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sexta-feira, 4 de março de 2011

Areia e chuva


Tentei de diferentes formas começar a palavras nesta folha pôr,
Mas nenhuma delas se adequou ao palpitante sentimento
Onde tudo se ganha e nada se perde quando vou ao encontro do vento,
No qual possa me trazer memórias tuas, entorpecendo a dor.

Na vida ou na morte, não há como se perder sem nada se ganhar...
Perdem-se paixões, perdem-se amizades, perde-se a confiança...
Preocupamo-nos demais em não perder, e perdemos a esperança.
Perder é preciso. Por mais improvável que pareça, deve-se aceitar...

Deve-se aceitar que quando um não quer, é o bastante para não ser.
Mesmo que o calor dos olhos teus um dia venha a se esfriar,
E a água do cristalino mar venha a se tornar turva...

Uma vez encontrado teus lábios, teus olhos, tua pele, não há como perder
No infinito do calor desse amor, tudo o que se possa amar.
“O vento não leva a areia da várzea, quando a areia bebe a água da chuva.”*





                                                                                                          *Iracema, José de Alencar.