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sexta-feira, 3 de julho de 2009

O sempre nem sempre será sempre

Minha solitária e melancólica sombra me segue.
Para onde quer que eu vá, ela sempre me persegue.
É bom saber então que nunca estou sempre sozinho.
No escuro da noite eu não posso vê-la. Fiquei sozinho.

Sozinha a Lua não consegue fazer luz o suficiente
Para fazer minha sombra aparecer com pouca intensidade.
Minha sombra foi para as sombras, um lugar mais decente.
Estar comigo é estar arriscando a todo instante tua vitalidade.

É difícil acreditar que só sua sombra não te abandona...
Luto comigo como o faminto luta contra sua insaciável fome.
Algo que vem de dentro, que de repente aparece e vem à tona.

Algo que não se vê. Apenas se sente. Veja o poder de um nome...
Tua ausência sempre será angustiante. Tua presença, crucial.
Não sinto o tempo. Não importa o que quero. Não sei o que é real.

-?

Meu mundo sem cor


Tu és sem dúvida minha boneca de porcelana.
Linda como um pedaço do mais reluzente cristal...
Não ter-te é tão doloroso como a ferida que inflama.
Não ter-te é sucumbir-me diante de todo o mal.

Teus cabelos escondem de mim teu suave choro.
Teus batimentos são ao meu ouvido, um coro.
Ver teu lento, delicado e lindo rubor nascer,
Faz-me cada vez mais e loucamente enlouquecer.

Ter-te é querer que o tempo não passe nunca mais.
Ter-te é brincar com os arcanjos no sublime paraíso.
Ter-te é a prova de que de tudo o amor é capaz.

Não ter-te é como se teu perfeito sorriso,
Se transformasse numa expressão de profunda dor.
Não ter-te é viver num mundo em que não haja cor.


- Namur.

Arrependimento repentino

Olhar em teus olhos só faz minha dor aumentar.
Ver-te diariamente é ver o grande erro cometido.
Sentir teu perfume é pedir para não respirar.
Estar perto de ti só faz sentir-me arrependido.

Nunca pensei que um dia faria o que fiz.
Nunca pensei um dia fazer com teu coração,
Uma imensa, uma exata, uma mediatriz.
Nunca não quis a nossa até nunca união.

Sempre quis tanto não fazer-te me odiar.
O melhor agora era esquecer-me de uma vez.
Sei que um dia de mim não irá mais se lembrar.

Sei que meu amor por ti, jamais se desfez.
Não sei o que de mim amanhã pensarás.
Não sei se comigo um dia tu estarás.

- Nada sei, pois o que é hoje pode não ser amanhã.

Olhar flamejante

Quando olho em teus olhos meu corpo começa a queimar.
Há momentos nos quais me esqueço de esquecer você.
E há dias em que nem sequer paro para me questionar por quê.
Quanto mais procuro em você mais penso não encontrar.

Querer esquecer é o que me faz eficientemente lembrar.
Penso estar enganado e quando vejo estou só em pensar.
Quando demonstro não querer é quando mais quero.
Nem sempre a melhor maneira é ser sempre sincero.

Quando encontrei a você meu relógio se quebrou.
A idade continua e meu tempo a passar se recusou.
Apesar de não fazer muito tempo juntos, parece.

A cada dia que passa meu coração se enrijece.
Ele já não consegue ser quebrado de tão duro.
Só há uma pessoa que fará desta rocha, carne.

- Namur.

Momento Uniforme

Permaneço no ponto de partida.
Permaneço ainda sem uma saída.
Permaneço sem saber o que fazer.
Permaneço querendo te esquecer.

Como posso amar-te tanto?
Não entendo o meu pranto.
Como posso ter-te para mim,
Se para tudo eu vejo um fim?

E o tempo passa e eu permaneço.
E o tempo me castiga e eu mereço.
E o tempo não passa sem sofrimento.

E eu não vivo sem tê-la em pensamento.
E eu não consigo conseguir parar,
De em algum único momento te amar.


- Permanecedor.

‘Poeta’

Eu era um poeta loucamente perdido.
Eu era um poeta perdidamente apaixonado.
Eu era um poeta diariamente iludido.
Eu fui um poeta constantemente ignorado.

Eu era um poeta que admirava o amor.
Eu era um poeta que escrevia poesia.
Eu era um poeta que não escrevia durante o dia.
Eu fui um poeta que escrevia sobre sua dor.

Eu já fui um poeta cegamente apaixonado.
Que para poder ver-te, esperava sentado.
Eu já fui um poeta que só pensava nela.

Que para poder ter-te faria o inimaginável.
Eu já fui um poeta. Este agora pulou pela janela.
Que de tanto amar-te, aconteceu o indesejável.


- Namur.

domingo, 28 de junho de 2009

Ter-te e não ter-te

Ter teu silêncio é ter uma faca em meu peito.
Ter tua lágrima em meu rosto é constrangedor.
Ter teu cabelo preso é um crime, um defeito.
Ter-te junto ao meu corpo é poder sentir o calor.

Ter-te em meus braços é pedir para que o tempo pare.
Ter tua boca junto a minha é o que muitos odeiam.
Ter teus olhos nos meus é ter quem me ampare.
Ter-te longe de mim é ter demônios que me rodeiam.

Tenho teus pensamentos em minha mente.
Ter meu sorriso em teu rosto me tira o ar.
Não ter-te deixa-me entorpecido diariamente.

Não ter-te deixa-me sem vontade de continuar.
Não ter-te deixa-me perdido na escuridão do amor.
Não ter-te por perto só faz crescer a minha dor.




- Namur.

Olhos cegos


Há coisas que nossos olhos não enxergam,
E nem tudo que vêem é a verdadeira verdade.
Há coisas que de tão leves os ventos as levam,
E que não percebemos nem com o avançar da idade.

Certamente ‘coisas’ não podem ser percebidas.
Muitas vezes vemos o que não queremos ver.
E muitas vezes não vemos o que queremos perceber.
Há coisas que de nossas vidas precisam ser inibidas.

Não deixe que teus olhos te ceguem.
Quando não enxergar nada além da tristeza,
Busque ajuda das pessoas que te seguem.

Não cometa o mesmo erro que esta aberração da natureza.
Que por ver demais o que seus olhos não pudessem ver,
Acabou cegando a si próprio.

- Namur.

Cemitério

Lugar mórbido e sombrio com muito silêncio.
Lugar onde há de se guardar coisas esquecidas.
Lugar melancólico com cicatrizes nada cativas.
Lugar onde de coisas enterradas só há silêncio.

Lugar onde os anjos rodeiam a procura
De uma pobre alma perdida, querendo ajudar.
Lugar tão perfeito numa noite tão escura,
Que os demônios não esperam para perturbar.

*Fiz da minha cabeça um cemitério.
Cemitério de mágoas, tristezas, sofrimentos.
Cemitério de alegria, felicidade, bons momentos. {...}

Num cemitério há do bom e do ruim, sem mistério.
Lugar que depois do período de vida, não importa
Quem tu sejas ou quem és. Tua carne estará morta.


- Namur.