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sexta-feira, 5 de março de 2010

' Caso recuse-se, tudo bem. Abro meus braços e me jogo ao mar '

Trazendo um brilho que espantou a noite vil
Aquele amor veio a mim sem medo
Surgiu de súbito, como um em mil
Mas em tanta perfeição, havia um segredo

De olhos fechados, entreguei minha vida
Confiando que o retorno não seria desigual
Mas com um golpe certeiro, foi aberta a ferida
E minha fidelidade foi traída de forma brutal
(Vanessa)

Já não sei o que pôr nessas linhas vazias...
O amor como sempre me passa a perna,
Deixando-me em prantos com uma dor interna.
Retire de mim desde já as suas mãos frias...

Afaste-se para bem longe de mim, queime no inferno.
Mas me leve contigo, pois eu não pertenço a outro lugar
Que não seja junto a quem me mostrou o que é eterno.
Caso recuse-se, tudo bem. Abro meus braços e me jogo ao mar.
(Namur)

Tangerina

Seu cabelo era longo, liso como de menina.
Sentada estava no meu campo cantarolando,
Estava com a faca na mão, chupando tangerina.
Estava com a faca, lentamente a descascando.

Assim eram todos os dias, deixando apenas o bagaço.
Tua mucosa era resistente e não rendia à acidez.
Numa volta, eu encontrei perdido um pequeno pedaço.
E toda vez que eu passeava, eu encontrava outra vez.

Certo dia, fui seguindo o cheiro ácido que sentia.
Vi com meus olhos que a respeito de tudo, mentia.
Cada tangerina era um pedaço de mim...

E os bagaços eram jogados fora, para o lixo.
Seus olhos eram sequiosos para o meu fim.
Meu campo foi abandonado, e na tangerina deu bicho.

-Namur...

Pele rubra

Para que aceitar a nostalgia atroz?
Para que esperar numa gruta?
Para que usar da força bruta,
Se o amor virá, porém não veloz?

Tropecei-me com algumas tantas mulheres...
E só o que senti foi um profundo amargo ressabio.
O que certamente não sentiria se fosse o teu lábio
Que estivesse junto ao meu, Oh se soubestes o que queres...

Tua cadência lenta faz minha paciência diminuir...
Mas tua essência, só faz meu desejo aumentar,
Secretamente fazendo minha esperança surgir.

O calor dos teus olhos está a todo instante, a me hipnotizar.
Tua voz de veludo, teus lábios de mel, a me matar de amor...
Tua pele num tom rubro, sussurrando para eu ir, por favor...

-Namur...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Deserto congelante

Não sei como aconteceu, mas parecia estar tão perto.
O clima mudara de repente, e o sol se recolhera.
A noite passou e eu acordei num tremendo deserto.
Não havia sol, não havia nada, um vazio me acolhera.

Foi tão breve e suave como um bater de borboleta,
Depois, foi como tremendo furacão destruidor...
Que varria meu peito deixando vazia a gaveta.
Era um deserto onde não se pode combater a dor.

Era uma prisão onde o silêncio é sufocante.
Onde o vento não sopra, onde não há vida.
E eu, tentava entender o porquê, a cada instante.

Sem meu amor não há porque a vida ser colorida.
Sem meu amor não há porque sair do inverno,
Onde permanece preservado o meu amor eterno.


-Namur...

Apenas um mergulho

Pensei que não seria demais entrar e ver como era.
Comecei a bater meus braços e já estava nadando
Nadei pensando encontrar a beleza da primavera
Mas só encontrei o frio do inverno pra baixo me puxando.

Pensei que não cansaria tão facilmente
Mas não sentia as pernas nem os braços
Não sentia o ar entrando realmente,
E quando vi, na água surgiram seus traços.

Quando percebi não respirava.
Procurei, mas não achava.
Estava ficando sem ar.

Não achava nosso amor.
Estava a me afogar.
Morto de dor.

-Namur...