida, ela fazia aquele carinho que só ela sabe, me acalmava, e acendia um cigarro. Eu sempre reclamava da vida, das pessoas, de tudo... Sempre dizia que não conseguia ver a felicidade em nenhum lugar. E ela dizia que eu era um barquinho. E eu dizia que não queria ser um barquinho. E ela dizia que eu era, querendo eu ou não, e devia aceitar isso. Dizia que eu devia aceitar mais as pessoas, aceitar que eu não posso mudar e querer que o mundo mude comigo. Ela dizia pra aprender a ser feliz, a felicidade não é algo pra se sentir todos os dias, mas são momentos, momentos bons. Ela dizia que eu era uma boa pessoa, que tinha um coração bom, e por isso sofria demais. E eu descobri, que ela tinha razão. Eu sofria demais, sofria por tudo, sofria por todo mundo. E eu perguntei, "Mas Vó, o que eu faço?" , ela ria. E eu dizia, "A chuva" .
E percebi que devemos esperar o momento certo para mudar, mas não esperar demais. O tempo não volta, os momentos também não. Não posso carregar o fardo de ninguém, o meu já é pesado demais. E se o mundo não mudar por você, não se desespere, não se mate. Aprenda a aceitar que o mundo não gira em torno de você, e é você quem tem que se adaptar as mudanças dele, e não ele às suas. Nunca tive uma amizade tão forte como essa, com uma pessoa, com décadas a mais de idade, de experiência.
Às vezes, ver o quanto você está errado, o quanto você aumenta as coisas... Às vezes, ver isso de fora ajuda muito. E assim, termino isso. O barquinho ainda não chegou ao fim.

domingo, 6 de novembro de 2011

São só palavras


Qual o poder que as palavras têm afinal?
Palavras podem ser ásperas, ser carinhosas,
Atenciosas, violentas e até mesmo como rosas.
Lindas, mas com espinhos, imersas no vendaval.

Palavras são só palavras. Será mesmo verdade?
Como é vazio o peito daquele que tudo faz,
E nenhuma palavra recebe, sempre no jamais,
Perdido no nunca e pra sempre, na maldade...

Economizar nunca fora uma péssima idéia.
Até começarem a economizar palavras ...
Egoísmo de uma parte, perdido na platéia.

O cansaço domina o corpo, e a dor também.
Os olhos então fecham-se, e elas chegam.
Silenciosas como pedras, ardentes como fogo.


domingo, 25 de setembro de 2011

Gaivotoar


Será que sentir saudades é sinal de fraqueza? E sentir ciúmes, algum sinal?
Em momentos como esse, poucas palavras são muito, e muitas nada são.
A saudade não tem definição, mas tem sintomas; dor, agonia, sofrimento especial,
Vazio no peito... Já os ciúmes; ódio, raiva, insegurança e aperto no coração...

E quando pensamos que não pode piorar, entra um agravante: A distância.
Longe de tudo, não sabemos o que acontece, e é nela que nasce a saudade...
É nela que cresce o ciúme, é na distância que descobrimos a nossa arrogância
De não querer ouvir nada, sendo ignorantes, ignorando a verdadeira realidade.

Enquanto que a falsa nos torna paranóicos, loucos, confusos e idiotas...
São sempre nas mesmas horas que brota essas vontades retardadas,
Nas quais tudo, digo tudo mesmo, que queríamos não podemos ter.

E são nessas horas mongolóides as quais nos tornamos crianças gaivotas,
Voando por entre mares e mares de possibilidades e na busca de desejadas
Maneiras de ter o que não podemos, com uma única certeza: a de nunca esquecer.