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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Desenho nas águas




Estranhamente belo é o desenho que se forma
Quando o vento suave toca a leve água pura...
Quase sutil, mas seus traços contornam
O assobio que ele faz, doença sem cura...

Contorno diferente daquele que é quando chove.
São como lágrimas que caem e não são aceitas,
Descem e sobem. Melancólico movimento que comove,
Pelo fato de tuas gotas serem tão puramente perfeitas.

Não depende de nós querer escolher o melhor caminho,
Mas depende que o vento a traga para mim logo...
Assim, fará dos meus braços, teu querido quente ninho.

Se o amor não passar de um jogo, por você eu jogo.
O vento desenha teu suave rosto nas puras águas,
E quanto eu tento possuí-lo, ele se vai pelas mãos.


-Namur...

domingo, 11 de julho de 2010

Gotas




E é sentado no meu jardim de frente pra piscina,
Que eu assisto as gotas de chuva cair sobre mim,
Sobre a casa, sobre a grama, e sobre a mata sem fim.
Acompanhado de um bom agasalho me fascina

Como pode ser tão belo o céu escuro no verde da mata
Que cerca tudo ao meu redor, com cheiro de terra...
E no bolso do casaco, tenho um papel em branco na lata,
Para escrever um poema se o amor não estivesse em guerra.

Nesse caso, não passa de uma folha em branco, no casaco...
Acaricio a relva nova de grama, molhada, cheia de cor,
Invejoso, de ela estar crescendo, e eu estar aqui, fraco...

Até que então, encontro meu copo, e espero o amor.
Não sei de onde vem ou pra onde vai, mas o dia
Se vai, e o copo se esvazia, a grama morre e ...

... o amor não aparece.


-Namur...

Arrumação

É só tentar arrumar a casa e encontramos
Lembranças das pessoas que já amamos...
E para se tornar lembrança é por que bem
Não terminou, e tudo chega como um trem,

Passando por cima de tudo, e a casa
Que tentava arrumar se desarruma
Como minha mente toda em brasa...
Junto tudo, e procuro o isqueiro a uma.

Lá se vão às cartas uma vez escritas,
Lá se vão às mentiras ditas, malditas...
Lembranças tornam-se cinzas brilhantes.

Agora, repousam todas com os seus amantes...
Para que viver das lembranças, se tantas novas
Hão de vir? Deixe que repousem nas chamas.


-Namur...