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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Palavras ao vento



Indecifrável é o vazio. Nos deixa perdido, sem ter aonde ir.
Consome-nos lentamente, derramando lágrimas tímidas.
Invade nossas mentes, torturando-a sem deixar dormir.
Alimenta a agonia já presente, deixando-a mais úmida...

Cresce a vontade de partir, deixar tudo o que não há...
Partir pela busca de um motivo, de um propósito real,
Para tanto sofrimento, tanto sangue derramado lá
Fora, tanto desconhecimento de uma verdade surreal,

A qual nem sabemos se é de fato o que parece ser...
Ele torna tudo nada, tão de repente, tão arduamente.
A vida perde seu valor, e nada é forte para fazer esquecer.

Ter uma vida dupla, duplamente errada, por quem mente.
Uma aqui, nestes versos, e a fora destes, a qual consertar,
Torna-se difícil, mas ainda não posso parar de tentar...


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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Aquiescência da realidade

E quem nunca pensou em escrever uma carta de despedida?
Quem foi que nunca pensou em abandonar tudo e ir embora?
Quem nunca desejou alguém que surgisse e curasse a ferida?
Quem nunca esteve de cabeça cheia e decidisse jogar tudo fora?

Ninguém. Mas perguntas demais tendem a criar um ciclo sem fim.
Como se saber a verdade fosse capaz de nos impedir de perguntar.
Perguntas são como instintos. Já sabemos o óbvio, mas desejamos o sim.
O martírio de não aceitação nos faz desastrosamente nos afogar

Em mares de sentimentos negros, onde nadar não adiantaria nada.
Saber a verdade não é o bastante. Mas sinto o pútrido cheiro...
Saber a hora de levantar e limpar o sangue seco é a grande charada.

Erros feitos não podem mais ser evitados, assim vive o guerreiro.
Por que não damos um fim às perguntas, e começamos a procurar
Um único motivo sensato para abdicar a felicidade e amar?

domingo, 9 de janeiro de 2011

Soneto Sórdido

A insanidade envolve meu pensamento como bolha,
E escurece o pouco que havia de luz em mim...
Mentir para si próprio é o que resta para virar a folha,
Já que realidade e verdade diferem, até meu fim.

Nestes versos é como se tudo estivesse perdido,
Onde eu possa fraquejar sem me preocupar...
Faço meu mundo aqui, sem temer ser banido,
Sem ter de buscar a felicidade, sem se importar.

Sem causas concretas para explicar o que se passa,
Apenas conseqüências para serem aceitas silenciosamente...
O lugar perfeito em que posso me perder sem que faça

Algo o qual me arrependa, sangrando incessantemente.
A realidade fora dos versos é clara demais para alguém
O qual passou a maior parte do tempo em sua escuridão sem ninguém.



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Amargura e decepção

O dia já amanheceu. Tenho vagas lembranças...
Só sinto a ressaca invadir, junto ao cheiro
De cigarro, lamentando-me de não ter esperanças
E não esperar antes de entregar-me a bebida por inteiro...

O torpor invade minha mente, inundando toda a escuridão
Da noite passada, do que fiz, ou do que lembro que fiz...
Estar expelindo o álcool não é nada agradável, mas que explicação
Teria se não fosse o maldito, para ter feito o que não quis...

Tendo somente alguém, ou algum motivo em mente...
Causa pela qual rouba meu sono, minha paz...
O fedor em minha carcaça me denuncia do malfeito.

Mas pouco me importa se não tenha quem o sente,
Apenas sei que se tivesse quem, não estaria assim mais...
Bêbado sem sentidos, sem rumo, indiferente, putrefeito.