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sábado, 13 de novembro de 2010

Impiedosos ponteiros



Os ponteiros giram, mas a hora não passa.

O tempo passa, mas a angústia aqui fica.

Assisti com os próprios olhos à fumaça

Dos meus sonhos ser levada pelo vento da rica


Maresia, restando-me nada senão nada.

Outra fumaça surge e precipita sobre mim

Pesadelos, marcas de uma aurora, gélida lufada.

Como se o chão fosse o mar, afundo sem ver fim...


Os ponteiros giram, mas não sinto a hora passar.

Fico preso inerte no tempo, sem respostas...

Vazio e confuso, sem porquês, sem mais.


Tento, mas o pranto não consegue mais chegar...

E eu vou ficando sem histórias idiotas

Para contar, pelas linhas que são minha paz...



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Escolhas



Às vezes lutamos tanto para um sonho realizar.
Será que lutaríamos se soubéssemos que tal sonho
Tornar-se-ia um pesadelo? É possível acreditar,
Após várias tentativas fracassadas, que dará certo?

Ouvi dizerem que o sofrimento que alguém carrega
Nunca é maior do que ela mesma pode suportar...
Mas suportar por quanto tempo? ... Quando a alma nega,
O sofrimento torna-se questão de tempo, é só esperar...

Como pode um grão de areia tornar-se um rochedo?
Complicar os fatos é mais fácil do que entendê-los...
Então viva intensamente, aprenda com o feito, viva sem medo,

Olhe para o passado e engrandeça, vença os pesadelos...
Saiba que sendo feliz ou infeliz, o mundo não irá mudar.
Não limite os desejos de tua’lma, viva sem medo de errar...





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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Soneto da Aurora




Não sei por que, mas hoje todos foram dormir cedo...
E eu, unicamente com a luminária do quarto acesa,
Permaneço, sentado na cama, observando sem medo,
Mas com dor, os pensamentos que deixei sobre a mesa.

Tão intenso e silencioso é o pranto que escorre sobre o rosto
Nu, reflexos de uma alma pura, porém repleta de cicatrizes
Recentes, fonte de dor e insegurança que causam desgosto
Na linda e grandiosa vida, onde sei que em suas fortes raízes

Há um ninho de felicidade e amor, que alimentam o coração
Das pessoas, mas cabe a elas regar sempre as raízes, e o ninho
Permanecerá vivo, sempre no mesmo lugar, cheio de emoção.

Pela janela, sinto uma longa lufada vir até eu fazer carinho,
E quando eu menos esperava, adormeci nos braços da madrugada.
Nem sempre percebemos, mas, as cicatrizes saram, grande lufada.



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Doce Mar

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Caminhava durante a noite pela praia deserta,
Ouvindo o marulho, observando a pura bruma
Que se fazia na beira da praia, forma incerta
Na qual me deixava sem certeza alguma,

Se as estrelas no céu desenhavam o caminho
Que me guiaria até a pessoa certa para amar.
Mas não passavam de estrelas mortas sem carinho
Sem piedade, enganando idiotas românticos no luar.

E as pegadas ficavam marcadas na areia da praia,
Assim como as lembranças ficam em nossa mente.
Minuciosamente, as ondas apagam-nas uma a uma...

Deixando no passado o que há pouco era presente,
Tão incerto como o movimento das ondas do mar,
Onde nunca repousa o sentimento que não irá acabar...

"Única razão que move as águas do mar, num movimento incessante, incrível dança."


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