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sábado, 15 de agosto de 2009

Filhos da Esperança



Quem me dera se a esperança não fosse cruel.


Esta que por horas nos ilude, nos engana.


Essa que por anos suas mentiras profanam.


Aquela que de certezas nada nos é certo, fiel.



A esperança me torna um babaca. Um cego.


Faz-me esperar por algo que nem sei se sou capaz.


A esperança lança suas cartas e não sei qual pego.


Na esperança de pegar a melhor... É ineficaz.



Pois ela acaba me passando a perna. Novamente...


Ela nos faz pensar que conseguimos, tão malignamente.


Quem sabe esse babaca é tão otário que não percebe.



Não percebe que se não fosse à esperança.


Se não fosse à esperança estaríamos perdidos.


Como podemos depender de algo tão cruel assim?



Se não fosse à esperança, o quê nos daria o triunfo? A conquista nada mais é que a esperança concretizada. Quem vence é porque um dia teve a esperança de vencer. Mas e quem perde? Quem perde então não teve esperança de vencer? O perdedor é o iludido. O filho rejeitado da esperança.”



- Namur.

Soneto Confuso

A noite chega sem que eu pereceba.

A dor não passa nem que eu beba.

Nunca quis que o sol não nascesse.

Nunca quis que minha paixao perecesse.

O nunca passa a não ser nunca mais...

Hoje não quis que o amanhã chegasse.

Percebi que poderia não tê-la jamais.

Como seria se eu não te amasse?

Seus cabelos são como imãs para minhas mãos.

Tua boca encontra a minha e completa o que na minha falta:

Vida. É quando meu até então batimento morto salta.

É quando se torna um as metades de nossos corações.

É quando minha dor se transforma em desejo de ficar.

Desejo de ao teu lado ficar. Desejo tua mão poder segurar.

- Namur.

Um segundo


Com o coração vazio cada segundo é uma eternidade.
E meus segundos vão somando-se e já são minutos.
Como se não bastasse, os minutos se tornam horas...
E tudo que possuo vai perdendo o brilho, a rima...

As horas vão se transformando em dias inacabáveis...
A melancolia se funde a passagem do interminável tempo.
E as horas agora já não são horas. Transformaram-se em dias.
Dias frios, solitários, escuros, onde já cansei de respirar.

Meus dias vão se acumulando, tornando-se meses...
E a peça que o amor aprontou pra mim nunca acaba.
Eu assisto deitado aos meses agora...

Pois os meses se tornam anos. Nada posso fazer...
Essa eternidade não tem fim. A dor também não.
Os anos agora são minha vida. Uma vida vazia.


- Namur.

domingo, 9 de agosto de 2009

“Coisa”

Cansei dessa “coisa” que só satisfaz uma pessoa.
Cansei dessa “coisa” que pra mim não é boa.
Cansei dessa “coisa” que só me falta morrer.
Cansei dessa “coisa” que me faz querer esquecer.

Cansei de falar de mim para quem não quero falar.
Cansei de ter que mentir agora e também ter de sorrir.
Cansei, de fato, de não poder, continuamente, dormir.
Cansei destas vozes que dentro de mim não param de gritar.

Não agüento mais repetir essa mesma porcaria...
Não agüento mais ouvir criticarem minha rebeldia...
Não agüento mais ter de arrancar meus cabelos...

Não agüento mais ouvir o que sou ou o que deixo de ser...
Ainda não cansei de me afogar e morrer em silêncio.
Meu abrigo por enquanto só tem um nome. Solidão.

- Sem nome.

Sono Profundo


É duro vê-la na minha frente, deitada e dormindo...
É duro chamá-la, gritá-la, e como se não adiantasse.
É duro falar com ela deitada sem que esteja me ouvindo.
É duro dar minhas lágrimas e pensar que mesmo se voltasse

No tempo, nada adiantaria. Inda assim seria amor...
Como faria tudo possível para que pudesse levantar...
Para que olhasse em meus olhos e pudesse me abraçar...
Eu não quero esquecê-la. Acorde... Rápido por favor...

Não suporto mais essa espera que parece não ter fim.
Sinto necessidade de sentir o perfume dela, de jasmim.
Porque não respirá-lo é o mesmo que morrer vagarosamente.

A cada segundo que passo sem ela é um segundo perdido.
A cada lágrima que escorre é como se matassem lentamente...
A cada passo que dou sem ela, é um passo para o inferno.


- Namur.